Exemplo

A vida toda quis ser
um exemplo para si mesmo.
Nenhuma concessão,
nenhum pileque do bom,
nenhum arroto diante dos outros,
nenhuma irresponsabilidade
diante de si.
Sempre a corda tensa,
a hora rígida.
Para si a crítica mais cítrica.
De si o esforço mais drástico.
Sempre corrigindo
a postura da vontade,
marcando o passo do desejo,
classificando as palavras
segundo sua densidade.
Nunca pensou nem quis
ser diferente.
Tudo como se
alguém o vigiasse,
alguém que sempre e sempre
esconde a face.

Sem limites

Ah, comerciais do cigarro Hollywood
no horário nobre.
Fulminam-me, boquiabrem-me.
Ah, conquistar o cume
dos icebergs da Antártida,
Desbravar super sônico,
as dunas do Saara.
Não quero a rotina mofa
as sensaborias rotas
da vida pacata.
Quero o adrenalinado
sabor de conquista
que só me dão os comerciais
de Hollywood no horário nobre.
Impecáveis produções milionárias,
lapidares, conclusivas provas
da genialidade sem par
da nossa elite criadora.
Como me calam suas fundas verdades,
a luz que projetam
nos absconsos da alma humana.
Que mágica operam estes comerciais.
Vendem cigarro
sem falar de cigarro
e fumar fica tão esportivo,
nem de longe cancerígeno.
Quem me dera ser um comercial
de Hollywood no horário nobre.

Personal web site

No deserto cibernético:
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15 segundos

Prezado leitor:
Nestes 15 segundos
que me são garantidos
pela lei de Andy Warhol revista
gostaria de manifestar
meu repúdio a esta caótica
disputa desenfreada
pelo privilégio de sua atenção.
Que sociedade é esta
em que os valores se diluem,
a cultura se estilhaça
em pequenos cacos
de informação irrelevante
e não se põe o sol duas vezes
com o mesmo pop-deus no pedestal.
Caminhamos irreversivelmente
para o ruído de fundo,
mas o tempo é escasso.
Meu nome é

Mensagem

O náufrago se aproxima da arrebentação
e lança a garrafa ao mar.
O que nela se contém?
Pedido de socorro,
oferenda aos deuses,
declaração de amor?
As águas tecnológicas devoram as palavras
e as levam para destino incerto.
Noutra praia, noutra máquina,
outro náufrago, sentado espera.