{"id":207,"date":"2013-09-29T16:15:19","date_gmt":"2013-09-29T19:15:19","guid":{"rendered":"http:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/?p=207"},"modified":"2020-11-16T23:42:18","modified_gmt":"2020-11-17T02:42:18","slug":"niveis-de-analise-linguistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/niveis-de-analise-linguistica\/","title":{"rendered":"N\u00edveis de an\u00e1lise lingu\u00edstica"},"content":{"rendered":"\n<p>A Lingu\u00edstica analisa o discurso decompondo-o em constituintes, mas faz isso a partir de mais de uma perspectiva. A lingu\u00edstica opera em n\u00edveis de an\u00e1lise que formam um modelo de camadas conc\u00eantricas. Vamos entender como se d\u00e1 a an\u00e1lise lingu\u00edstica atrav\u00e9s de um exerc\u00edcio, tomando para exemplo o primeiro par\u00e1grafo do livro&nbsp;<em>Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em>, de Machado de Assis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"332\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=500%2C332&#038;ssl=1\" alt=\"Gram\u00e1tica\" class=\"wp-image-3236\" title=\"Gram\u00e1tica\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Quando proferimos discursos, obedecemos a certas regras estabelecidas de segmenta\u00e7\u00e3o. No discurso oral, por exemplo, segmentamos o discurso usando pausas e certas modula\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de entoa\u00e7\u00e3o. No discurso escrito, segmentamos colocando espa\u00e7os entre os caracteres, usando sinais de pontua\u00e7\u00e3o, letras mai\u00fasculas em dadas posi\u00e7\u00f5es, marcas de par\u00e1grafo, etc. Como esses recursos de segmenta\u00e7\u00e3o perturbam a linha de racioc\u00ednio que pretendemos alinhavar, vamos elimin\u00e1-los, apresentando o texto de Machado de Assis em forma diferente da usual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><cite>algumtempohesiteisedeviaabrirestasmem\u00f3riaspeloprinc\u00edpiooupelofim<br>isto\u00e9seporiaemprimeirolugaromeunascimentoouminhamortesuposto<br>ousovulgarsejacome\u00e7arpelonascimentoduasconsidera\u00e7\u00f5esmelevaram<\/cite><br><cite>aadotardiferentem\u00e9todoaprimeira\u00e9queeun\u00e3osoupropriamenteumautor<\/cite><br><cite>defuntomasumdefuntoautorparaquemacampafoioutrober\u00e7oasegunda<\/cite><br><cite>\u00e9queoescritoficariaassimmaisgalanteemaisnovomois\u00e9squetamb\u00e9m<\/cite><br><cite>contouasuamorten\u00e3oap\u00f4snoitr\u00f3itomasnocaboadiferen\u00e7aradicalentre<\/cite><br><cite>estelivroeopentateuco<\/cite><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eliminando os recursos de segmenta\u00e7\u00e3o que comumente usamos no discurso, n\u00f3s o deixamos em condi\u00e7\u00e3o ideal para nosso exerc\u00edcio de an\u00e1lise. Agora podemos segment\u00e1-lo, n\u00e3o pelas regras intuitivas do uso do idioma, mas por crit\u00e9rios relevantes \u00e0 an\u00e1lise lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Primeiro n\u00edvel de an\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>Nosso esfor\u00e7o ser\u00e1 norteado pela busca de segmentos m\u00ednimos que atendam a uma dada condi\u00e7\u00e3o. A condi\u00e7\u00e3o para nosso primeiro n\u00edvel de segmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que os segmentos gerados devem ser enunciados completos e aceit\u00e1veis em que as partes se relacionam entre si de forma auto contida. Estabelecida a condi\u00e7\u00e3o, chegamos ao seguinte resultado:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><cite>algumtempohesiteisedeviaabrirestasmem\u00f3riaspeloprinc\u00edpiooupelofim\/<\/cite><br><cite>isto\u00e9seporiaemprimeirolugaromeunascimentoouminhamorte\/<\/cite><br><cite>supostoousovulgarsejacome\u00e7arpelonascimentoduasconsidera\u00e7\u00f5esme<\/cite><em><cite>levaramaadotardiferentem\u00e9todo\/<\/cite><\/em><br><cite>aprimeira\u00e9queeun\u00e3osoupropriamenteumautordefuntomasumdefuntoautorparaquemacampafoioutrober\u00e7o\/<\/cite><br><cite>asegunda\u00e9queoescritoficariaassimmaisgalanteemaisnovo\/<\/cite><br><cite>mois\u00e9squetamb\u00e9mcontouasuamorten\u00e3oap\u00f4snoitr\u00f3itomasnocabo\/<\/cite><br><cite>adiferen\u00e7aradicalentreestelivroeopentateuco\/<\/cite><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde discutiremos com pormenor o que \u00e9 um enunciado completo e aceit\u00e1vel em que as partes se relacionam entre si. Por hora, vamos aceitar a segmenta\u00e7\u00e3o acima como exemplo do primeiro n\u00edvel de an\u00e1lise lingu\u00edstica: o n\u00edvel sint\u00e1tico de per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Segundo n\u00edvel de an\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>Vamos continuar o nosso exerc\u00edcio de segmenta\u00e7\u00e3o. Nosso modelo de an\u00e1lise \u00e9 conc\u00eantrico, ou seja, o segundo n\u00edvel de segmenta\u00e7\u00e3o se d\u00e1 nos segmentos gerados pelo n\u00edvel um. Por esta l\u00f3gica, nosso pr\u00f3ximo objetivo \u00e9 identificar segmentos dentro dos segmentos obtidos na segmenta\u00e7\u00e3o anterior. Vamos tentar agora obter segmentos menores que sejam completos, aceit\u00e1veis e m\u00ednimos. Para simplificar, vamos nos deter no primeiro trecho da obra de Machado. O resultado obtido \u00e9 o seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><cite>algumtempohesitei<\/cite><br><cite>sedeviaabrirestasmem\u00f3riaspeloprinc\u00edpiooupelofim\/<\/cite><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atingimos o n\u00edvel de an\u00e1lise da frase.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Terceiro n\u00edvel de an\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>Agora a regra de segmenta\u00e7\u00e3o muda. N\u00e3o h\u00e1 mais como obter segmentos m\u00ednimos completos e aceit\u00e1veis. A regra passa a ser identificar segmentos m\u00ednimos que desempenham fun\u00e7\u00e3o definida na estrutura do enunciado e que possam ser formalmente tipificados.<\/p>\n\n\n\n<p><cite><strong>algumtempo &#8211; hesitei &#8211; se &#8211; deviaabrir &#8211; estasmem\u00f3rias &#8211; peloprinc\u00edpiooupelofim<\/strong><\/cite><\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde vamos discutir o que \u00e9 um segmento m\u00ednimo de fun\u00e7\u00e3o definida e tipific\u00e1vel na estrutura do enunciado. Por enquanto, vamos considerar que nossa an\u00e1lise se situa no n\u00edvel sint\u00e1tico de sintagma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quarto n\u00edvel de an\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>O nosso processo de an\u00e1lise conc\u00eantrica prossegue. Agora vamos segmentar os itens da opera\u00e7\u00e3o anterior. Chegamos ao quarto n\u00edvel de an\u00e1lise. A regra aqui \u00e9 detectar segmentos m\u00ednimos que no sistema da l\u00edngua t\u00eam exist\u00eancia aut\u00f4noma, que sejam formas livres. Vejamos os resultados:<\/p>\n\n\n\n<p><cite><strong>algum &#8211; tempo \u2013 hesitei &#8211; se \u2013 devia \u2013 abrir &#8211; estas \u2013 mem\u00f3rias \u2013 pelo \u2013 princ\u00edpio &#8211; ou \u2013 pelo &#8211; fim<\/strong><\/cite><\/p>\n\n\n\n<p>Discutiremos o que \u00e9 uma forma m\u00ednima livre mais tarde, mas agora basta saber que o terceiro n\u00edvel de an\u00e1lise \u00e9 o n\u00edvel morfol\u00f3gico de palavra e que palavras se agrupam em lexemas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Quinto n\u00edvel de an\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>No quinto n\u00edvel de an\u00e1lise vamos nos basear na regra do segmento m\u00ednimo portador de significa\u00e7\u00e3o. Veja alguns exemplos:<\/p>\n\n\n\n<p><cite><strong>alg \u2013 um \u2013 tempo \u2013 hesit \u2013 ei \u2013 se &#8211; dev &#8211; ia &#8211; abr &#8211; ir &#8211; est -a &#8211; s &#8211; mem &#8211; \u00f3ria \u2013 s<\/strong><\/cite><\/p>\n\n\n\n<p>Mais adiante veremos o que se entende por portar significa\u00e7\u00e3o. O quinto n\u00edvel de an\u00e1lise \u00e9 o n\u00edvel morfol\u00f3gico de morfema.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sexto n\u00edvel de an\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>Neste n\u00edvel ocorre uma ruptura na l\u00f3gica de segmenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o adotada. At\u00e9 aqui t\u00ednhamos estabelecido que s\u00f3 segmentamos o que j\u00e1 vem segmentado do n\u00edvel anterior. A segmenta\u00e7\u00e3o do sexto n\u00edvel de an\u00e1lise n\u00e3o permite obedi\u00eancia a esta regra. Vejamos o exemplo:<\/p>\n\n\n\n<p><cite><strong>al &#8211; gum &#8211; tem \u2013 p\u00f3 &#8211; hesi &#8211; tei &#8211; se &#8211; de &#8211; via a &#8211; brir &#8211; es &#8211; tas &#8211; me &#8211; m\u00f3 &#8211; ri &#8211; as &#8211; pe &#8211; lo &#8211; prin &#8211; c\u00ed &#8211; pi-o &#8211; ou &#8211; pe &#8211; lo &#8211; fim<\/strong><\/cite><\/p>\n\n\n\n<p>A segmenta\u00e7\u00e3o de sexto n\u00edvel, chamado n\u00edvel fonol\u00f3gico de s\u00edlaba, n\u00e3o se sobrep\u00f5e inteiramente a nenhum n\u00edvel anterior, mas vamos deixar a discuss\u00e3o de porque isso ocorre para mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">S\u00e9timo n\u00edvel de an\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>O s\u00e9timo e \u00faltimo n\u00edvel de segmenta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 o fonol\u00f3gico de fonema. Veja o exemplo:<\/p>\n\n\n\n<p><cite><strong>a &#8211; l &#8211; g &#8211; um &#8211; t &#8211; em &#8211; p &#8211; o &#8211; he &#8211; s &#8211; i &#8211; t -e &#8211; i &#8211; s &#8211; e &#8211; d &#8211; e &#8211; v &#8211; i &#8211; a &#8211; a &#8211; b &#8211; r &#8211; i &#8211; r &#8211; e &#8211; s &#8211; t &#8211; a &#8211; s &#8211; m &#8211; e &#8211; m &#8211; \u00f3 &#8211; r &#8211; i &#8211; a -s &#8211; p &#8211; e &#8211; l &#8211; o &#8211; p &#8211; r &#8211; in &#8211; c &#8211; \u00ed &#8211; p &#8211; i -o &#8211; o -u &#8211; p &#8211; e &#8211; l &#8211; o &#8211; f &#8211; im<\/strong><\/cite><\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse exerc\u00edcio de segmenta\u00e7\u00e3o estabelecemos os n\u00edveis de an\u00e1lise lingu\u00edstica do discurso. Cada n\u00edvel de an\u00e1lise constitui uma \u00e1rea espec\u00edfica da abordagem lingu\u00edstica O quadro seguinte resume os n\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-regular\"><table><tbody><tr><td><strong>N\u00edvel de an\u00e1lise<\/strong><\/td><td><strong>Inferior\/superior<\/strong><\/td><td><strong>Unidades formais<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Fonol\u00f3gico<\/strong><\/td><td>Inferior<\/td><td>Fonema<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;<\/td><td>Superior<\/td><td>S\u00edlaba<\/td><\/tr><tr><td><strong>Morfol\u00f3gico<\/strong><\/td><td>Inferior<\/td><td>Morfema<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;<\/td><td>Intermedi\u00e1rio<\/td><td>Palavra<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;<\/td><td>Superior<\/td><td>Lexema<\/td><\/tr><tr><td><strong>Sint\u00e1tico<\/strong><\/td><td>Inferior<\/td><td>Sintagma<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;<\/td><td>Intermedi\u00e1rio<\/td><td>Frase<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;&nbsp;<\/td><td>Superior<\/td><td>Per\u00edodo<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Unidades inferior e superior<\/h3>\n\n\n\n<p>Nos n\u00edveis lingu\u00edsticos encontramos constituintes que podem ser tratados como unidades formais m\u00ednima e m\u00e1xima do n\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Na camada mais interna temos o fonema como unidade inferior e a s\u00edlaba, como unidade superior. Na camada imediatamente superior temos o morfema e a palavra. No terceiro n\u00edvel, mais externo, temos o sintagma, a frase e o per\u00edodo como unidades formais.<\/p>\n\n\n\n<p>As sete unidades consideradas se relacionam concentricamente de forma que uma unidade mais externa pode ser, em alguns casos, formada por uma s\u00f3 unidade do n\u00edvel imediatamente mais interno. Por exemplo: Consideremos a resposta em portugu\u00eas para a pergunta:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8211; Pel\u00e9 \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 o melhor jogador de todos os tempos?<\/em><br><em>&#8211; \u00c9.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A frase da resposta acima \u00e9 formada por um \u00fanico sintagma, formado por uma \u00fanica palavra, composta por um \u00fanico morfema, formado por uma \u00fanica s\u00edlaba que \u00e9 formada por um \u00fanico fonema.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As duas articula\u00e7\u00f5es da l\u00edngua<\/h3>\n\n\n\n<p>Alguns linguistas consideram que existem apenas dois n\u00edveis de an\u00e1lise: a primeira e a segunda articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Primeira articula\u00e7\u00e3o<\/strong>: corresponde aos n\u00edveis morfol\u00f3gico e sint\u00e1tico. Nessa articula\u00e7\u00e3o, os constituintes comportam uma abordagem sem\u00e2ntica. Considera-se que a morfologia \u00e9 fortemente conectada com a sintaxe e que n\u00e3o procede separar uma de outra, tanto que se referem ao conjunto usando o termo <em>morfossintaxe<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segunda articula\u00e7\u00e3o:<\/strong> corresponde ao n\u00edvel fonol\u00f3gico. Nessa camada de an\u00e1lise os constituintes n\u00e3o portam significado. \u00c9 uma camada em que n\u00e3o se faz abordagem sem\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n\n<p>No nosso ponto de vista, as considera\u00e7\u00f5es em torno das duas articula\u00e7\u00f5es da l\u00edngua s\u00e3o pertinentes, mas n\u00e3o h\u00e1 preju\u00edzo em adotar a divis\u00e3o tradicional, pois se trata apenas de diferentes crit\u00e9rios metodol\u00f3gicos de classifica\u00e7\u00e3o, igualmente v\u00e1lidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lingu\u00edstica n\u00e3o se esgota no n\u00edvel sint\u00e1tico. Existem in\u00fameras \u00e1reas da Lingu\u00edstica que tratam do discurso em n\u00edvel superior ao sint\u00e1tico.&nbsp; S\u00e3o exemplos a Sem\u00e2ntica, a Sociolingu\u00edstica, a Psicolingu\u00edstica, a Estil\u00edstica e a Ret\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Estanqueidade dos n\u00edveis de an\u00e1lise<\/h3>\n\n\n\n<p>Para garantir mais qualidade e apuro na an\u00e1lise lingu\u00edstica adotaremos, sempre que poss\u00edvel, o princ\u00edpio metodol\u00f3gico da estanqueidade dos n\u00edveis de an\u00e1lise. Esse princ\u00edpio preconiza que n\u00e3o se descreve os fatos de um n\u00edvel lingu\u00edstico utilizando-se de categorias e conclus\u00f5es de outro n\u00edvel. Os tr\u00eas n\u00edveis que trataremos como estanques s\u00e3o: fonol\u00f3gico, morfossint\u00e1tico e sem\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos ilustrar o princ\u00edpio com o exemplo da defini\u00e7\u00e3o de frase. Frase \u00e9 um conceito da camada morfossint\u00e1tica de an\u00e1lise. Poder\u00edamos dizer que frase \u00e9 uma unidade de pensamento, mas ent\u00e3o, estar\u00edamos fazendo uma abordagem sem\u00e2ntica do conceito. A conclus\u00e3o de que frase \u00e9 uma unidade de pensamento tem sua relev\u00e2ncia, mas n\u00e3o contribui para a melhoria da an\u00e1lise morfossint\u00e1tica. Por princ\u00edpio metodol\u00f3gico, tentaremos descrever a frase unicamente a partir de categorias do n\u00edvel morfossint\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00edveis lingu\u00edsticos, na verdade, se comunicam intensamente entre si e \u00e9 de extrema import\u00e2ncia estudar essa rede de rela\u00e7\u00f5es, por isso, o princ\u00edpio da estanqueidade deve ser encarado como meramente metodol\u00f3gico, uma forma de agu\u00e7ar a an\u00e1lise e evitar a tenta\u00e7\u00e3o das sa\u00eddas f\u00e1ceis. H\u00e1 casos em que a observ\u00e2ncia \u00e0 risca do principio nos leva a descri\u00e7\u00f5es tortuosas e de pouca relev\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Para come\u00e7ar<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/o-que-e-gramatica\/\">O que \u00e9 gram\u00e1tica, seus tipos e usos?<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/pressupostos-metodologicos\/\">Pressupostos metodol\u00f3gicos<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/niveis-de-analise-linguistica\/\">N\u00edveis de an\u00e1lise lingu\u00edstica<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/variantes-linguisticas\/\">Variantes lingu\u00edsticas<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/variante-culta\/\">Variante culta<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/desvio-linguistico\/\">Desvio lingu\u00edstico<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/grafologia\/o-escrito-e-o-falado\/\">O escrito e o falado<\/a><\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lingu\u00edstica analisa o discurso decompondo-o em constituintes, mas faz isso a partir de mais de uma perspectiva. A lingu\u00edstica opera em n\u00edveis de an\u00e1lise que formam um modelo de camadas conc\u00eantricas. Vamos entender como se d\u00e1 a an\u00e1lise lingu\u00edstica atrav\u00e9s de um exerc\u00edcio, tomando para exemplo o primeiro par\u00e1grafo do livro&nbsp;Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s &hellip; <a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/para-comecar-gramatica\/niveis-de-analise-linguistica\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">N\u00edveis de an\u00e1lise lingu\u00edstica<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[129],"tags":[143,131,142],"class_list":["post-207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-para-comecar-gramatica","tag-analise","tag-gramatica-2","tag-linguistica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p74YWN-3l","jetpack-related-posts":[{"id":138,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/recursos-retorica\/segmentacao\/","url_meta":{"origin":207,"position":0},"title":"Segmenta\u00e7\u00e3o do discurso","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"O discurso \u00e9 segmentado em unidades discretas em todos os n\u00edveis lingu\u00edsticos: fonol\u00f3gico, gr\u00e1fico, morfol\u00f3gico, sint\u00e1tico e sem\u00e2ntico. Al\u00e9m da segmenta\u00e7\u00e3o com fun\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas, h\u00e1 segmenta\u00e7\u00f5es ret\u00f3ricas e segmenta\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas. Uma diferen\u00e7a relevante entre segmenta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica e ret\u00f3rica \u00e9 o fato de a ret\u00f3rica ocorrer tamb\u00e9m num n\u00edvel superior ao\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Recursos&quot;","block_context":{"text":"Recursos","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/retorica\/recursos-retorica\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x"},"classes":[]},{"id":235,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/gramatica\/grafologia\/o-escrito-e-o-falado\/","url_meta":{"origin":207,"position":1},"title":"O escrito e o falado","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"O discurso oral e o escrito diferem entre si em v\u00e1rios pontos. 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