{"id":163,"date":"2013-09-23T21:51:54","date_gmt":"2013-09-24T00:51:54","guid":{"rendered":"http:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/?p=163"},"modified":"2020-11-21T12:53:24","modified_gmt":"2020-11-21T15:53:24","slug":"metafora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/metafora\/","title":{"rendered":"Met\u00e1fora &#8211; figura de linguagem"},"content":{"rendered":"\n<p>A intui\u00e7\u00e3o de que estamos diante de uma met\u00e1fora come\u00e7a quando, ao fazermos uma leitura imediata, nos deparamos com uma impertin\u00eancia. Ou se atribui a um referente algo que n\u00e3o lhe diz respeito ou se classifica o referente numa classe a que n\u00e3o pertence. Constatada a impertin\u00eancia, o receptor da mensagem vai aplicar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o um algoritmo metaf\u00f3rico. Se a aplica\u00e7\u00e3o for plaus\u00edvel teremos a met\u00e1fora, caso contr\u00e1rio, um lapso, uma impropriedade ou outro fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os quatro elementos da met\u00e1fora<\/h3>\n\n\n\n<p>O algoritmo da met\u00e1fora comporta at\u00e9 quatro elementos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>comparado.<\/li><li>comparante.<\/li><li>atributo expl\u00edcito.<\/li><li>atributo impl\u00edcito.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"604\" height=\"453\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=604%2C453&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3281\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?w=640&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O atributo expl\u00edcito s\u00f3 aparece em met\u00e1foras de segundo tipo. O atributo impl\u00edcito deve ser pertinente ao comparante e ao comparado, o atributo expl\u00edcito pertinente ao comparante. Determinar o atributo impl\u00edcito \u00e9 decifrar a met\u00e1fora, mas n\u00e3o o atributo na sua ess\u00eancia e sim todas as modifica\u00e7\u00f5es e acr\u00e9scimos que decorrem de sua liga\u00e7\u00e3o com o comparante. <\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, temos que nos basear no contexto selecionando entre os atributos poss\u00edveis aquele ou aqueles mais plaus\u00edveis. A decifra\u00e7\u00e3o fica mais direcionada se o comparante tiver atributos marcados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Atributo marcado<\/h3>\n\n\n\n<p>\u00c9 aquele que tem com seu sujeito uma rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, ou seja, a cultura convenciona que o atributo marcado \u00e9 um s\u00edmbolo de seu sujeito ou vice-versa. Assim, &#8216;altura&#8217; \u00e9 um atributo marcado de &#8216;girafa&#8217;, &#8216;peso&#8217; \u00e9 um atributo marcado de &#8216;elefante&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como na compara\u00e7\u00e3o, o objetivo da met\u00e1fora \u00e9 dar expressividade a uma atribui\u00e7\u00e3o. A met\u00e1fora \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o el\u00edptica em que sempre est\u00e1 ausente o atributo comum. Em muitos casos tamb\u00e9m faltam as balizas de compara\u00e7\u00e3o: &#8216;como&#8217;, &#8216;tal qual&#8217;, etc. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando n\u00e3o h\u00e1 baliza de compara\u00e7\u00e3o, a estrutura sint\u00e1tica da met\u00e1fora de tipo I fica igual \u00e0 usada para estabelecer identidades. Da\u00ed a met\u00e1fora ser vista como uma impertin\u00eancia na leitura imediata. Sejam as frases:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><em>Quintiliano \u00e9 o autor de Institui\u00e7\u00f5es Orat\u00f3rias.<\/em><\/li><li><em>Arist\u00f3teles \u00e9 genial.<\/em><\/li><li><em>Maria \u00e9 uma flor.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A primeira frase serve para o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o de equival\u00eancia. O significado de\u00a0<em>Quintiliano<\/em> \u00e9 considerado equivalente ao de\u00a0<em>autor de Institui\u00e7\u00f5es Orat\u00f3rias<\/em>. Equival\u00eancia redut\u00edvel a uma rela\u00e7\u00e3o tautol\u00f3gica do tipo A \u00e9 A. Na segunda frase, o que se estabelece \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o determinado determinante. O termo\u00a0<em>genial<\/em> \u00e9 determinante de <em>Arist\u00f3teles<\/em>, trata-se de uma atribui\u00e7\u00e3o. Na terceira frase, temos uma met\u00e1fora.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma sint\u00e1tica das tr\u00eas frases \u00e9 a mesma. Em fun\u00e7\u00e3o disso a met\u00e1fora numa leitura imediata aparece como impertin\u00eancia. Esta semelhan\u00e7a entre as formas sint\u00e1ticas n\u00e3o \u00e9 ocasional. Sendo a met\u00e1fora uma compara\u00e7\u00e3o el\u00edptica, ela nos \u00e9 apresentada pela mesma forma que se usa para estabelecer identidades. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que alguma opera\u00e7\u00e3o mental menos rigorosa que as opera\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas estabele\u00e7a que o semelhante pode ser tratado como id\u00eantico. Pelo mesmo tratamento relaxado das rela\u00e7\u00f5es entre os objetos surgem os sofismas de arredondamento, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Met\u00e1foras tipo I<\/h3>\n\n\n\n<p>S\u00e3o as&nbsp;que explicitam comparado e comparante.<\/p>\n\n\n\n<p>Observe os enunciados que mostram a mesma met\u00e1fora:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><em>Maria \u00e9 uma flor.<\/em><\/li><li><em>Maria \u00e9 como uma flor.<\/em><\/li><li><em>Maria: uma flor.<\/em><\/li><li><em>Maria flor.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Imaginemos as frases acima proferidas num contexto em que &#8216;Maria&#8217; \u00e9 uma mulher. Pela leitura imediata conclu\u00edmos que estamos diante de uma impertin\u00eancia, pois, &#8216;mulher&#8217; e &#8216;flor&#8217; s\u00e3o classes disjuntas. O algoritmo da met\u00e1fora consiste em determinar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Comparado<\/strong>:\u00a0<em>Maria<\/em>.<\/li><li><strong>Comparante<\/strong>:\u00a0<em>flor.<\/em><\/li><li><strong>Atributo impl\u00edcito<\/strong>: provavelmente\u00a0<em>bela<\/em>,\u00a0<em>delicada<\/em>,\u00a0<em>perfumosa<\/em>, <em>suave<\/em>, etc.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A determina\u00e7\u00e3o do atributo impl\u00edcito nem sempre \u00e9 simples. A pertin\u00eancia ao contexto \u00e9 fundamental. A met\u00e1fora \u00e9 um recurso de sem\u00e2ntica aberta e em certos casos as incertezas quanto ao atributo impl\u00edcito s\u00e3o grandes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Met\u00e1foras tipo II<\/h3>\n\n\n\n<p>S\u00e3o aquelas que explicitam comparado e atributo expl\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo:&nbsp;<em>cor quente<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Comparado<\/strong>:\u00a0<em>cor<\/em>.<\/li><li><strong>Comparante<\/strong>:\u00a0<em>temperatura<\/em><\/li><li><strong>Atributo expl\u00edcito<\/strong>:\u00a0<em>quente<\/em><\/li><li><strong>Atributo impl\u00edcito<\/strong>: capacidade de gerar impress\u00f5es fortes e en\u00e9rgicas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Um segundo exemplo:&nbsp;<em>amargo regresso<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Comparado<\/strong>:\u00a0<em>regresso<\/em><\/li><li><strong>Comparante<\/strong>:\u00a0<em>sabor<\/em><\/li><li><strong>Atributo expl\u00edcito<\/strong>:\u00a0<em>amargo<\/em><\/li><li><strong>Atributo impl\u00edcito<\/strong>:\u00a0<em>ruim<\/em>,\u00a0<em>desagrad\u00e1vel<\/em>, etc.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Met\u00e1foras tipo III<\/h3>\n\n\n\n<p>Nesse tipo de met\u00e1fora, o comparante substitui o comparado.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo:&nbsp;<em>a chave do problema<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Comparado<\/strong>:\u00a0<em>solu\u00e7\u00e3o<\/em><\/li><li><strong>Comparante<\/strong>:\u00a0<em>chave<\/em><\/li><li><strong>Atributo impl\u00edcito<\/strong>: capacidade de abrir portas, caminhos, etc.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Um caso particular \u00e9 aquele em que ao comparante se atribui caracter\u00edsticas do comparado. Exemplos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><em>O homem \u00e9 um cani\u00e7o pensante.<\/em><\/li><li><em>O basset \u00e9 um salsich\u00e3o de patas.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Pela met\u00e1fora n\u00e3o se compara apenas objetos, mas tamb\u00e9m fen\u00f4menos. Assim, s\u00e3o met\u00e1foras:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><em>Correr como raio.<\/em><\/li><li><em>Ficar gelado de medo.<\/em><\/li><li><em>Chorar l\u00e1grimas de sangue.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Met\u00e1fora original e met\u00e1fora lexicalizada<\/h3>\n\n\n\n<p>A metaforiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de vasto uso na cria\u00e7\u00e3o de l\u00e9xico. Uma met\u00e1fora pode se vulgarizar a ponto de se converter em l\u00e9xico. Em muitos casos, a percep\u00e7\u00e3o da origem metaf\u00f3rica chega a se dissipar. A met\u00e1fora lexicalizada, a rigor, deixa de existir como met\u00e1fora.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando dizemos &#8216;Maria \u00e9 uma flor&#8217; estamos sugerindo que o enunciado seja decodificado por um algoritmo metaf\u00f3rico, no qual Maria continua a denominar uma mulher e flor continua a designar um vegetal, ou seja, na met\u00e1fora original nem comparado, nem comparante sofrem muta\u00e7\u00e3o ou transfer\u00eancia de sentido. <\/p>\n\n\n\n<p>Maria continua a designar a Maria e flor continua a designar a flor. Se a comunidade come\u00e7ar a chamar a Maria sempre por flor teremos uma lexicaliza\u00e7\u00e3o. O termo flor passar\u00e1 a ser signo para a Maria. Neste caso estamos diante de uma lexicaliza\u00e7\u00e3o que teve origem numa met\u00e1fora. Ser\u00e1 justo dizer que flor passou por uma transfer\u00eancia de sentido? Isso gerou a cl\u00e1ssica concep\u00e7\u00e3o dos tropos como &#8216;palavra tomada em outro sentido&#8217;. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o designa, a rigor, o processo de lexicaliza\u00e7\u00e3o originado a partir de tropos. Na met\u00e1fora original n\u00e3o h\u00e1 nenhuma altera\u00e7\u00e3o de sentido dos signos nela envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Hip\u00e9rbole<\/h3>\n\n\n\n<p>A hip\u00e9rbole \u00e9 um caso especial de met\u00e1fora,&nbsp;usada para passar uma impress\u00e3o de grau extremo em que o comparante caracteriza-se por ser um extremo em rela\u00e7\u00e3o ao comparado.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo:&nbsp;<em>demorou um s\u00e9culo<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Comparado<\/strong>:\u00a0<em>tempo da demora<\/em>.<\/li><li><strong>Comparante<\/strong>:\u00a0<em>um s\u00e9culo<\/em>.<\/li><li><strong>Atributo impl\u00edcito<\/strong>:\u00a0<em>demora<\/em>.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O comparante \u00e9 um extremo na classe dos eventos demorados da qual faz parte o comparado.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso not\u00e1vel de hip\u00e9rbole \u00e9 aquele que se orgina de arredondamentos. O comparante \u00e9 um arredondamento extremado que se relaciona com o comparado. Um exemplo: &#8216;Moro onde n\u00e3o mora ningu\u00e9m&#8217;. Numa leitura&nbsp; imediata, temos uma contradi\u00e7\u00e3o. O comparado cab\u00edvel seria&nbsp;<em>onde quase ningu\u00e9m mora<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente a hip\u00e9rbole apela para o maravilhoso. Alguns exemplos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><em>Cuspir fogo pela boca.<\/em><\/li><li><em>Comer o p\u00e3o que o diabo amassou.<\/em><\/li><li><em>Chorar l\u00e1grimas de sangue.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Agregado de significa\u00e7\u00e3o da met\u00e1fora<\/h3>\n\n\n\n<p>Na frase &#8216;Maria \u00e9 uma flor&#8217; consideremos que a inten\u00e7\u00e3o seja dizer que Maria \u00e9 bela. Mas por que ent\u00e3o usar a met\u00e1fora e n\u00e3o o termo pr\u00f3prio? Com a met\u00e1fora n\u00e3o se diz apenas que Maria \u00e9 bela mas tamb\u00e9m como \u00e9 essa beleza, que tipo, que grau. A met\u00e1fora agrega significa\u00e7\u00e3o ao discurso relativamente ao enunciado pr\u00f3prio que vem da sua decifra\u00e7\u00e3o. Esse agregado de significa\u00e7\u00e3o \u00e9 que torna a met\u00e1fora um recurso espetacular de express\u00e3o, insubstitu\u00edvel, em muitos casos,&nbsp; por outros recursos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Excel\u00eancia da met\u00e1fora<\/h3>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 tanto melhor quando:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>atributos impl\u00edcitos inferidos forem muitos.<\/li><li>atributos impl\u00edcitos forem pertinentes ao comparado.<\/li><li>atributos impl\u00edcitos forem muito caracter\u00edsticos do comparante.<\/li><li>pela met\u00e1fora se obtiver palpabilidade.<\/li><li>a met\u00e1fora intensificar ou atenuar.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fun\u00e7\u00f5es da met\u00e1fora<\/h3>\n\n\n\n<p>A met\u00e1fora \u00e9 usada quando:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>n\u00e3o h\u00e1 termo pr\u00f3prio para a&nbsp; situa\u00e7\u00e3o.<\/li><li>o termo pr\u00f3prio n\u00e3o tem a conota\u00e7\u00e3o desejada.<\/li><li>se quer evitar a repeti\u00e7\u00e3o do termo pr\u00f3prio.<\/li><li>se quer fazer compara\u00e7\u00f5es palp\u00e1veis.<\/li><li>se quer direcionar a aten\u00e7\u00e3o para o significante.<\/li><li>se busca novidade.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Compara\u00e7\u00f5es desconcertantes<\/h3>\n\n\n\n<p>Se o enunciado &#8216;X \u00e9 Y&#8217;&nbsp; n\u00e3o admitir leitura imediata trata-se de met\u00e1fora. Esse \u00e9 o procedimento que comumente adotamos diante de enunciados do tipo dado. Diante de frases deste tipo, nossas mentes come\u00e7am a trabalhar automaticamente na busca de uma semelhan\u00e7a entre X e Y, que viabilize a met\u00e1fora. O caso mais frustrante seria aquele em que X e Y s\u00e3o t\u00e3o d\u00edspares que a \u00fanica semelhan\u00e7a que se pode imputar aos dois \u00e9 a do ser. A qualidade de uma met\u00e1fora est\u00e1 associada \u00e0 semelhan\u00e7a induzida entre os elementos X e Y.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A defini\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica da met\u00e1fora<\/h3>\n\n\n\n<p>A defini\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica da met\u00e1fora: palavra tomada em outro sentido, embora seja pertinente \u00e0 met\u00e1fora, n\u00e3o a enquadra. Outros recursos de estilo se enquadram na defini\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica de met\u00e1fora como o ato falho, a impropriedade, a ironia, o ox\u00edmoro.<\/p>\n\n\n\n<p>A met\u00e1fora n\u00e3o precisa ser uma palavra, mas uma unidade sem\u00e2ntica, que n\u00e3o precisa ser m\u00ednima como \u00e9 a palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>A met\u00e1fora n\u00e3o est\u00e1 presa a uma forma. Podemos dizer:&nbsp;<em>Maria \u00e9 uma flor<\/em> ou&nbsp;<em>Maria flor<\/em> ou ainda&nbsp;<em>Maria \u00e9 como uma flor<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas tr\u00eas formas subsiste a mesma met\u00e1fora.<\/p>\n\n\n\n<p>A met\u00e1fora n\u00e3o se diferencia da compara\u00e7\u00e3o por termos de compara\u00e7\u00e3o:&nbsp;<em>como<\/em>,&nbsp;<em>tal qual<\/em>, etc. A diferen\u00e7a entre compara\u00e7\u00e3o e met\u00e1fora \u00e9 que na met\u00e1fora o atributo comum est\u00e1 el\u00edptico. A met\u00e1fora \u00e9 um algoritmo anal\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tropos<\/h3>\n\n\n\n<p>A met\u00e1fora, juntamente com a meton\u00edmia, a alegoria, a ironia, o ox\u00edmoro e alguns trocadilhos formam um grupo de recursos de Ret\u00f3rica sem\u00e2nticos chamados de tropos. Os tropos caracterizam-se por parecerem impertin\u00eancias numa an\u00e1lise superficial, ora impertin\u00eancias l\u00f3gicas, ora contextuais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Figuras de linguagem (Recursos ret\u00f3ricos)<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/alegoria\/\">Alegoria<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/elipse\/\">Elipse<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/iconia\/\">Iconia<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/ironia\/\">Ironia<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/metafora\/\">Met\u00e1fora<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/metaplasmo\/\">Metaplasmo<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/metonimia\/\">Meton\u00edmia<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/titulo\/\">O t\u00edtulo como recurso ret\u00f3rico<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/ordem\/\">Ordem do discurso<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/oximoro\/\">Ox\u00edmoro<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/editoriais\/\">Recursos ret\u00f3ricos editoriais<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/entoativos-e-gestuais\/\">Recursos ret\u00f3ricos entoativos e gestuais<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/ortograficos\/\">Recursos ret\u00f3ricos ortogr\u00e1ficos<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/repeticao\/\">Repeti\u00e7\u00e3o<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/segmentacao\/\">Segmenta\u00e7\u00e3o do discurso<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/trocadilho\/\">Trocadilho<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/outros-recursos\/\">Figuras de linguagem pouco conhecidas<\/a><\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A intui\u00e7\u00e3o de que estamos diante de uma met\u00e1fora come\u00e7a quando, ao fazermos uma leitura imediata, nos deparamos com uma impertin\u00eancia. Ou se atribui a um referente algo que n\u00e3o lhe diz respeito ou se classifica o referente numa classe a que n\u00e3o pertence. Constatada a impertin\u00eancia, o receptor da mensagem vai aplicar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o &hellip; <a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/metafora\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Met\u00e1fora &#8211; figura de linguagem<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[104,111,110,105],"class_list":["post-163","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-recursos-retorica","tag-figura","tag-hiperbole","tag-metafora","tag-recurso"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/s74YWN-metafora","jetpack-related-posts":[{"id":157,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/metonimia\/","url_meta":{"origin":163,"position":0},"title":"Meton\u00edmia &#8211; figura de linguagem","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"Como acontece com a met\u00e1fora, a leitura imediata de uma meton\u00edmia nos revela uma impertin\u00eancia. O leitor tentar\u00e1 resolv\u00ea-la usando um algoritmo pr\u00f3prio para meton\u00edmias. Os elementos desse algoritmo s\u00e3o: substitutosubstitu\u00eddorela\u00e7\u00e3o de contiguidadedecifra\u00e7\u00e3o Decifrar a meton\u00edmia consiste em chegar ao termo substitu\u00eddo, ou seja, ao referente que atende \u00e0 dupla\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Recursos&quot;","block_context":{"text":"Recursos","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/retorica\/recursos-retorica\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x"},"classes":[]},{"id":112,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/propriedade\/","url_meta":{"origin":163,"position":1},"title":"Propriedade do discurso","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"Propriedade \u00e9 a caracter\u00edstica do discurso ou do termo cujo significado \u00e9 totalmente adequado para o contexto em que se aplica. 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H\u00e1 impropriedades t\u00edpicas em todos\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Categorias&quot;","block_context":{"text":"Categorias","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/retorica\/categorias\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x"},"classes":[]},{"id":178,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/alegoria\/","url_meta":{"origin":163,"position":2},"title":"Alegoria &#8211; figura de linguagem","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"A alegoria se assemelha \u00e0 met\u00e1fora em muitos pontos. Poderia at\u00e9 ser considerada uma met\u00e1fora do tipo III. 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Sentidos pr\u00f3prio e figurado Comumente afirma-se que certas ocorr\u00eancias de discurso t\u00eam sentido pr\u00f3prio e sentido figurado. 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