Pretensão

Às vezes me pergunto
com que direito falo da dor,
se mal a conheço,
se canto os problemas do poeta
quando problema é ser analfabeto.
Eu que falei da vida
como fardo, quando é dádiva,
aos que sabem a dor verdadeira,
minhas desculpas, meu respeito.
Por favor, não me levem a sério.
Coloquem meu poema em seu devido lugar:
depois do sofrimento agudo,
depois da perda lancinante,
depois da áspera realidade.
Depois, só depois,
minhas buscas menores:
as perdas e danos do amor,
o tempo que me foge,
a palavra que não encontro.

Autor: Radamés

Engenheiro curitibano pela UFPR, professor e produtor de conteúdos e ferramentas educacionais para a Internet.

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