{"id":198,"date":"2013-09-29T16:00:10","date_gmt":"2013-09-29T19:00:10","guid":{"rendered":"http:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/?p=198"},"modified":"2020-11-17T14:48:22","modified_gmt":"2020-11-17T17:48:22","slug":"desvio-linguistico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/desvio-linguistico\/","title":{"rendered":"Desvio lingu\u00edstico"},"content":{"rendered":"\n<p>Desvio, erro, anomalia, m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o, agramaticalidade, enunciado n\u00e3o aceit\u00e1vel. S\u00e3o muitos os termos usados para designar a classe de ocorr\u00eancias de discurso que levam ao equ\u00edvoco, ao estranhamento, a dist\u00farbios de decifra\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o ou aceita\u00e7\u00e3o. Existem outras ocorr\u00eancias que levam a efeitos similares e nem por isso s\u00e3o consideradas desvios, como os ru\u00eddos e os recursos ret\u00f3ricos. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desvio reprovado<\/h3>\n\n\n\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o do desvio requer um qualificador a mais: a reprova\u00e7\u00e3o. Desvio \u00e9 o dist\u00farbio comunicativo reprovado. Para o estudo gramatical importam os desvios formais. Quando algu\u00e9m fala que uma afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 errada, ainda n\u00e3o est\u00e1 caracterizado o desvio lingu\u00edstico, pois o que o falante considerou erro pode ser causado no plano do conte\u00fado e n\u00e3o no da express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"332\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=500%2C332&#038;ssl=1\" alt=\"Gram\u00e1tica\" class=\"wp-image-3236\" title=\"Gram\u00e1tica\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desvio para quem?<\/h3>\n\n\n\n<p>O estudo do desvio lingu\u00edstico deve come\u00e7ar com algumas perguntas: desvio para quem? De que propor\u00e7\u00e3o? Em que contexto? De fato, n\u00e3o existe desvio absoluto, un\u00e2nime, l\u00edquido. O que \u00e9 desvio para um falante n\u00e3o o \u00e9 para outro. O que causa estranhamento a fulano, n\u00e3o causa a beltrano. O que \u00e9 reprovado por um grupo n\u00e3o o \u00e9, por outro. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do mais, os falantes situam os desvios numa escala de aceitabilidade ampla e el\u00e1stica. Alguns desvios s\u00e3o considerados leves, outros, severos e inaceit\u00e1veis. E para completar: a toler\u00e2ncia e a aceitabilidade do desvio variam dependendo do contexto. O desvio que \u00e9 tolerado e aceito em uma situa\u00e7\u00e3o pode ser reprovado duramente em outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem muitos tipos de desvios que ocorrem em todos os n\u00edveis da an\u00e1lise lingu\u00edstica, seja fonol\u00f3gico, ortogr\u00e1fico, sint\u00e1tico, sem\u00e2ntico, pragm\u00e1tico, estil\u00edstico, etc. Alguns tipos merecem destaque como ambiguidades, solecismos, impropriedades e os desvios conotativos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aceitabilidade e desempenho<\/h3>\n\n\n\n<p>A aceitabilidade est\u00e1 interligada com o desempenho do falante. Em certos casos, uma constru\u00e7\u00e3o pode ser aceit\u00e1vel para uma pessoa e inaceit\u00e1vel para outra, porque a primeira tem um dom\u00ednio melhor do idioma do que a segunda. Um voc\u00e1bulo inaceit\u00e1vel para uma pessoa pode ser aceit\u00e1vel para outra que possua um vocabul\u00e1rio mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p>A aceitabilidade de frases gramaticais cai \u00e0 medida que se exige maior esfor\u00e7o de decifra\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o do falante. Frases longas, parent\u00e9ticas, com encaixes e remiss\u00f5es podem ser julgadas como inaceit\u00e1veis ao falante menos atento e, dependendo das exig\u00eancias de processamento da frase, at\u00e9 os falantes mais preparados passam a consider\u00e1-la inaceit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o das limita\u00e7\u00f5es da aceitabilidade associadas a desempenho \u00e9 que em nosso trabalho vamos supor sempre o falante ideal. Esse falante, em princ\u00edpio, tem o dom\u00ednio pleno da compet\u00eancia do idioma e seu desempenho se situa no limiar superior al\u00e9m de n\u00e3o ser afetado por conting\u00eancias externas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ambiguidade<\/h3>\n\n\n\n<p>A ambiguidade \u00e9 a possibilidade de mais de um sentido v\u00e1lido para um s\u00f3 enunciado em dado contexto. Na ambiguidade, a op\u00e7\u00e3o por um dos sentidos poss\u00edveis \u00e9 uma quest\u00e3o que n\u00e3o pode ser decidida. A ambiguidade pode ocorrer por lapso ou por inten\u00e7\u00e3o. Vejamos alguns tipos de ambiguidades:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ambiguidades sint\u00e1ticas<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Falta de morfema separador sint\u00e1tico para delimitar termos sint\u00e1ticos.<\/li><li>O determinado admite mais de um determinante. Aqui a ambiguidade acontece por causa da sintaxe de coloca\u00e7\u00e3o. Exemplo: <em>Paulo esqueceu a senha do cart\u00e3o que ele cancelou<\/em>. Cancelou o cart\u00e3o ou a senha?<\/li><li>Um termo admite mais de uma fun\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica. Exemplo:&nbsp;<em>Protesto contra a impunidade e lentid\u00e3o da justi\u00e7a<\/em>.&nbsp; O trecho&nbsp;<em>e lentid\u00e3o da justi\u00e7a<\/em> pode ser lido como ora\u00e7\u00e3o coordenada ou como termo enumerado junto com&nbsp;<em>impunidade<\/em>.<\/li><li>Elipses imprevis\u00edveis.<\/li><li>Concord\u00e2ncia com mais de um determinado. Exemplo:&nbsp;<em>Jo\u00e3o, o Carlos fez a sua parte<\/em>. Em portugu\u00eas, \u00e9 cl\u00e1ssica a ambiguidade envolvendo a segunda e a terceira pessoa do discurso em virtude de o verbo admitir a mesma flex\u00e3o para as duas pessoas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ambiguidades sem\u00e2nticas<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Gerada por termos poliss\u00eamicos. Ocorre quando os dois sentidos desse termo s\u00e3o pertinentes no contexto.<\/li><li>O signo pode ser tomado como significante ou como significado, ou seja, pode haver uso ou men\u00e7\u00e3o. Nos dois casos o sentido \u00e9 pertinente.<\/li><li>Tanto o sentido imediato como o figurado s\u00e3o pertinentes.<\/li><li>O termo tem duas conota\u00e7\u00f5es diferentes, cada uma levando a uma possibilidade de interpreta\u00e7\u00e3o pertinente.<\/li><li>Trocadilhos. Alguns s\u00e3o amb\u00edguos.<\/li><li>Tropos de sem\u00e2ntica aberta podem criar ambiguidades.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Contexto e ambiguidade<\/h3>\n\n\n\n<p>Um enunciado pode ser amb\u00edguo num contexto e n\u00e3o o ser em outro. A frase&nbsp;<em>Jo\u00e3o, o Carlos j\u00e1 fez a sua parte<\/em> s\u00f3 \u00e9 amb\u00edgua se no contexto em que for lan\u00e7ada n\u00e3o houver como discernir se a parte referida \u00e9 a do Jo\u00e3o ou a do Carlos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Solecismo<\/h3>\n\n\n\n<p>O solecismo \u00e9 um caso de desvio sint\u00e1tico. H\u00e1 tr\u00eas tipos de solecismo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>De concord\u00e2ncia<\/strong>: Desvio paradigm\u00e1tico de flex\u00e3o. Exemplo:&nbsp;<em>N\u00f3s fez tudo<\/em>.<\/li><li><strong>De reg\u00eancia<\/strong>: \u00c9 a desvio paradigm\u00e1tico de co-ocorr\u00eancia. Exemplo:&nbsp;<em>Assisti o filme<\/em>. A norma padr\u00e3o prescreve que neste uso o verbo assistir deve ser acompanhado de preposi\u00e7\u00e3o.<\/li><li><strong>De coloca\u00e7\u00e3o<\/strong>: \u00c9 a anomalia sintagm\u00e1tica. Exemplo:&nbsp;*<em>Direi-te&#8230;<\/em> A norma padr\u00e3o recomenda o uso da mes\u00f3clise:&nbsp;<em>Dir-te-ei<\/em>.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Solecismos de c\u00f3digo<\/strong>: H\u00e1 solecismos estruturais na l\u00edngua como, por exemplo, na frase:&nbsp;<em>Eu e ele fomos ao parque<\/em>. O solecismo neste caso \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o gramatical convencional que se d\u00e1 diante da impossibilidade de o verbo concordar com dois sujeitos d\u00edspares. Os solecismos estruturais n\u00e3o s\u00e3o considerados an\u00f4malos. Em alguns casos podem adotar o mecanismo da silepse, que consiste em concordar com a id\u00e9ia associada \u00e0 conjun\u00e7\u00e3o das partes. Exemplo:&nbsp;<em>Jo\u00e3o e Paulo foram \u00e0 feira<\/em>. Em outros casos, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 meramente arbitr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro solecismo de c\u00f3digo no portugu\u00eas \u00e9 o que envolve nomes que na origem tem um g\u00eanero mas designam conceitos a que se atribui g\u00eanero diferente. Exemplo:&nbsp;<em>A populosa S\u00e3o Paulo<\/em>.&nbsp;<em>S\u00e3o Paulo<\/em> \u00e9 nome que se origina de conceito com g\u00eanero masculino, mas que se aplica a conceito do g\u00eanero feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro solecismo de c\u00f3digo ocorre quando o elemento \u00e9 de um g\u00eanero e a classe que o cont\u00e9m \u00e9 de outro ou quando aquilo a que \u00e9 comparado \u00e9 de outro. Exemplos:&nbsp;<em>Ele \u00e9 uma personagem<\/em> e&nbsp;<em>Ele \u00e9 uma m\u00e1quina<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Solecismo de discurso<\/strong>. Geralmente se restringem a alguns casos t\u00edpicos. \u00c9 comum o solecismo de n\u00famero em que se coloca o singular no lugar do plural, o de pessoa em que se coloca a terceira pessoa no lugar da segunda, tanto que no portugu\u00eas h\u00e1 uma tend\u00eancia dominante para as flex\u00f5es de segunda pessoa serem substitu\u00eddas totalmente pelas de terceira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Silepse <\/strong>\u00e9 um caso especial de solecismo de concord\u00e2ncia em que se faz a concord\u00e2ncia com um conceito de algum modo vinculado ao termo determinante da flex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Impropriedade<\/h3>\n\n\n\n<p>A impropriedade \u00e9 o desvio sem\u00e2ntico que leva a uma confus\u00e3o de sentido. Em portugu\u00eas, impropriedades comuns s\u00e3o as que envolvem palavras fonologicamente semelhantes como:<em>infra\u00e7\u00e3o<\/em> e&nbsp;<em>infla\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desvio conotativo<\/h3>\n\n\n\n<p>Entre todas as modalidades de desvio que podemos catalogar, uma classe \u00e9 especialmente espinhosa para o estudo gramatical: a dos desvios de inadequa\u00e7\u00e3o conotativa. S\u00e3o desvios que n\u00e3o causam dano \u00e0 decifra\u00e7\u00e3o, \u00e0 compreens\u00e3o, nem levam ao equ\u00edvoco. S\u00e3o gerados por inadequa\u00e7\u00e3o de contexto. Vamos exemplificar considerando o seguinte di\u00e1logo hipot\u00e9tico:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; Ontem n\u00f3is fumo no jogo.<\/em><br><em>&#8211; N\u00e3o fale n\u00f3is fumo, que est\u00e1 errado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A reprova\u00e7\u00e3o manifesta pelo segundo falante, indica que ele viu na frase do primeiro um desvio. N\u00e3o \u00e9 o tipo de desvio que leva ao equ\u00edvoco, \u00e0 impossibilidade de decifrar a mensagem ou de compreend\u00ea-la. Qualquer falante nativo do portugu\u00eas compreende perfeitamente a frase considerada errada pelo segundo falante. <\/p>\n\n\n\n<p>Onde est\u00e1 o erro, ent\u00e3o? A verdade \u00e9 que o segundo falante julga a frase errada por consider\u00e1-la pertencente a uma variante reprovada. A rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u00e0 express\u00e3o em si, mas ao fato de ela estar ligada a aspectos culturais com quais o falante n\u00e3o quer identifica\u00e7\u00e3o. Temos uma inadequa\u00e7\u00e3o de contexto do tipo: a forma de express\u00e3o x \u00e9 inadequada ao falante y.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio de outras modalidades de desvio, que admitem um tratamento objetivo, os desvios conotativos s\u00e3o complexos e s\u00f3 podem ser abordados a contento considerando as vari\u00e1veis hist\u00f3ricas, sociais, culturais e est\u00e9ticas a que se ligam. \u00c9 no estudo dos desvios conotativos que a pergunta: desvio para quem? ganha status de quest\u00e3o central.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conota\u00e7\u00e3o<\/strong>, ou seja, o procedimento de fazer ju\u00edzo de valor acerca da forma do discurso, \u00e9 praticada por todos os falantes. Do liberal ao conservador, do culto ao ignorante, do conhecedor profundo da l\u00edngua ao falante mais carente, todos fazem julgamento sobre o que ouvem ou leem, n\u00e3o s\u00f3 no aspecto do conte\u00fado, mas tamb\u00e9m no da forma. Em resumo: todos os falantes t\u00eam uma vis\u00e3o pr\u00f3pria sobre a adequa\u00e7\u00e3o dos discursos aos contextos. Isso faz com que cada falante forme um repert\u00f3rio pr\u00f3prio de desvios conotativos. Esses desvios que cada falante enxerga s\u00e3o reflexo da sua hist\u00f3ria pessoal, sua forma\u00e7\u00e3o cultural, sua personalidade, de seu meio. A vis\u00e3o de desvio varia de grupo para grupo, de \u00e9poca para \u00e9poca, de pessoa a pessoa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desvio e norma<\/h3>\n\n\n\n<p>O estudo da vis\u00e3o de desvio lingu\u00edstico de cada agente da l\u00edngua \u00e9 um ramo de pesquisa muito interessante e inexplorado pela Lingu\u00edstica. No est\u00e1gio atual dos estudos gramaticais interessa-nos especialmente a vis\u00e3o de desvio praticada pelos gram\u00e1ticos normativos, em fun\u00e7\u00e3o do papel de agentes privilegiados da l\u00edngua que eles desempenham. Embora a \u00e9poca da ditadura da gram\u00e1tica normativa j\u00e1 tenha passado, ainda \u00e9 not\u00e1vel a influ\u00eancia que ela exerce sobre o idioma. E mesmo que no futuro os gram\u00e1ticos normativos se tornem s\u00f3 uma lembran\u00e7a nos livros de Hist\u00f3ria, provavelmente outros agentes ocupar\u00e3o o espa\u00e7o deixado por eles, pois sempre haver\u00e1 algu\u00e9m disposto a assumir o papel de tutor oficial do idioma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autoridade dos gram\u00e1ticos<\/strong>. A contesta\u00e7\u00e3o atual \u00e0 autoridade dos gram\u00e1ticos normativos est\u00e1 ligada principalmente \u00e0 vis\u00e3o destes acerca do desvio lingu\u00edstico. O contraste entre a vis\u00e3o dos gram\u00e1ticos normativos e a realidade atual do idioma mostra que a evolu\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa n\u00e3o foi acompanhada pelos normativos. Nem poderia ser diferente, pois a vis\u00e3o de desvio dos normativos est\u00e1 calcada sobre um sistema de valores que preconiza a imutabilidade e a inflexibilidade. Como a vis\u00e3o de desvio \u00e9 sempre hist\u00f3rica e social, somente entendendo a forma\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o dos normativos \u00e9 que poderemos compreender os vetores do conflito atual que se deflagra no estudo da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>A gram\u00e1tica normativa, como existe hoje, liga-se a uma tradi\u00e7\u00e3o iniciada num passado distante. Poder\u00edamos rastrear o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o normativa na Antiga Gr\u00e9cia e \u00cdndia, mas para nossos objetivos basta situarmos o marco inicial de nossa abordagem no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>O panorama lingu\u00edstico do s\u00e9culo XIX era muito diferente do atual. Predominava o isolamento lingu\u00edstico entre classes sociais e entre regi\u00f5es. Boa parte da popula\u00e7\u00e3o era de analfabetos, a divis\u00e3o de classes sociais era mais polarizada e o interc\u00e2mbio lingu\u00edstico entre classes era freado pela doutrina de segrega\u00e7\u00e3o da classe abastada. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, limitados \u00e0s m\u00eddias impressas, estavam em est\u00e1gio inicial de forma\u00e7\u00e3o e as possibilidades de interc\u00e2mbio lingu\u00edstico entre regi\u00f5es geogr\u00e1ficas eram bem mais reduzidas que as atuais. <\/p>\n\n\n\n<p>O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o escrita e \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o eram privil\u00e9gio das classes abastadas. O ensino refletia a vis\u00e3o aristocr\u00e1tica de separa\u00e7\u00e3o de classes sociais.&nbsp; Era uma \u00e9poca em que as variantes lingu\u00edsticas estavam delimitadas por fronteiras sociais e geogr\u00e1ficas bem mais r\u00edgidas que as atuais. O sistema de valores hegem\u00f4nico favorecia a cria\u00e7\u00e3o de barreiras ao interc\u00e2mbio lingu\u00edstico. Nesse ambiente, o papel esperado do gram\u00e1tico normativo n\u00e3o poderia ser outro, sen\u00e3o tutelar a variante lingu\u00edstica da classe abastada. <\/p>\n\n\n\n<p>Cabia ao gram\u00e1tico normativo justificar, conservar e enaltecer a variante chamada culta, por ser a preferida da classe com acesso \u00e0 escola. Nessa l\u00f3gica de cultura hegem\u00f4nica, soa natural considerar a variante culta como superior e as demais variantes como inadequadas, para n\u00e3o dizer, inferiores. Como foi concebida para ser instrumento de exclus\u00e3o social, a gram\u00e1tica normativa do s\u00e9culo XIX ganhou contornos t\u00edpicos de confraria para iniciados. Formou-se a vis\u00e3o de que a boa express\u00e3o \u00e9 para poucos privilegiados. Os exemplos de boa express\u00e3o passam a ser buscados nas fontes escritas mais formais e de dif\u00edcil reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contexto hist\u00f3rico<\/strong>. O contexto hist\u00f3rico social que moldou a gram\u00e1tica normativa se alterou significativamente desde o s\u00e9culo XIX, mas os normativos, presos \u00e0 l\u00f3gica da imutabilidade t\u00edpica da vis\u00e3o aristocr\u00e1tica do s\u00e9culo XIX, mantiveram suas posi\u00e7\u00f5es, exceto por altera\u00e7\u00f5es meramente cosm\u00e9ticas, ao longo do s\u00e9culo XX. Com isso, gerou-se uma tens\u00e3o crescente que nos \u00faltimos trinta anos do s\u00e9culo XX tornou-se expl\u00edcita. Vejamos agora algumas caracter\u00edsticas da realidade ling\u00fc\u00edstica atual, que contrasta de modo flagrante com a do s\u00e9culo XIX:<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o final da Segunda Grande Guerra os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa passaram por uma evolu\u00e7\u00e3o sem precedentes. A m\u00eddia impressa cresceu, a televis\u00e3o se tornou popular. A propaganda passou a ser onipresente. Na \u00e1rea do ensino, o acesso \u00e0 escola se expandiu e se massificou, com redu\u00e7\u00e3o do analfabetismo e aumento do n\u00famero m\u00e9dio de anos passados na escola. A evolu\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es permitiu a integra\u00e7\u00e3o territorial e a cria\u00e7\u00e3o de m\u00eddias de alcance nacional. Na frente das id\u00e9ias, surgiram correntes de pensamento fortemente reativas \u00e0 vis\u00e3o elitista do conhecimento como privil\u00e9gio de poucos. No campo das artes, proliferaram trabalhos de resgate e aproxima\u00e7\u00e3o com a cultura popular. O somat\u00f3rio desses fatores hist\u00f3ricos e sociais gerou uma tend\u00eancia de distens\u00e3o nas barreiras ao interc\u00e2mbio ling\u00fc\u00edstico.&nbsp; O clima se tornou prop\u00edcio ao liberalismo ling\u00fc\u00edstico uma vez que as rela\u00e7\u00f5es sociais se tornaram mais informais e menos imobilistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos se adaptaram aos novos ventos, mas n\u00e3o os gram\u00e1ticos normativos, o que \u00e9 compreens\u00edvel, pois adaptar-se significaria negar o cerne dos valores que a gram\u00e1tica normativa sempre preconizou. Alguns normativos at\u00e9 simularam uma mudan\u00e7a de rumo, introduzindo alguns poucos elementos de modernidade no seu trabalho, mas sem resultado eficaz. Diante disso, criou-se o impasse que ainda est\u00e1 por ser desatado. Ensinar ou n\u00e3o ensinar gram\u00e1tica normativa? Defender a variante culta? Como delimit\u00e1-la? Como tratar os desvios da variante culta? Ainda levar\u00e1 tempo para estas quest\u00f5es serem resolvidas a contento, isso se fatos novos n\u00e3o se somarem aos atuais para complicar a situa\u00e7\u00e3o. Mas enquanto a tens\u00e3o persistir, a discuss\u00e3o acerca do desvio lingu\u00edstico continuar\u00e1 a ser bastante acalorada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O princ\u00edpio da autoridade<\/h3>\n\n\n\n<p>Para que uma gram\u00e1tica seja minimamente bem sucedida, o gram\u00e1tico tem que se posicionar sobre a quest\u00e3o dos desvios. Embora nos dias de hoje muitos prefiram tangenci\u00e1-la, n\u00e3o h\u00e1 como estabelecer uma gram\u00e1tica consistente sem desatar esse n\u00f3. E para desat\u00e1-lo uma pergunta&nbsp; deve ser respondida: Afinal, a quem compete estabelecer o que \u00e9 gramatical ou n\u00e3o, certo ou errado, aceit\u00e1vel ou inaceit\u00e1vel, preferencial ou alternativo? A quest\u00e3o \u00e9 especialmente relevante quando tratamos da variante culta. O fato \u00e9 que n\u00e3o importam os termos usados e as linhas de pensamento por tr\u00e1s dos termos, essa discuss\u00e3o sempre desemboca no princ\u00edpio da autoridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando digo que em portugu\u00eas culto se escreve <em>bem-vindo<\/em> com h\u00edfen, o respaldo de \u00faltima inst\u00e2ncia \u00e0 minha afirmativa \u00e9 a abona\u00e7\u00e3o da autoridade. Podemos explicar uma prescri\u00e7\u00e3o racionalmente, apelando para a hist\u00f3ria que embasa a regra ou por de uma variedade de motivos. Mas \u00e9 pela autoridade que se estabelece o certo e o errado, o aceit\u00e1vel e o inaceit\u00e1vel ou qualquer outra dualidade que distingue a forma desviada da n\u00e3o desviada.<\/p>\n\n\n\n<p>No sistema da l\u00edngua, todos os lit\u00edgios s\u00e3o resolvidos pela autoridade, que a princ\u00edpio n\u00e3o \u00e9 boa ou ruim e que, como em pol\u00edtica, se estabelece a partir de um jogo de poder sujeito a conflito e tens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os falantes podem questionar a quem cabe estabelecer a regra: \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, \u00e0 alta literatura, \u00e0 grande imprensa, aos gram\u00e1ticos not\u00e1veis? E depois de definida a autoridade, podem ir al\u00e9m perguntando: Qual \u00e9 a legitimidade da autoridade estabelecida?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o importa qual tenha sido a inspira\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o da norma: busca da objetividade, da simplicidade, da eleg\u00e2ncia, respeito \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo raz\u00f5es torpes como o preconceito e o pedantismo. Respaldada pela autoridade, a norma se difunde por uma rede capilar de apoios e endossos e n\u00e3o se pode simplesmente ignor\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Defini\u00e7\u00e3o de desvio lingu\u00edstico<\/h3>\n\n\n\n<p>Desvio lingu\u00edstico \u00e9 a ocorr\u00eancia de discurso reprovada causada por um ou mais dist\u00farbios de:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>decifra\u00e7\u00e3o<\/li><li>compreens\u00e3o como as impropriedades, ambiguidades e solecismos.<\/li><li>adequa\u00e7\u00e3o conotativa.<\/li><li>comunicabilidade.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Classifica\u00e7\u00e3o dos desvios lingu\u00edsticos<\/h4>\n\n\n\n<p>Quanto ao n\u00edvel de an\u00e1lise ling\u00fc\u00edstica em que ocorrem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Fonol\u00f3gicos<\/li><li>Grafol\u00f3gicos<\/li><li>Morfossint\u00e1ticos<\/li><li>Sem\u00e2nticos<\/li><li>Pragm\u00e1ticos<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Os desvios de comunicabilidade podem ser de:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>processamento<\/li><li>legibilidade<\/li><li>pronunciabilidade<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Para come\u00e7ar<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/o-que-e-gramatica\/\">O que \u00e9 gram\u00e1tica, seus tipos e usos?<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/pressupostos-metodologicos\/\">Pressupostos metodol\u00f3gicos<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/niveis-de-analise-linguistica\/\">N\u00edveis de an\u00e1lise lingu\u00edstica<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/variantes-linguisticas\/\">Variantes lingu\u00edsticas<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/variante-culta\/\">Variante culta<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/desvio-linguistico\/\">Desvio lingu\u00edstico<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/grafologia\/o-escrito-e-o-falado\/\">O escrito e o falado<\/a><\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desvio, erro, anomalia, m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o, agramaticalidade, enunciado n\u00e3o aceit\u00e1vel. S\u00e3o muitos os termos usados para designar a classe de ocorr\u00eancias de discurso que levam ao equ\u00edvoco, ao estranhamento, a dist\u00farbios de decifra\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o ou aceita\u00e7\u00e3o. Existem outras ocorr\u00eancias que levam a efeitos similares e nem por isso s\u00e3o consideradas desvios, como os ru\u00eddos e os &hellip; <a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/desvio-linguistico\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Desvio lingu\u00edstico<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[129],"tags":[136,138,137,133,131,135,9,134],"class_list":["post-198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-para-comecar-gramatica","tag-aceitabilidade","tag-amgiguidade","tag-desempenho","tag-desvio","tag-gramatica-2","tag-impropriedade","tag-norma","tag-solecismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p74YWN-3c","jetpack-related-posts":[{"id":204,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/variante-culta\/","url_meta":{"origin":198,"position":0},"title":"Variante culta","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"A variante culta, tamb\u00e9m chamada de norma culta ou norma padr\u00e3o, \u00e9 a variedade lingu\u00edstica de car\u00e1ter oficial para nosso idioma. \u00c9 a variante recomendada para os contextos formais, estudada na escola, amplamente descrita e abonada pelos gram\u00e1ticos normativos. Seu status \u00e9 diferenciado em rela\u00e7\u00e3o a outras variantes. Tem prest\u00edgio\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Para come\u00e7ar&quot;","block_context":{"text":"Para come\u00e7ar","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":190,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/pressupostos-metodologicos\/","url_meta":{"origin":198,"position":1},"title":"Pressupostos metodol\u00f3gicos","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"Os estudos gramaticais passam por um momento de descr\u00e9dito, como reflexo da crise de identidade em que o estudo de l\u00edngua portuguesa mergulhou nos \u00faltimos anos. A gram\u00e1tica tradicional normativa \u00e9 posta em xeque e as reflex\u00f5es novas sobre nossa l\u00edngua ainda n\u00e3o est\u00e3o perfeitamente delineadas. Escrever gram\u00e1tica sob o\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Para come\u00e7ar&quot;","block_context":{"text":"Para come\u00e7ar","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":195,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/o-que-e-gramatica\/","url_meta":{"origin":198,"position":2},"title":"O que \u00e9 gram\u00e1tica, seus tipos e usos?","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"Descrever o idioma? Prescrever? Ensinar? Conservar? Compar\u00e1-lo com outro idioma? Acompanhar sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica? Analis\u00e1-lo \u00e0 luz da Lingu\u00edstica? Tradicionalmente, as gram\u00e1ticas fazem de tudo isso um pouco. Uma gram\u00e1tica \u00e9 um estudo ou tratado que, orientado para um fim, reflete sobre o idioma em si. De fato, a reflex\u00e3o\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Para come\u00e7ar&quot;","block_context":{"text":"Para come\u00e7ar","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":202,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/variantes-linguisticas\/","url_meta":{"origin":198,"position":3},"title":"Variantes lingu\u00edsticas","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"A l\u00edngua \u00e9 um meio de express\u00e3o onipresente na sociedade usado nos mais variados contextos da vida social. Esse uso intensivo gera uma tend\u00eancia natural \u00e0 diversidade. Seria ing\u00eanuo esperar que a l\u00edngua fosse homog\u00eanea, afinal seu uso n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo. Ela permeia toda a vida social e, em fun\u00e7\u00e3o\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Para come\u00e7ar&quot;","block_context":{"text":"Para come\u00e7ar","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":235,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/grafologia\/o-escrito-e-o-falado\/","url_meta":{"origin":198,"position":4},"title":"O escrito e o falado","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"O discurso oral e o escrito diferem entre si em v\u00e1rios pontos. Cada um deles tem especificidades inerentes ao fato de serem formas de express\u00e3o suportadas por m\u00eddias distintas. Os perfis de uso das duas formas s\u00e3o diferentes, cada uma tem sua pr\u00f3pria\u00a0trajet\u00f3ria hist\u00f3rica e o discurso oral tem valor\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Grafologia&quot;","block_context":{"text":"Grafologia","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/gramatica\/grafologia\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":207,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/niveis-de-analise-linguistica\/","url_meta":{"origin":198,"position":5},"title":"N\u00edveis de an\u00e1lise lingu\u00edstica","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"A Lingu\u00edstica analisa o discurso decompondo-o em constituintes, mas faz isso a partir de mais de uma perspectiva. A lingu\u00edstica opera em n\u00edveis de an\u00e1lise que formam um modelo de camadas conc\u00eantricas. Vamos entender como se d\u00e1 a an\u00e1lise lingu\u00edstica atrav\u00e9s de um exerc\u00edcio, tomando para exemplo o primeiro par\u00e1grafo\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Para come\u00e7ar&quot;","block_context":{"text":"Para come\u00e7ar","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=198"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3955,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198\/revisions\/3955"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}