Alimentação é uma das áreas da cultura mais reguladas. Já tentei escrever um manual de alimentação, mas percebi que ficaria mais longo que o Velho Testamento. Então, resolvi listar apenas algumas ideias polêmicas sobre esse assunto interminável.
São muitos os aditivos alimentares e não é de hoje que são demonizados por militantes de várias doutrinas. Vamos considerar dois aspectos principais: aditivos com suposto risco à saúde e aqueles que prejudicam as dimensões gastronômica e nutricional.
Aditivos oferecem risco à saúde? Antioxidantes e conservantes costumam ser associados a problemas de saúde por estudos até agora inconclusivos. Prefiro não me estressar e deixo que órgãos reguladores definam as regras. Conservar os alimentos é importante para a segurança alimentar e para a saúde pública.
Aditivos prejudicam a experiência gastronômica e nutricional? Em geral, sim. A indústria usa aromatizantes, flavorizantes e corantes para baixar custos, padronizar o produto e dar intensidade. Para uma experiência gourmet é melhor usar ingredientes naturais, mas aí o custo sobe e fica inacessível à população de baixa renda. Use se achar que está bom para sua necessidade.
Café é o estimulante diário oficial que aumenta sua prontidão. Então vamos às dicas:
Toda caloria alimenta. A expressão caloria vazia é infeliz e só confunde. Normalmente, é usada para se referir alimentos de pouco valor nutricional como refrigerantes, balas, salgadinhos, etc. São aqueles alimentos que sua avó dizia: não coma porcaria, meu filho, coma comida de verdade. Em situações específicas calorias vazias podem atender sua necessidade. Avalie com bom senso.
Distinguir entre carne de primeira e de segunda é coisa de gente fresca. Todas as partes do animal são nutritivas e saborosas se preparadas corretamente. Isso vale para partes pouco valorizadas como vísceras, pés, rabo, pele etc. Quem faz cara de nojinho para as partes menos valorizadas do animal pode estar desperdiçando alimento e perdendo boas experiências.
Arroz integral, trigo integral, os cereais integrais estão em alta. De fato, oferecem maior quantidade de fibras que são importantes na nutrição. Aqueles que precisam restringir carboidratos porém, não devem ficar entusiasmados. O arroz e o trigo integral continuam high carb.
Outro cuidado a tomar é checar a porcentagem de ingrediente integral na receita. É comum produtos serem vendidos com o rótulo integral, mas terem percentual baixo de ingrediente integral.
Considere também a dimensão gastronômica. O ingrediente integral pode estragar sua receita gourmet.
Chocolate é quase uma unanimidade, inclusive entre veganos. Algumas considerações:
Existe uma lenda que propõe fazer várias refeições ao longo do dia. Não é prático e pode ser prejudicial à saúde em alguns casos. Você não precisa comer continuamente. Duas ou três refeições por dia são suficientes, de preferência com jejum noturno de 12+ horas.
Ficar calculando as calorias ingeridas ao longo do dia é estressante, toma tempo e é desnecessário. Seu corpo dá os sinais. Comer até a saciedade, medir o perímetro abdominal e se pesar costuma ser o suficiente para controlar o peso.
Comida prática, pronta e que não dá serviço é a mais valorizada pela maioria. Alimentação conveniente, porém, é a que mais sacrifica as dimensões econômica, gastronômica e nutricional. Aquela comida que vem pelo delivery pronta para consumo é cara, de baixo valor nutricional e raramente agrada gostos refinados.
Bacon, salame, compotas, conservas são alimentos que usam métodos tradicionais de conservação que eram fundamentais em épocas passadas em climas severos. Estudos inconclusivos indicam que essa categoria de alimentos é potencialmente arriscada para a saúde. O consumo moderado dessas delícias é a melhor estratégia já que hoje contamos com oferta maior de alimentos, refrigeração e congelamento em casa.
Não se nasce com bom gosto. Você o adquire convivendo com as pessoas certas e cultivando boas experiências. De modo geral, a indústria de alimentos procura alcançar o grande público, logo não entrega produtos gourmet. O gosto popular ainda é infantilizado e prioriza intensidade em vez de complexidade e sutileza. Daí que um produto com essência sintética mais intensa e simples faz mais sucesso que o sabor suave e rico do ingrediente natural.
Uma das estratégias para emagrecimento é fugir de alimentos concentrados, calóricos. Na verdade, o que importa é a quantidade diária de calorias que você ingere. Pouco interessa se ela entra no corpo compactada em um alimento energético ou diluída em porções maiores de alimentos pouco calóricos. Existe o fator psicológico, claro. Ao consumir alimentos diluídos fica-se com impressão que comeu mais e a saciedade pode ser maior efetivamente. Para quem é controlado, porém essa questão é secundária.
Até pouco tempo atrás o consumo de carne vermelha era considerado risco para a saúde. Da mesma forma, recomendavam evitar manteiga, banha de porco e carnes gordurosas. Essas restrições estavam na pirâmide alimentar do EUA. A ciência da nutrição evolui e estudos recentes indicam que o consumo moderado desses alimentos de origem animal não prejudica a saúde, pelo contrário.
O hambúrguer é o típico caso de alimento criticado injustamente. Hambúrguer é equilibrado em proteína, gorduras, carboidratos e reguladores. Infelizmente, está associado a fast food, logo é considerado do mal. No passado, o ovo estava sob ataque. Cuidado com o ovo, olha o colesterol, diziam. É preciso avaliar os alimentos com bom senso e acompanhar a evolução das pesquisas na área da nutrição.
Alguns alimentos considerados saudáveis no imaginário popular não entregam o que prometem. É o caso dos sucos de fruta de caixinha com muita frutose e açúcar adicionado. Barras de cereais e granolas açucaradas também enganam. Peito de peru curado entra na categoria super processado. Cereais integrais com baixo teor de ingredientes integrais deixam a desejar. Enfim, não são produtos desonestos ou que prometem o que não cumprem, mas pessoas distraídas têm expectativas altas que não serão atendidas.
Você não precisa se hidratar continuamente. Não passe vergonha tomando água a cada cinco minutos mesmo que esteja na academia ou correndo no parque. Mantenha-se hidratado bebendo água algumas vezes ao dia.
Bebidas para repor perda de sais minerais devem ser consumidas com cautela e se você não é um atleta de alto rendimento, provavelmente não precisa delas.
O caso do macarrão ao dente ilustra que a importação de hábitos de outras localidades e culturas nem sempre funciona. Na Europa o trigo é de grão duro e o macarrão feito com esse trigo está bom para consumo quando ainda está firme (ao dente). A regra não se aplica ao macarrão brasileiro que é feito com nosso trigo adaptado ao nosso clima. Quando nosso macarrão fica no ponto já não está ao dente.
A mesma ideia vale para vinhos, por exemplo. Diz a regra que vinho tinto não deve ser refrigerado para consumir. É uma regra boa para o clima europeu, mas não para o calor brasileiro.
A indústria dos suplementos alimentares cresceu exponencialmente nos últimos anos. O que era um produto para marombeiros hoje tem prateleira cativa no supermercado e nas farmácias. De modo geral, salvo indicação de profissionais da área, basta seguir uma alimentação variada baseada em comida de verdade para estar bem nutrido.
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