{"id":3466,"date":"2020-04-26T23:31:18","date_gmt":"2020-04-27T02:31:18","guid":{"rendered":"http:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/?p=3466"},"modified":"2025-10-10T14:51:25","modified_gmt":"2025-10-10T17:51:25","slug":"essa-reforma-ortografica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/essa-reforma-ortografica\/","title":{"rendered":"Essa reforma ortogr\u00e1fica!"},"content":{"rendered":"\n<p>O Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa entrou em vigor no Brasil em 1\u00ba de janeiro de 2009. Na primeira fase da implanta\u00e7\u00e3o que durou tr\u00eas anos os textos podiam ser escritos tanto na ortografia nova como na anterior. A partir de 2012 a ortografia nova tornou-se obrigat\u00f3ria em documentos do governo, material did\u00e1tico para o ensino regular, concursos p\u00fablicos e vestibulares.<\/p>\n\n\n\n<p> A implanta\u00e7\u00e3o da reforma custou trabalho e dinheiro. Primeiro, entender e assimilar a reforma. Depois, a revis\u00e3o dos textos nas estantes, na Internet, nas placas, nos r\u00f3tulos, etc. Os professores tiveram que se reciclar, alunos tiveram que estudar mais. Tudo isso para qu\u00ea? Para unificar a ortografia da l\u00edngua portuguesa no mundo, ora. V\u00e1 l\u00e1, isso \u00e9 importante, mas ainda n\u00e3o ser\u00e1 dessa vez que ficar\u00e1 mais f\u00e1cil escrever corretamente o portugu\u00eas. <\/p>\n\n\n\n<p>As novas regras n\u00e3o simplificam nossa vida em nada nadica. Se no futuro algu\u00e9m voltar com a ideia de reforma ortogr\u00e1fica espero que terceirizem o projeto e contratem uma empresa para p\u00f4-lo em pr\u00e1tica. Reforma ortogr\u00e1fica \u00e9 um assunto que envolve muito dinheiro para ficar na m\u00e3o de acad\u00eamicos e letrados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"332\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=500%2C332&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3236\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Feitas as devidas lamenta\u00e7\u00f5es vamos a algumas curiosidades sobre a reforma.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">K, Y, W. A volta dos que n\u00e3o foram<\/h2>\n\n\n\n<p> Segundo o acordo, voltam a constar em nosso alfabeto as letras K, Y e W. Como assim? Elas nunca deixaram de fazer parte do nosso alfabeto. Est\u00e3o l\u00e1 desde sempre em palavras como <em>kantiano<\/em>, <em>hardware<\/em>, <em>darwinismo <\/em>ou <em>watt<\/em>. Vamos esclarecer: a expuls\u00e3o dessas letras de nossa ortografia ocorreu na reforma ortogr\u00e1fica de 1943. Na \u00e9poca, havia a inten\u00e7\u00e3o de elimin\u00e1-las, talvez por algum arroubo nacionalista, mas como nossas reformas s\u00e3o sempre confusas e t\u00edmidas, a elimina\u00e7\u00e3o foi apenas parcial. Al\u00e9m disso, novas palavras foram chegando em nossa l\u00edngua, muitas provenientes do ingl\u00eas, como <em>know-how<\/em>, por exemplo. <\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, a expuls\u00e3o das tr\u00eas letrinhas foi solenemente ignorada, embora em qualquer livro de portugu\u00eas estivesse escrito que elas n\u00e3o pertencem \u00e0 nossa l\u00edngua. Agora, o novo acordo ortogr\u00e1fico traz o retorno das tr\u00eas letras enjeitadas, como se isso tivesse algum significado pr\u00e1tico. Elas s\u00e3o usadas pelo mundo afora em outros idiomas que adotam o alfabeto latino, est\u00e3o em todos os teclados e aparecem em todas as publica\u00e7\u00f5es que lemos diariamente. Ser\u00e1 que um dia as regras ortogr\u00e1ficas ser\u00e3o escritas com um m\u00ednimo de respeito \u00e0 realidade e \u00e0 l\u00f3gica? <\/p>\n\n\n\n<p>A regra do Acordo Ortogr\u00e1fico para uso das letras K, Y e W ter\u00e1 efeito muito reduzido sobre a ortografia real. O Acordo Ortogr\u00e1fico limita o uso das letras K, Y e W a tr\u00eas casos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Antrop\u00f4nimos e suas palavras derivadas como Kant\/kantiano, Darwin\/ darwinista ou Taylor\/taylorismo).<\/li>\n\n\n\n<li>Top\u00f4nimos e suas palavras derivadas como Kwait\/kwaitiano ou Malawi\/malawiano.<\/li>\n\n\n\n<li>S\u00edmbolos cient\u00edficos, unidades de medida e siglas internacionais como kg (quilograma), kW (kilowatt), Y (\u00edtrio) ou KLM.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p> Trata-se da mesma regra encontrada no Formul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico de 1943 e revela uma resist\u00eancia contra a incorpora\u00e7\u00e3o de grafias estrangeiras ao nosso vocabul\u00e1rio. Se acatada, essa regrinha xen\u00f3foba cria um problema para a entrada de novas palavras no nosso idioma. N\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m que atualmente assimilamos muitas palavras do ingl\u00eas, rico em palavras com K, Y e W. <\/p>\n\n\n\n<p>Se o Acordo for levado \u00e0 risca teremos que abandonar a grafia consagrada e dicionarizada de palavras como <em>software<\/em>, <em>know-how<\/em> ou <em>playground<\/em>. O que fazer ent\u00e3o? Aportuguesar a grafia de todos os estrangeirismos assimilados pelo idioma? Quem vai aportugues\u00e1-los? O mais prov\u00e1vel, por\u00e9m, \u00e9 que as restri\u00e7\u00f5es ao uso das letras K, Y e W sejam ignoradas sem nenhuma cerim\u00f4nia pela sociedade brasileira. <\/p>\n\n\n\n<p>A saia justa vai ficar para a ABL (Academia Brasileira de Letras). Cabe \u00e0 ABL publicar o Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico que serve de refer\u00eancia para nossa ortografia. A ABL poderia, por exemplo, fixar <em>copirraite <\/em>como grafia oficial de copyright, mas n\u00e3o o fez at\u00e9 hoje. A Academia Brasileira de Letras n\u00e3o parece disposta a ir contra as formas socialmente consagradas, nem tampouco a contrariar a norma. N\u00e3o abona <em>copirraite <\/em>pelo uso irrelevante, nem <em>copyright <\/em>porque emprega Y. <\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 um Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico defasado com a realidade da l\u00edngua. Como a l\u00edngua n\u00e3o para, a fixa\u00e7\u00e3o da grafia de estrangeirismos com K, Y ou W ficar\u00e1 a cargo de agentes mais din\u00e2micos como editoras, grandes jornais e lexic\u00f3grafos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"398\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/kywlabel1.jpg?resize=400%2C398&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-577\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/kywlabel1.jpg?w=400&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/kywlabel1.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/kywlabel1.jpg?resize=300%2C298&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Grafias estrangeiras<\/h2>\n\n\n\n<p>O Acordo Ortogr\u00e1fico prescreve que grafias estrangeiras s\u00e3o\naceitas apenas em nomes pr\u00f3prios estrangeiros e suas palavras derivadas.\nEntenda-se por grafia estrangeira formas de escrever incomuns em nosso idioma\ncomo em Shakespeare e shakespeariano. Se l\u00eassemos a palavra Shakespeare segundo\na nossa ortografia o resultado seria \/xakespeare\/ e n\u00e3o \/x\u00eaykspir\/.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa regra do Acordo tem um objetivo v\u00e1lido que \u00e9 manter uma unidade m\u00ednima em nossa grafologia. A aplica\u00e7\u00e3o da regra, por\u00e9m, \u00e9 incerta principalmente no mundo real, que \u00e9 bem diferente daquele idealizado por alguns gram\u00e1ticos. Existem v\u00e1rias palavras em nossa ortografia que utilizam grafia estrangeira como em <em>bacon <\/em>que pronunciamos \/b\u00eaic\u00f5\/ e <em>paella <\/em>que se fala \/pa\u00ea\u03bba\/. At\u00e9 hoje eu n\u00e3o vi nenhuma cantina onde sirvam <em>pitza <\/em>de mu\u00e7arela. Obs.: o Aur\u00e9lio registra tanto <em>mu\u00e7arela <\/em>como <em>mozarela<\/em>. Fiquem a vontade para escolher o queijo da sua prefer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses tempos de globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 arriscado dizer que vamos evitar a entrada de grafias estrangeiras em nosso idioma. O problema maior, nesse caso, fica por conta das letras K, Y e W que contam como grafia estrangeira mas est\u00e3o presentes em nossa l\u00edngua em palavras como <em>karaok\u00ea<\/em>, <em>software <\/em>e <em>yakisoba<\/em>. Essa reflex\u00e3o at\u00e9 que me deu a ideia para o nome de um dicion\u00e1rio digital: Dicion\u00e1rio <em>U\u00e9be<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os criadores da Reforma Ortogr\u00e1fica deixaram a ABL (Academia Brasileira de Letras) em uma saia justa. Cabe \u00e0 ABL publicar o Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico, o livro que mostra a grafia oficial das palavras da l\u00edngua portuguesa no Brasil. O problema \u00e9 que o Acordo Ortogr\u00e1fico veta as grafias estrangeiras. O que s\u00e3o grafias estrangeiras? Boa pergunta, mas n\u00e3o vamos respond\u00ea-la nesse post. Basta sabermos que elas s\u00e3o vetadas no VOLP (Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa). S\u00e3o exemplos de grafia estrangeira:&nbsp;<em>hardware<\/em>,&nbsp;<em>jingle<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>pizza<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p>O que fazer se essas palavras circulam por a\u00ed e precisam ser escritas? A ABL adotou uma solu\u00e7\u00e3o engenhosa: no final do VOLP incluiu uma lista de palavras sob o lac\u00f4nico t\u00edtulo&nbsp;<em>palavras estrangeiras<\/em>. Entende-se que s\u00e3o palavras de uso corrente no pa\u00eds, mas que usam grafia estrangeira. Dessa forma, a ABL se livrou do rid\u00edculo que seria n\u00e3o registrar oficialmente a grafia de palavras que est\u00e3o na boca do povo como&nbsp;<em>bunker<\/em>,&nbsp;<em>yakisoba<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>blog<\/em>. Ao mesmo tempo, colocou essas palavras em quarentena antes de uma incorpora\u00e7\u00e3o oficial definitiva ao idioma.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s estamos acostumados a uma velocidade alta de transforma\u00e7\u00e3o social e, por isso, achamos leeeeeeento o processo de incorpora\u00e7\u00e3o das palavras estrangeiras ao nosso l\u00e9xico. No entanto, \u00e9 preciso admitir que o conservadorismo da ABL tem sua raz\u00e3o para ser. Primeiro a palavra tem que se firmar como genu\u00edna do idioma; depois ela passa por uma acomoda\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica e, por \u00faltimo, por uma acomoda\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo ocorre com todos os estrangeirismos. Basta lembrar como demorou a acomoda\u00e7\u00e3o de palavras que chegaram ao nosso idioma h\u00e1 mais tempo como as francesas&nbsp;<em>boate<\/em>&nbsp;(de&nbsp;<em>boite<\/em>),&nbsp;<em>abajur<\/em>&nbsp;(de abat-jour) ou&nbsp;<em>conhaque<\/em>&nbsp;(de&nbsp;<em>cognac<\/em>). E mesmo depois que a palavra ganha sua grafia nacional, leva um bom tempo at\u00e9 que os nativos passem a adotar a grafia aportuguesada. Voc\u00ea j\u00e1 viu algu\u00e9m tomando&nbsp;<em>u\u00edsque<\/em>?&nbsp;<em>Whisky<\/em>&nbsp;\u00e9 mais chic (ops, chique), n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Menos mai\u00fasculas<\/h2>\n\n\n\n<p>A reforma ortogr\u00e1fica flexibilizou o uso de mai\u00fasculas na\ngrafia portuguesa. Nesse ponto, a reforma seguiu a tend\u00eancia dominante pela\ndiminui\u00e7\u00e3o da formalidade nas rela\u00e7\u00f5es sociais. O uso de mai\u00fasculas na escrita\n\u00e9 marcadamente cerimonial. Historicamente, as mai\u00fasculas s\u00e3o mais antigas,\nsurgiram na Idade Antiga, enquanto que as min\u00fasculas foram desenvolvidas na\nIdade M\u00e9dia. Esse aspecto hist\u00f3rico gerou uma associa\u00e7\u00e3o das mai\u00fasculas ao\npassado glorioso do per\u00edodo cl\u00e1ssico e, por isso, elas s\u00e3o reconhecidas como\nmais nobres. Come\u00e7ar um nome com mai\u00fascula d\u00e1 um toque de formalidade \u00e0\nexpress\u00e3o, soa como uma rever\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Acordo Ortogr\u00e1fico deixa por conta dos escribas escolherem\nentre a op\u00e7\u00e3o mais formal (com mais mai\u00fasculas) e a mais contempor\u00e2nea como\nnestes exemplos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pr\u00e9dio na Rua XV de Novembro.<\/li>\n\n\n\n<li>Pr\u00e9dio na rua XV de Novembro.<\/li>\n\n\n\n<li>O Governador Jos\u00e9 Serra.<\/li>\n\n\n\n<li>O governador Jos\u00e9 Serra.<\/li>\n\n\n\n<li>O livro Mem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias.<\/li>\n\n\n\n<li>O livro Mem\u00f3rias de um sargento de mil\u00edcias.<\/li>\n\n\n\n<li>As ci\u00eancias naturais Biologia, F\u00edsica e Qu\u00edmica.<\/li>\n\n\n\n<li>As ci\u00eancias naturais biologia, f\u00edsica e qu\u00edmica.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Em outros usos as iniciais mai\u00fasculas foram suprimidas como\nnos nomes dos dias da semana, meses, esta\u00e7\u00f5es do ano e pontos cardeais\n(segunda-feira, janeiro, primavera e sudoeste).<\/p>\n\n\n\n<p>Houve um tempo em que os cavalheiros tiravam o chap\u00e9u ao cruzar com as senhoras de passagem. Atualmente, os homens sequer usam chap\u00e9u e, se usassem, dificilmente fariam mesuras \u00e0s damas. Foi-se o tempo das rever\u00eancias. A escrita segue o esp\u00edrito da sociedade, por isso, menos mai\u00fasculas, mais moderno. Ou seria p\u00f3s-moderno?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/frontao-romano-e1491953007712.jpg?resize=450%2C338&#038;ssl=1\" alt=\"front\u00e3o romano\" class=\"wp-image-587\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Grafias duplas<\/h2>\n\n\n\n<p>O econ\u00f3mico agr\u00f3nomo clept\u00f3mano. Se voc\u00ea \u00e9 portugu\u00eas n\u00e3o\ndeve ter estranhado a frase anterior, mas se \u00e9 brasileiro pode ter ficado com a\nimpress\u00e3o de que os acentos est\u00e3o errados.<\/p>\n\n\n\n<p>A reforma ortogr\u00e1fica, destinada a unificar a escrita em\nl\u00edngua portuguesa, admite muitas grafias duplas. N\u00e3o falo das palavras que se\nescreve de dois modos tanto no Brasil como em Portugal. Refiro-me \u00e0s grafias\nduplas geograficamente marcadas. Por aqui, ningu\u00e9m escreve telef\u00f3nica com\nacento agudo e no al\u00e9m mar eles n\u00e3o escrevem toxic\u00f4mano com acento circunflexo.\nAs palavras proparox\u00edtonas com a vogal oral o fechada t\u00eam duas grafias: uma\ntipicamente brasileira com acento circunflexo e outra com acento agudo usada em\nPortugal.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei por que os redatores do Acordo Ortogr\u00e1fico deixaram essa grafia dupla persistir. Foi uma bola fora, pois aqui no Brasil ningu\u00e9m vai escrever an\u00f3malo, da mesma forma que os portugueses n\u00e3o v\u00e3o escrever aut\u00f4mato. <\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a dessas palavras na escrita vai denunciar a proced\u00eancia do texto. Tudo bem que \u00e9 f\u00e1cil identificar se o texto \u00e9 de Portugal ou do Brasil sem olhar para a grafia, afinal, existem diferen\u00e7as sens\u00edveis de vocabul\u00e1rio e estruturas sint\u00e1ticas entre essas duas variantes do portugu\u00eas. Mas a ideia do Acordo n\u00e3o era unificar a escrita? Ah, esses letrados e suas excessivas exce\u00e7\u00f5es. Chegam a ser c\u00f3micos\/c\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nomes de localidades<\/h2>\n\n\n\n<p>O Acordo Ortogr\u00e1fico recomenda o uso dos top\u00f4nimos estrangeiros vern\u00e1culos, ou seja, devemos usar os nomes de locais estrangeiros seguindo o portugu\u00eas tradicional. Vou exemplificar: o nome do pa\u00eds dos japoneses \u00e9 escrito&nbsp;<em>Jap\u00e3o<\/em>&nbsp;aqui no Brasil,&nbsp;<em>Japan<\/em>&nbsp;pelos americanos e&nbsp;<em>Nippon<\/em>&nbsp;pelos japoneses quando eles usam o alfabeto latino.&nbsp;<em>Jap\u00e3o<\/em>&nbsp;\u00e9 o top\u00f4nimo vern\u00e1culo para o pa\u00eds dos japoneses e pouca semelhan\u00e7a tem com a forma que os nip\u00f4nicos usam para se referir \u00e0 sua terra. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece porque no portugu\u00eas vern\u00e1culo era comum fazer adapta\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas nos top\u00f4nimos estrangeiros.&nbsp;<em>M\u00fcnchen<\/em>&nbsp;passou a&nbsp;<em>Munique<\/em>,&nbsp;<em>Milano<\/em>&nbsp;a&nbsp;<em>Mil\u00e3o<\/em>,&nbsp;<em>Gen\u00e8ve<\/em>&nbsp;a&nbsp;<em>Genebra<\/em>&nbsp;e assim por diante. D\u00e1 para perceber que a l\u00edngua portuguesa era dominada pela ideia nacionalista de aportuguesar os nomes estrangeiros. Na atualidade, a tend\u00eancia \u00e9 de manter a grafia e pron\u00fancia originais dos nomes, sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A regra do Acordo sobre os top\u00f4nimos vern\u00e1culos n\u00e3o \u00e9 apenas ortogr\u00e1fica. \u00c9 tamb\u00e9m uma regra de escolha lexical, pois sugere o uso de uma palavra em lugar de outra. No caso, sugere a palavra aportuguesada em lugar da forma de origem. O Acordo Ortogr\u00e1fico adotou uma postura de equil\u00edbrio nesse ponto. Manteve um p\u00e9 na tradi\u00e7\u00e3o ao recomendar o uso das formas vern\u00e1culas e se alinhou com a tend\u00eancia atual do pensamento multicultural ao permitir a grafia original dos top\u00f4nimos estrangeiros de forma\u00e7\u00e3o recente. Afinal a l\u00edngua n\u00e3o para de evoluir e na \u00e9poca de Cam\u00f5es n\u00e3o existiam&nbsp;<em>Zimb\u00e1bue<\/em>,&nbsp;<em>Sri Lanka<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>Myanmar<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, quando for viajar aos EUA lembre de escrever&nbsp;<em>Nova Iorque<\/em>&nbsp;enquanto estiver em solo brasileiro. S\u00f3 use&nbsp;<em>New York&nbsp;<\/em>quando chegar l\u00e1. Quanto a&nbsp;<em>Nova York<\/em>, esque\u00e7a tanto aqui como l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">H\u00edfen<\/h2>\n\n\n\n<p>&nbsp;As mudan\u00e7as mais enjoadas trazidas pela reforma se referem ao uso do h\u00edfen. &nbsp;O emprego do h\u00edfen era nebuloso e, com o acordo, ficou enevoado, herm\u00e9tico, inici\u00e1tico. Eu gosto de me expressar nos rigores do portugu\u00eas casti\u00e7o, mas confesso que n\u00e3o domino as novas regras do h\u00edfen e tenho uma boa raz\u00e3o para isso: n\u00e3o h\u00e1 regras para o uso do h\u00edfen.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00edfen \u00e9 aquele risquinho horizontal que colocamos entre duas palavras como em&nbsp;<em>bem-vindo<\/em>&nbsp;ou em&nbsp;<em>dia-a-dia<\/em>&nbsp;(mas s\u00f3 em alguns casos, bem entendido). Na teoria, uma das fun\u00e7\u00f5es do h\u00edfen \u00e9 avisar que as palavras unidas por ele costumam andar juntas e comunicam um significado distinto daquele que vem da compreens\u00e3o das palavras em separado. Por exemplo: quando falamos&nbsp;<em>p\u00e9-de-meia<\/em>&nbsp;n\u00e3o estamos falando do&nbsp;<em>p\u00e9<\/em>&nbsp;nem da&nbsp;<em>meia<\/em>&nbsp;mas de&nbsp;<em>economias<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p>Essas palavras que andam de m\u00e3os dadas gra\u00e7as ao h\u00edfen e que s\u00e3o conhecidas entre os especialistas como locu\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem compreendidas na l\u00edngua falada onde obviamente n\u00e3o existe h\u00edfen. Os falantes entendem as rela\u00e7\u00f5es entre as palavras quando conversam entre si e s\u00f3 precisam usar h\u00edfen no discurso escrito porque algum dia no passado remoto da l\u00edngua algu\u00e9m achou que seria interessante usar o tal risquinho em alguns casos especiais. A utilidade pr\u00e1tica do h\u00edfen \u00e9 nula. Se analisarmos as regras da escrita em portugu\u00eas veremos que as locu\u00e7\u00f5es s\u00e3o escritas ora com h\u00edfen (<em>rec\u00e9m-nascido<\/em>), ora com espa\u00e7os entre as palavras&nbsp;que a comp\u00f5em (<em>p\u00e9 de moleque<\/em>)&nbsp;e, em outros casos juntando as palavras (<em>paraquedas<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Gram\u00e1ticos da velha guarda se desmancham em dar explica\u00e7\u00f5es \u201ccient\u00edficas\u201d para o uso do h\u00edfen nesta ou naquela situa\u00e7\u00e3o, mas o fato \u00e9 que o emprego do pequeno risco horizontal virou samba-do-crioulo-doido depois do Acordo Ortogr\u00e1fico e ningu\u00e9m mais sabe porque tudo-junto se escreve se-pa-ra-do. Uma coisa \u00e9 certa. O acordo ortogr\u00e1fico foi acordado por pessoas do ramos das letras que tinham interesse cartorial em manter a l\u00edngua repleta de exce\u00e7\u00f5es confusas. <\/p>\n\n\n\n<p>Se a nova ortografia tivesse sido pensada por um programador de computadores, por exemplo, haveria uma regra simples do tipo: usa-se o h\u00edfen em todas as locu\u00e7\u00f5es. Infelizmente, ainda h\u00e1 gente que vive de colocar h\u00edfen nos lugares certos. H\u00edfen d\u00e1 emprego e escasso poder a alguns pedantes. As reformas ortogr\u00e1ficas da l\u00edngua portuguesa acontecem em m\u00e9dia a cada 30 anos. Espero que na reforma de 2040 a regra seja simples e direta: n\u00e3o se usa mais h\u00edfen e ponto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acentos diferenciais<\/h2>\n\n\n\n<p>C\u00e1gado vai perder o acento?  A cada reforma ortogr\u00e1fica mexemos um pouco nas regras de acentua\u00e7\u00e3o. Com o Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa v\u00e3o desaparecer alguns acentos. Por exemplo: o acento que diferencia <strong>para <\/strong>preposi\u00e7\u00e3o de <strong>p\u00e1ra <\/strong>verbo vai cair. Infelizmente, nem todos os acentos diferenciais ser\u00e3o decepados. N\u00e3o sei por que cargas d\u2019\u00e1gua o acento de <strong>p\u00f4r <\/strong>verbo continua a diferenciar de <strong>por <\/strong>preposi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Seria t\u00e3o simples e elegante extinguir o acento diferencial de vez, mas nossos letrados adoram exce\u00e7\u00f5es. Imagino os protestos veementes deles se algu\u00e9m propusesse a regra definitiva e redentora: acabam todos os acentos da ortografia portuguesa. Os ingleses nunca usaram acentos e s\u00e3o felizes. Somente um n\u00famero irrelevante de frases poderia gerar ambiguidade pela falta de acentos como em: <em>Vi um c\u00e1gado na beira do rio<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p> Para consolo dos inconformados com as tortuosas regras ortogr\u00e1ficas da nossa l\u00edngua lembro da nossa&nbsp;\u00fanica regra de acentua\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem exce\u00e7\u00f5es: todas as palavras proparox\u00edtonas s\u00e3o acentuadas. Por isso, para al\u00edvio geral,&nbsp;<em><strong>c\u00e1gado<\/strong><\/em>&nbsp;continua com acento no&nbsp;<em><strong>a<\/strong><\/em>. No primeiro&nbsp;<em><strong>a<\/strong><\/em>. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"228\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/cagado.jpg?resize=450%2C228&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-558\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/cagado.jpg?w=450&amp;ssl=1 450w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/cagado.jpg?resize=300%2C152&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trema na ling\u00fci\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>O Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa, que vigora desde 2008, prev\u00ea a extin\u00e7\u00e3o do trema, aqueles dois pinguinhos em cima do u de palavras como <em>ling\u00fci\u00e7a<\/em>. Extin\u00e7\u00e3o? Uma coisa \u00e9 bom saber sobre as regras ortogr\u00e1ficas da nossa l\u00edngua: <em>sempre<\/em> quer dizer <em>de vez em quando<\/em> e <em>todos<\/em> quer dizer <em>mais da metade<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o trema n\u00e3o poderia ser diferente: o trema vai sumir, mas permanece em nomes pr\u00f3prios e seus derivados. Depois de saber disso fui imediatamente falar com meu colega J\u00fcrgen. Pedi a ele encarecidamente para n\u00e3o lan\u00e7ar nenhuma seita ou movimento filos\u00f3fico&nbsp;que possa vir a se chamar <em>j\u00fcrgenismo<\/em>, sen\u00e3o teremos mais um trema escapando da extin\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, as reformas ortogr\u00e1ficas acontecem a cada 30 anos, mais ou menos. Espero que para a reforma de 2040 alguns programadores de computador sejam convidados a opinar. Eles s\u00e3o pessoas que conseguem raciocinar logicamente. Para programadores, <em>sempre<\/em> quer dizer <em>sempre<\/em> e <em>todos<\/em> quer dizer <em>todos<\/em>. Nenhum computador do mundo funcionaria se os programadores pensassem de outra forma. A l\u00edngua, felizmente, funciona mesmo quando \u00e9 tutelada pelos letrados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como ser\u00e1 a reforma ortogr\u00e1fica de 2040?<\/h2>\n\n\n\n<p>No Brasil, acontece uma reforma ortogr\u00e1fica&nbsp;a cada 30 anos aproximadamente. Tivemos reformas em 1943 e 1971. Em 2009, iniciamos a primeira reforma do s\u00e9culo XXI. Seguindo essa l\u00f3gica podemos imaginar que haver\u00e1 uma nova&nbsp;reforma em 2040.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2040, a garotada de hoje estar\u00e1 no poder. Hoje, eles passam o dia enviando mensagens pelo celular e teclando nas redes sociais. Com certeza, essa experi\u00eancia de escrita vai influenciar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de tomadores de decis\u00e3o. Quem sabe, ent\u00e3o, teremos a primeira reforma ortogr\u00e1fica realmente simplificadora da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dias, eu estava no Google Analytics observando os h\u00e1bitos dos usu\u00e1rios que frequentam o meu site. Os n\u00fameros s\u00e3o claros e mostram que os internautas&nbsp;praticam a ortografia simplificadora. Um exemplo: quando olhei o relat\u00f3rio, 380 internautas tinham procurado uma p\u00e1gina do meu site pelo argumento de busca \u201c<em>lixo organico<\/em>\u201c. <\/p>\n\n\n\n<p>Outros 34 usaram as palavras-chave \u201c<em>lixo org\u00e2nico<\/em>\u201c. Ou seja: menos de 10% dos usu\u00e1rios utilizaram o acento circunflexo nesse contexto&nbsp;informal que \u00e9 uma busca&nbsp;na Internet. Mesmo assim, a pesquisa d\u00e1 certo porque os mecanismos de busca entendem o que o usu\u00e1rio quer dizer.<\/p>\n\n\n\n<p>No site onde trabalhei, os usu\u00e1rios nos enviam perguntas por escrito. A esmagadora maioria delas \u00e9 redigida somente com min\u00fasculas. As mai\u00fasculas s\u00e3o solenemente ignoradas por 90% desses internautas. Os sinais de pontua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m costumam ser suprimidos. A aus\u00eancia de pontua\u00e7\u00e3o seria uma varia\u00e7\u00e3o da velha elipse, recurso ret\u00f3rico muito apreciado por quem valoriza a concis\u00e3o? Sim. Trata-se de uma reda\u00e7\u00e3o mais concisa, onde n\u00e3o se busca estilo, mas apenas comodidade. <\/p>\n\n\n\n<p>Diante desses fatos, penso que se os teclados de computador deixassem de ser fabricados com teclas para acentua\u00e7\u00e3o, pontua\u00e7\u00e3o e mai\u00fasculas a maioria dos usu\u00e1rios nem notaria a aus\u00eancia. Por a\u00ed, d\u00e1 para ter uma ideia do rumo que pode tomar a pr\u00f3xima reforma ortogr\u00e1fica. Alguns v\u00e3o dizer: Qua qua qua, esse internet\u00eas n\u00e3o vai dar em nada. Veremos. Basta esperar uns trinta anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Letras<\/h3>\n\n\n\n<p>Esta categoria traz postagens com assuntos pol\u00eamicos, curiosos ou cotidianos envolvendo linguagem.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/essa-lingua-portuguesa\/\">Essa l\u00edngua portuguesa!<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/essa-reforma-ortografica\/\">Essa reforma ortogr\u00e1fica!<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/aquele-que-nao-se-deve-nomear\/\">Aquele que n\u00e3o se deve nomear<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/atomo-particula-divisivel\/\">\u00c1tomo: part\u00edcula divis\u00edvel<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/como-se-pede-um-x-salada-cheese-salada\/\">Como se pede um x-salada (cheese-salada)?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/o-que-letras-maiusculas-tem-a-ver-com-saci-perere-e-lucifer\/\">O que letras mai\u00fasculas t\u00eam a ver com Saci-Perer\u00ea e L\u00facifer<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/puxar-a-descarga-ou-apertar-a-descarga\/\">Puxar a descarga ou apertar a descarga?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/a-literatura-nunca-evolui\/\">A literatura nunca evolui<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/ler-muito-enlouquece\/\">Ler muito enlouquece?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/made-in-brasil-ou-made-in-brazil\/\">Made in Brasil ou Made in Brazil?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/o-fim-da-letra-cursiva\/\">O fim da letra cursiva<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/o-planeta-e-dos-macacos-ou-dos-simios\/\">O planeta \u00e9 dos macacos ou dos s\u00edmios?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/o-urtimo-dedo-de-prosa-caipira\/\">O \u00fartimo dedo de prosa caipira<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/os-preconceito-linguistico\/\">Os preconceito lingu\u00edstico<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/por-que-solucionatica-nao-esta-nos-dicionarios\/\">Por que solucion\u00e1tica n\u00e3o est\u00e1 nos dicion\u00e1rios?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/teste-para-poetas\/\">Teste para poetas<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/leis-de-murphy-para-escritores\/\">Leis de Murphy para escritores<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/tradutor-portuguesinternetes\/\">Tradutor portugu\u00eas\/internet\u00eas<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/tres-maneiras-de-falar-o-nome-dos-lugares\/\">Tr\u00eas maneiras de falar o nome dos lugares<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa entrou em vigor no Brasil em 1\u00ba de janeiro de 2009. Na primeira fase da implanta\u00e7\u00e3o que durou tr\u00eas anos os textos podiam ser escritos tanto na ortografia nova como na anterior. A partir de 2012 a ortografia nova tornou-se obrigat\u00f3ria em documentos do governo, material did\u00e1tico para o &hellip; <a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/essa-reforma-ortografica\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Essa reforma ortogr\u00e1fica!<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[265],"tags":[160,270,100],"class_list":["post-3466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-letras","tag-escrita","tag-lingua-portuguesa","tag-ortografia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p74YWN-TU","jetpack-related-posts":[{"id":545,"url":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/letras\/tradutor-portuguesinternetes\/","url_meta":{"origin":3466,"position":0},"title":"Tradutor portugu\u00eas\/internet\u00eas","author":"Radam\u00e9s","date":false,"format":false,"excerpt":"No endere\u00e7o abaixo voc\u00ea encontra um tradutor que converte textos em portugu\u00eas padr\u00e3o para um dialeto internet\u00eas conhecido como migux\u00eas. 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Tamb\u00e9m est\u00e1 escrito no Formul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico que devemos escrever com iniciais mai\u00fasculas os nomes de seres mitol\u00f3gicos, o que \u00e9 uma redund\u00e2ncia, pois esses nomes s\u00e3o pr\u00f3prios e est\u00e3o inclu\u00eddos na regra maior dos nomes pr\u00f3prios. 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D\u00edgrafoFonemas que representaExemplosam\/\u00e3\/ambos\u00e2m\/\u00e3\/\u00e2mbitoan\/\u00e3\/antes\u00e2n\/\u00e3\/\u00e2nforach\/x\/chuvaem\/\u1ebd\/empuxo\u00eam\/\u1ebd\/\u00eamboloen\/\u1ebd\/enchente\u00ean\/\u1ebd\/\u00eanfaseim\/\u0129\/imp\u00e9rio\u00edm\/\u0129\/\u00edmpetoin\/\u0129\/interno\u00edn\/\u0129\/\u00edntegrolh\/\u03bb\/telhanh\/\u00f1\/lenhaom\/\u00f5\/ombro\u00f4m\/\u00f5\/c\u00f4mputoon\/\u00f5\/ontem\u00f4n\/\u00f5\/c\u00f4nsulqu *\/c\/querorr\/R\/carrosc **\/s\/florescers\u00e7 **\/s\/des\u00e7ass\/s\/assim\u00e9tricoum\/\u0169\/cumpre\u00fam\/\u0169\/pl\u00fambeoun\/\u0169\/mundo\u00fan\/\u0169\/an\u00fancioxc\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Grafologia&quot;","block_context":{"text":"Grafologia","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/category\/gramatica\/grafologia\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/gram%C3%A1tica.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3466"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4429,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3466\/revisions\/4429"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}