Ruínas

Exausto, coberto pelo pó da estrada,
jogas a mala ao chão
diante das ruínas esquecidas.
A porta resiste toscamente
ao avanço de tua mão.
Entras no velho templo,
desolado e vazio
e ao toque dos teus passos
o soalho range,
se umidifica, se regenera.
A luz, que há muito não entrava
rasga as frestas da vidraça
e se insinua tímida,
como é próprio a um tempo
de energia escassa.
Animal que abandonou a manada,
caminhas de mãos vazias
para o centro da nave.
Pelos pés escorrem lentamente
as raízes, avançando
no solo úmido e silencioso,
mais fundo e fundo,
sulcando e conhecendo tua terra,
chegando à câmara oculta,
preparando-te para a terra,
devolvendo-te à ela.