{"id":97,"date":"2013-09-22T19:14:37","date_gmt":"2013-09-22T22:14:37","guid":{"rendered":"http:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/?p=97"},"modified":"2020-11-27T12:28:24","modified_gmt":"2020-11-27T15:28:24","slug":"sofistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/sofistica\/","title":{"rendered":"Sof\u00edstica"},"content":{"rendered":"\n<p>Sof\u00edstica \u00e9 o estudo das generaliza\u00e7\u00f5es poss\u00edveis sobre erros formais com defini\u00e7\u00f5es, classifica\u00e7\u00f5es, analogias, indu\u00e7\u00f5es e argumentos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sofisma<\/h3>\n\n\n\n<p>De modo aproximado, sofisma \u00e9 o enunciado falso que parece verdadeiro numa compreens\u00e3o superficial. Tradicionalmente, nem todo enunciado que parece verdadeiro \u00e9 considerado sofisma. O tipo de semelhan\u00e7a que determina o sofisma geralmente \u00e9 a relacionada com a forma l\u00f3gica do enunciado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parece verdadeiro<\/strong>. Tamb\u00e9m \u00e9 comum considerar como sofisma aqueles enunciados aparentemente verdadeiros, em fun\u00e7\u00e3o de indu\u00e7\u00f5es malfeitas, provavelmente devido \u00e0 contiguidade que sempre existiu entre l\u00f3gica e epistemologia na hist\u00f3ria do pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outros enunciados que parecem verdadeiros, mas que n\u00e3o costumam ser arrolados como sofisma. Um exemplo disso \u00e9 a vers\u00e3o de um criminoso tentando se livrar da acusa\u00e7\u00e3o do crime. A vers\u00e3o pode parecer verdadeira, mas nem por isso vai ser chamada automaticamente de sofisma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"333\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica-1.jpg?resize=500%2C333&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3283\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica-1.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/files\/retorica-1.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 um sofisma?<\/h3>\n\n\n\n<p>A especifica\u00e7\u00e3o exata do tipo de semelhan\u00e7a com a verdade que caracteriza o sofisma n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nem desej\u00e1vel. \u00c9 imposs\u00edvel em fun\u00e7\u00e3o da disparidade entre os sofismas tradicionais e indesej\u00e1vel porque fecha o conceito de sofisma a futuras inclus\u00f5es. O melhor \u00e9 deixar a defini\u00e7\u00e3o em aberto ou ent\u00e3o recorrer a uma defini\u00e7\u00e3o extensiva do tipo: sofisma \u00e9 a peti\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio, a falsa analogia, a contradi\u00e7\u00e3o camuflada, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>O sofisma nasce do lapso ou da inten\u00e7\u00e3o de iludir. O lapso pode ser do emissor ou do receptor. A caracteriza\u00e7\u00e3o de um sofisma \u00e9 subjetiva. Para isso, em primeiro lugar, temos que nos restringir \u00e0 classe das quest\u00f5es que podem ser refutadas pela l\u00f3gica. Em enunciados que se respaldam em premissas filos\u00f3ficas a caracteriza\u00e7\u00e3o do sofisma pode ser imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 crit\u00e9rios objetivos para definir o que \u00e9 uma coisa que parece verdadeira. Isso depende da acuidade de cada um. Por exemplo: uma contradi\u00e7\u00e3o camuflada pode ser encarada como sofisma se quem a avaliar julg\u00e1-la sutil. Outro pode consider\u00e1-la grosseira e rotul\u00e1-la como simples mentira, equ\u00edvoco, contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Fatores que favorecem o efeito de ilus\u00e3o do sofisma:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Uso de forma de silogismo. A forma do silogismo tem a ela associada uma conota\u00e7\u00e3o de credibilidade.<\/li><li>Uso de forma elaborada leva a uma conota\u00e7\u00e3o de credibilidade.<\/li><li>Arredondamentos. Sup\u00f5e-se, por exemplo, que o improv\u00e1vel \u00e9 imposs\u00edvel, que quase tudo significa tudo, que &#8216;se&#8217; significa &#8216;se e somente se&#8217;, etc. Pessoas que n\u00e3o s\u00e3o rigorosas no racioc\u00ednio praticam estas opera\u00e7\u00f5es.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sofismas formais e materiais<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Formal<\/strong>. Um sofisma \u00e9 formal se as premissas que o sustentam s\u00e3o v\u00e1lidas e se sua falsidade derivar do mau uso das regras de infer\u00eancia l\u00f3gica, o que pode ser mostrado com os recursos da l\u00f3gica formal, usando-se uma tabela-verdade, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Material<\/strong>. Um sofisma \u00e9 material se resultar falso mesmo sendo validado pelos crit\u00e9rios da l\u00f3gica formal. Sua falsidade vem da falsidade das premissas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 casos em que \u00e9 dif\u00edcil discernir se um sofisma \u00e9 formal ou material. Exemplo: ao se confundir um fato improv\u00e1vel com um fato imposs\u00edvel. Nem sempre h\u00e1 como dizer se a confus\u00e3o ocorre no n\u00edvel formal, ao tomar o imposs\u00edvel pelo improv\u00e1vel, ou se por uma m\u00e1 indu\u00e7\u00e3o de fatos da objetividade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sofismas de indu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Algumas vezes as premissas resultam de indu\u00e7\u00f5es, por isso tradicionalmente fala-se nos sofismas de indu\u00e7\u00e3o, que resultam de premissas mal-induzidas. Existem sofismas de indu\u00e7\u00e3o cuja invalidade \u00e9 aceita sem maiores discuss\u00f5es, devido \u00e0 simplicidade com que se prova o erro de indu\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o come\u00e7a a ficar complexa quando nos avizinhamos de quest\u00f5es-limite da epistemologia, como as que estabelecem em que condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o v\u00e1lidas as indu\u00e7\u00f5es amplificadoras, que s\u00e3o as indu\u00e7\u00f5es t\u00edpicas praticadas pelos cientistas. Uma indu\u00e7\u00e3o amplificadora \u00e9 aquela que extrapola suas conclus\u00f5es para al\u00e9m daquilo que foi observado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar que a qualidade de uma indu\u00e7\u00e3o depende do est\u00e1gio em que se encontra o conhecimento da objetividade. O enunciado &#8216;A Terra \u00e9 o centro do Universo&#8217; j\u00e1 passou por boa indu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Zen\u00e3o<\/strong>. O sofisma de Zen\u00e3o \u00e9 cl\u00e1ssico para ilustrar que certos sofismas de indu\u00e7\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o desmontados com o avan\u00e7o do conhecimento. Pelo sofisma de Zen\u00e3o se afirma que o movimento \u00e9 imposs\u00edvel supondo que para percorrer uma dist\u00e2ncia \u00e9 necess\u00e1rio, primeiramente, percorrer a metade da dist\u00e2ncia. Ora, percorrida metade da dist\u00e2ncia ser\u00e1 necess\u00e1rio percorrer metade da dist\u00e2ncia restante e assim sucessivamente, de modo que para cobrir uma dist\u00e2ncia ser\u00e1 necess\u00e1rio realizar uma seq\u00fc\u00eancia infinita de etapas. Na \u00e9poca em que Zen\u00e3o lan\u00e7ou seu sofisma n\u00e3o haviam sido formuladas as no\u00e7\u00f5es de continuidade, de infinit\u00e9simo e outras no\u00e7\u00f5es que podem ser usadas para desmontar o sofisma. Hoje podemos afirmar que o movimento \u00e9 cont\u00ednuo e n\u00e3o discreto, que para percorrer infinitos espa\u00e7os infinitesimais n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio um tempo infinito.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o das dificuldades epistemol\u00f3gicas envolvidas em afirmar o que \u00e9 uma indu\u00e7\u00e3o malfeita, aqui n\u00e3o se faz refer\u00eancia a sofismas de indu\u00e7\u00e3o, exceto o da falsa analogia, que \u00e9 apresentado apenas formalmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tipos de sofisma<\/h2>\n\n\n\n<p>Os tipos a seguir s\u00e3o os mais not\u00e1veis. A rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exaustiva.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Contrariedade camuflada<\/h4>\n\n\n\n<p>Consiste na conjun\u00e7\u00e3o de proposi\u00e7\u00f5es em que a aceita\u00e7\u00e3o de uma implica na nega\u00e7\u00e3o da outra, sem que isto seja vis\u00edvel de imediato. A camuflagem acontece quando:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>a premissa que revela a contrariedade \u00e9 desconhecida ou desconsiderada pelo receptor;<\/li><li>a revela\u00e7\u00e3o da contrariedade exige o estabelecimento de uma sequ\u00eancia longa de implica\u00e7\u00f5es;<\/li><li>a contrariedade \u00e9 sutil e exige aten\u00e7\u00e3o para detec\u00e7\u00e3o;<\/li><li>h\u00e1 distanciamento entre as proposi\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, de modo que a mem\u00f3ria da primeira j\u00e1 tenha se desvanecido ao ser apresentada a segunda.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A contrariedade camuflada difere da contrariedade flagrante e do ox\u00edmoro. Da primeira, pela pr\u00f3pria camuflagem e do segundo pela impossibilidade de aplica\u00e7\u00e3o do algoritmo para ox\u00edmoro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os enunciados contr\u00e1rios de um sofisma de contrariedade t\u00eam de estar expl\u00edcitos no discurso para que se caracterize o sofisma unicamente pela an\u00e1lise do discurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma rela\u00e7\u00e3o de contrariedade entre as proposi\u00e7\u00f5es A e B pode ser expressa pela senten\u00e7a: &#8216;se A ent\u00e3o n\u00e3o B e, se B, ent\u00e3o n\u00e3o A&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>O sofisma da contrariedade camuflada se resume \u00e0 f\u00f3rmula &#8216;A \u00e9 B&#8217;. A falsidade se aplica \u00e0 conjun\u00e7\u00e3o. Obviamente uma das duas proposi\u00e7\u00f5es, A ou B, em separado, pode ser verdadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es t\u00eam a forma &#8216;A \u00e9 n\u00e3o A&#8217;. Assim, qualquer contradi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma contrariedade. O que se disse sobre sofismas de contrariedade pode ser dito sobre sofismas de contradi\u00e7\u00e3o camuflada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">De possibilidades<\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00e3o proposi\u00e7\u00f5es que se referem a fatos objetivos. Elas podem declarar o imposs\u00edvel e o poss\u00edvel. O poss\u00edvel pode ser improv\u00e1vel, prov\u00e1vel e certo. Os sofismas de possibilidade confundem as no\u00e7\u00f5es. Exemplos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Tudo o que \u00e9 improv\u00e1vel \u00e9 falso, imposs\u00edvel.<\/li><li>Tudo o que \u00e9 prov\u00e1vel \u00e9 certo, verdadeiro.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">De quantifica\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00e3o os ligados \u00e0 declara\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe indiv\u00edduo que atende \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o todo indiv\u00edduo atende \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem todo indiv\u00edduo atende \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o nenhum indiv\u00edduo atende \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sofismas de possibilidade e de quantifica\u00e7\u00e3o poderiam ser chamados de sofismas de arredondamento e enunciados do seguinte modo:<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 pr\u00f3ximo de zero ou pr\u00f3ximo de 100% pode ser arredondado para zero e 100% respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">De implica\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Consiste basicamente em dizer que X implica Y, quando na verdade isto n\u00e3o ocorre. A ilus\u00e3o do sofisma \u00e9 criada, na maioria das vezes, porque X e Y apresentam alguma rela\u00e7\u00e3o de contig\u00fcidade que \u00e9 tomada por rela\u00e7\u00e3o de implica\u00e7\u00e3o. Ou X antecede Y, ou comumente lhe \u00e9 cont\u00edguo, ou Y implica X, ou n\u00e3o Y implica n\u00e3o X, etc. A rigor todos os sofismas s\u00e3o sofismas de implica\u00e7\u00e3o. Os aqui considerados s\u00e3o aqueles em que o erro de implica\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais evidente. Os sofismas mais comuns desta classe:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><em>Ad hominem<\/em>: Argumento que prova tese usando premissas que n\u00e3o a implicam. Ex.: &#8216;O cigarro n\u00e3o faz mal porque o Jo\u00e3o disse isso&#8217;.<\/li><li>Se X implica Y, ent\u00e3o Y implica X.<\/li><li>Se X implica Y, ent\u00e3o n\u00e3o X implica n\u00e3o Y.<\/li><li>Se X implica Y, ent\u00e3o n\u00e3o Y implica n\u00e3o X.<\/li><li>Se a tese \u00e9 verdadeira, ent\u00e3o as premissas tamb\u00e9m s\u00e3o.<\/li><li>Se a tese \u00e9 falsa, ent\u00e3o as premissas tamb\u00e9m s\u00e3o.<\/li><li>Se X \u00e9 cont\u00edguo a Y, ent\u00e3o X implica Y.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Transfer\u00eancia de credibilidade<\/h4>\n\n\n\n<p>Uma proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada boa porque vem de uma boa fonte ou m\u00e1 se vem de fonte ruim. Esta fonte pode ser a tradi\u00e7\u00e3o, a posi\u00e7\u00e3o da autoridade, a maioria, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de sofisma \u00e9 tamb\u00e9m sofisma de implica\u00e7\u00e3o, pois considera que a autoridade da fonte implica na veracidade do enunciado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Do manique\u00edsmo<\/h4>\n\n\n\n<p>Sejam X e Y proposi\u00e7\u00f5es pertinentes num mesmo dom\u00ednio e n\u00e3o complementares. O sofisma do manique\u00edsmo se expressa como:<\/p>\n\n\n\n<p>Se X, ent\u00e3o n\u00e3o Y. Se n\u00e3o X, ent\u00e3o Y.<\/p>\n\n\n\n<p>O enunciado verdadeiro seria:<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o X, ent\u00e3o Y ou A ou B ou C &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A confus\u00e3o no sofisma de manique\u00edsmo consiste em tomar por rela\u00e7\u00e3o de contrariedade complementar o que \u00e9 contrariedade simples.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Estat\u00edsticos<\/h4>\n\n\n\n<p>A qualidade do indiv\u00edduo \u00e9 considerada a qualidade m\u00e9dia do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta de prova em contr\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>A proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada verdadeira se n\u00e3o houver prova de sua falsidade e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Falsa analogia<\/h4>\n\n\n\n<p>Consiste no transplante inconsistente de conclus\u00f5es de um contexto para outro. Genericamente, X \u00e9 similar a Y. X tem a propriedade P, logo Y tamb\u00e9m a possui.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo: &#8216;Tirando-lhe um cabelo n\u00e3o ficar\u00e1 calvo, tampouco tirando-lhe dois ou tr\u00eas. Do mesmo modo n\u00e3o ficar\u00e1 calvo se lhe tirarem todos os cabelos&#8217;. Aqui extrapola-se o que \u00e9 v\u00e1lido para um, dois e tr\u00eas cabelos para o total de cabelos.<\/p>\n\n\n\n<p>A falsa analogia extrapola a similaridade entre duas situa\u00e7\u00f5es para al\u00e9m da sua validade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Composi\u00e7\u00e3o ou divis\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00e3o os sofismas que atribuem ao todo o que \u00e9 pr\u00f3prio das partes ou \u00e0s partes o que \u00e9 pr\u00f3prio do todo. Exemplos:<\/p>\n\n\n\n<p>O todo \u00e9 pesado. As partes s\u00e3o pesadas.<\/p>\n\n\n\n<p>As partes s\u00e3o leves. O conjunto \u00e9 leve.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Peti\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 o argumento que prova a tese assumindo a sua veracidade como premissa. \u00c9 a forma redut\u00edvel a: &#8216;A \u00e9 verdadeira porque A \u00e9 verdadeira&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>A peti\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio \u00e9 um argumento inv\u00e1lido, o que significa que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel provar a proposi\u00e7\u00e3o com ele, o que n\u00e3o impede a proposi\u00e7\u00e3o de ser verdadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>A peti\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio eficaz como sofisma sempre envolve camuflagem. Nestes casos \u00e9 preciso estabelecer uma cadeia de implica\u00e7\u00f5es para desmontar a peti\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sem\u00e2nticos<\/h4>\n\n\n\n<p>Consistem em confundir o receptor quanto ao sentido em que dado termo \u00e9 usado. H\u00e1 muitas possibilidades:<\/p>\n\n\n\n<p>Atribuir ao comparado, num recurso de ret\u00f3rica sem\u00e2ntico, caracter\u00edsticas do comparante que n\u00e3o s\u00e3o pertinentes a ambos ou vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa palavra poliss\u00eamica que se refere ao conceito A ou ao conceito B atribuir ao conceito A as caracter\u00edsticas do conceito B, ou vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Exemplo: &#8216;N\u00e3o conheces este homem velado. \u00c9 teu pai, logo, n\u00e3o conheces teu pai&#8217;. Aqui h\u00e1 dois sentidos para conhecer. O sofisma s\u00f3 funciona quando se opta por um nas duas ocorr\u00eancias.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Num termo que admite leitura imediata e leitura figurada atribuir ao conceito evocado pela leitura figurada caracter\u00edsticas do conceito evocado pela leitura imediata e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>Atribuir ao termo conota\u00e7\u00f5es diferentes no mesmo contexto. Este sofisma ocorre muito nas cr\u00edticas filos\u00f3ficas. Parte-se das caracter\u00edsticas de um termo tais quais elas s\u00e3o num contexto A para critica-las num contexto B, no qual o conceito a que se refere o termo sofreu muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomar o signo ora como signo mesmo, ora como significado, ora como significante. Confunde-se uso com men\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Exemplo: &#8216;Racismo \u00e9 s\u00f3 uma palavra. N\u00e3o h\u00e1 por que discutir sobre palavras. N\u00e3o h\u00e1 porque discutir racismo.&#8217;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Um sofisma sem\u00e2ntico n\u00e3o deve ser confundido com ambiguidade. A ambiguidade se caracteriza pela possibilidade de pelo menos dois sentidos para o mesmo enunciado, sendo a escolha por um dos sentidos quest\u00e3o indecid\u00edvel no contexto. No sofisma sem\u00e2ntico temos um s\u00f3 sentido, que \u00e9 falso, mas aparentemente verdadeiro, em que a ilus\u00e3o vem de se tomar um termo num sentido quando se deveria tom\u00e1-lo em outro. Caso se opte por atribuir ao enunciado o sentido que anula o sofisma, o resultado \u00e9 uma anomalia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">De conjun\u00e7\u00e3o e disjun\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Atribui-se a um termo o que s\u00f3 pode ser atribu\u00eddo quando em conjun\u00e7\u00e3o com outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo: &#8216;Quem faz mal a outro merece puni\u00e7\u00e3o. Quem transmite doen\u00e7a contagiosa faz mal ao outro, logo deve ser punido&#8217;. Neste caso o termo &#8216;fazer mal&#8217; s\u00f3 \u00e9 pertinente ao enunciado se estiver em conjun\u00e7\u00e3o com o termo &#8216;intencionalmente&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo: &#8216;O que se compra no mercado, come-se. Comprei carne crua. Comerei carne crua&#8217;. O que falta \u00e0 primeira premissa \u00e9 a conjun\u00e7\u00e3o com o enunciado: &#8216;mas n\u00e3o tal qual vem&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sofismas em outras l\u00f3gicas<\/h4>\n\n\n\n<p>Os sofismas acima foram considerados \u00e0 luz da l\u00f3gica bivalente do falso e do verdadeiro. Se admitirmos que os enunciados t\u00eam uma probabilidade associada a eles, verdadeiro na l\u00f3gica bivalente \u00e9 o enunciado que tem probabilidade de 100% e falso todo enunciado com probabilidade menor que 100%.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quatro classifica\u00e7\u00f5es para os enunciados:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Certo<\/strong>: enunciado com probabilidade l.<\/li><li><strong>Prov\u00e1vel<\/strong>: enunciado com probabilidade maior ou igual a 0,5 e menor que l.<\/li><li><strong>Improv\u00e1vel<\/strong>: enunciado com probabilidade menor que 0,5 e maior que 0.<\/li><li><strong>Imposs\u00edvel<\/strong>: enunciado com probabilidade igual a zero.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O limite entre o prov\u00e1vel e o improv\u00e1vel \u00e9 arbitr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os enunciados tamb\u00e9m podem ser classificados como fortes ou fracos: fracos s\u00e3o os imposs\u00edveis e os improv\u00e1veis e fortes s\u00e3o os prov\u00e1veis e os certos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um&nbsp;quadro-resumo temos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><strong>Certo <\/strong>= Forte = Verdadeiro<\/li><li><strong>Prov\u00e1vel <\/strong>= Forte = Falso<\/li><li><strong>Improv\u00e1vel <\/strong>= Fraco = Falso<\/li><li><strong>Imposs\u00edvel <\/strong>= Fraco = Falso<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O enunciado &#8216;Ele est\u00e1 mentindo porque \u00e9 um mentiroso contumaz&#8217; \u00e9 falso na l\u00f3gica bivalente F\/V, \u00e9 um sofisma&nbsp;<em>ad hominen<\/em>, mas se a premissa que o sustenta \u00e9 verdadeira, ou seja, se ele \u00e9 realmente mentiroso contumaz, ent\u00e3o o enunciado \u00e9 certo ou prov\u00e1vel, logo \u00e9 forte.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m pode-se considerar que o enunciado \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o por analogia de: &#8216;Ele deve estar mentindo porque mentiu sempre em situa\u00e7\u00f5es semelhantes.&#8217;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 certos contextos em que decis\u00f5es devem ser tomadas a partir da an\u00e1lise de enunciados como o anterior. Nesses contextos, a dicotomia falso\/verdadeiro nem sempre \u00e9 a ideal para balizar a decis\u00e3o. Pode ocorrer que a dicotomia forte\/fraco seja mais conveniente. Nesta dire\u00e7\u00e3o, o enunciado sobre o mentiroso contumaz deixa de ser sofism\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Categorias ret\u00f3ricas<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/atratividade\/\">Atratividade do discurso<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/comunicabilidade\/\">Comunicabilidade<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/concisao\/\">Concis\u00e3o<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/conotacao\/\">Conota\u00e7\u00e3o<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/definicao\/\">Defini\u00e7\u00e3o<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/dualidades-do-discurso\/\">Dualidades do discurso<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/atenuacao-e-agravamento\/\">Eufemismo e disfemismo<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/legibilidade\/\">Legibilidade<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/propriedade\/\">Propriedade do discurso<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/quantidade-de-informacao\/\">Quantidade de informa\u00e7\u00e3o<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/sociabilidade\/\">Sociabilidade<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/sofistica\/\">Sof\u00edstica<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/linguagem\/retorica\/categorias\/taxonomia\/\">Taxonomia<\/a><\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sof\u00edstica \u00e9 o estudo das generaliza\u00e7\u00f5es poss\u00edveis sobre erros formais com defini\u00e7\u00f5es, classifica\u00e7\u00f5es, analogias, indu\u00e7\u00f5es e argumentos. Sofisma De modo aproximado, sofisma \u00e9 o enunciado falso que parece verdadeiro numa compreens\u00e3o superficial. Tradicionalmente, nem todo enunciado que parece verdadeiro \u00e9 considerado sofisma. 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