{"id":4966,"date":"2020-04-28T13:45:13","date_gmt":"2020-04-28T16:45:13","guid":{"rendered":"http:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/?p=4966"},"modified":"2024-12-05T18:56:58","modified_gmt":"2024-12-05T21:56:58","slug":"a-arte-de-escrever-em-tempos-de-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/conteudo-digital\/a-arte-de-escrever-em-tempos-de-internet\/","title":{"rendered":"A arte de escrever em tempos de Internet"},"content":{"rendered":"\n<p>Com o advento dos blogs, as pessoas est\u00e3o escrevendo mais, embora pior. Quem disse isso foi o Pr\u00eamio Nobel de Literatura Jos\u00e9 Saramago, ele mesmo blogueiro. Depois de ler essa declara\u00e7\u00e3o forte do Saramago fui direto ao blog dele conferir se a opini\u00e3o se aplicava aos posts que ele mesmo produzia. Que nada! O blog desse polemicista era muito ativo e a qualidade dos textos, impec\u00e1vel. <\/p>\n\n\n\n<p>Saramago nos esclarece:&nbsp;a facilidade com que se produz um blog leva mais pessoas a escrever, embora muitos n\u00e3o se preocupem em publicar textos burilados. Ele, Saramago, tratava seus posts com o mesmo rigor de seus romances. Eis um bom exemplo para se refletir sobre esse g\u00eanero novo de escrita&nbsp;em que a instantaneidade e a urg\u00eancia \u00e0s vezes s\u00e3o confundidas com improviso e afoba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"455\" height=\"297\" data-attachment-id=\"737\" data-permalink=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/educacao\/para-que-serve-um-caderno-de-caligrafia\/attachment\/parker-duofold-ouro1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/files\/2009\/03\/parker-duofold-ouro1.jpg?fit=455%2C297&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"455,297\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Parker duofold ouro\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/files\/2009\/03\/parker-duofold-ouro1.jpg?fit=455%2C297&amp;ssl=1\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/files\/2009\/03\/parker-duofold-ouro1.jpg?resize=455%2C297&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-737\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/files\/2009\/03\/parker-duofold-ouro1.jpg?w=455&amp;ssl=1 455w, https:\/\/i0.wp.com\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/files\/2009\/03\/parker-duofold-ouro1.jpg?resize=300%2C195&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Quem disse que blog \u00e9 para escrever nas coxas o que d\u00e1 na telha? Quem escreve pensando em prestar um servi\u00e7o, ou seja, quem escreve para o outro e n\u00e3o s\u00f3 para si, tem que considerar que a m\u00eddia blog \u00e9 r\u00e1pida, mas nada impede que o texto seja elegante, coeso, conciso, denso, criativo, etc. Nada contra os blogs cat\u00e1rticos que o blogueiro usa como di\u00e1rio p\u00fablico, mas o meu estilo favorito de blog \u00e9 aquele que tem algo a dizer e quando diz, o faz com estilo.&nbsp;Vivemos uma sobrecarga de informa\u00e7\u00e3o sem precedentes na Hist\u00f3ria e a aten\u00e7\u00e3o do leitor \u00e9 um espa\u00e7o a cada dia mais disputado. Quer receber aten\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o&nbsp;blogue mais e melhor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Para que tanto blog?<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pergunto que benef\u00edcio os blogs trazem para os blogueiros. Para a sociedade essa \u00e9 uma quest\u00e3o irrelevante. Interessa-me a serventia que os blogs possam ter para sua majestade o leitor. Antes de responder, vamos esclarecer uma coisa:&nbsp;ficam de fora dessa conversa os blogs inexpressivos como aqueles muito exibicionistas, os que foram criados s\u00f3 para zoar ou os que n\u00e3o passam de uma tentativa desesperada de comunica\u00e7\u00e3o&nbsp;com o mundo da parte de quem n\u00e3o tem nada a dizer. Notaram que estou incluindo o meu pr\u00f3prio blog no grupo daqueles que podem apresentar alguma relev\u00e2ncia, certo? Pois ent\u00e3o vamos raciocinar.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Era de Gutemberg havia&nbsp;uma aldeia de 1.000\nhabitantes&nbsp;onde todos liam&nbsp;as obras que 10 habitantes escritores\npublicavam.&nbsp;Nessa aldeia, havia muitas pessoas com vontade de se tornar\nescritores, mas por causa dos&nbsp;custos altos somente 10 conseguiam furar a\nbarreira imposta pelo modelo e&nbsp;publicavam suas&nbsp;obras.&nbsp;Gra\u00e7as a\num mecanismo natural de regula\u00e7\u00e3o, as obras eram publicadas em quantidade\nproporcional \u00e0&nbsp;capacidade de leitura dos habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a chegada da Internet, os custos ca\u00edram, as facilidades\naumentaram e agora qualquer habitante pode publicar suas obras se quiser. A\naldeia passou a ter 100 escritores. No entanto,&nbsp;a capacidade de leitura\ndos habitantes continuou a mesma porque, al\u00e9m de ler, eles trabalham, passeam,\netc. A Internet expandiu a&nbsp;oferta, n\u00e3o a demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa expans\u00e3o na oferta de textos, em si, n\u00e3o significa\nnada. Para interpretar o valor da mudan\u00e7a na pequena aldeia vou invocar duas\nentidades que se alternam em minha cabe\u00e7a: otim\u00edstio e pessim\u00edstio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pessim\u00edstio<\/strong>: aumentar o volume de texto em circula\u00e7\u00e3o\nn\u00e3o representa ganho para a sociedade. Os dez autores de antes eram os melhores\ne, por isso, eram publicados. Os 90 autores que entraram no circuito n\u00e3o\npassaram pelos filtros do sistema anterior. Na melhor das hip\u00f3teses s\u00e3o\ndivulgadores. Com sua entrada no circuito esses autores apenas drenam a aten\u00e7\u00e3o\ndo leitor gerando uma sobrecarga de informa\u00e7\u00e3o para quem poderia se manter\nfocado em autores top.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Otim\u00edstio<\/strong>: a pequena aldeia tem bem mais de dez\nautores qualificados para publicar seus textos. A demanda restrita imp\u00f5e um\nfunil muito estreito aos potenciais escritores, deixando in\u00e9ditos autores de\nquilate respeit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem teria raz\u00e3o? Otim\u00edstio ou pessim\u00edstio? Quem sabe invocando a opini\u00e3o de Equilibradium.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conte\u00fado tratado como commodity<\/h3>\n\n\n\n<p>Produzir informa\u00e7\u00e3o de qualidade n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e custa\ndinheiro. \u00c9 o que dizem os representantes dos grandes \u00f3rg\u00e3os de imprensa e eu\nconcordo. Para trazer informa\u00e7\u00f5es sobre a guerra \u00e9 preciso colocar um rep\u00f3rter\nno meio do tiroteio. Para trazer \u00e0 tona um esc\u00e2ndalo de governo \u00e9 preciso\ninvestir em longas e complexas investiga\u00e7\u00f5es. Para opinar sobre a conjuntura\ncom propriedade \u00e9 preciso ter uma forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, acesso a fontes,\ncredibilidade, etc. Estamos falando de informa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, aquela que depois\nser\u00e1 replicada exaustivamente pelos multiplicadores secund\u00e1rios e terci\u00e1rios.\nOs produtores de informa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria se queixam que a Internet prejudica o\nneg\u00f3cio deles, na medida em que a mat\u00e9ria deles rapidamente se espalha de forma\ncapilar pela rede at\u00e9 ficar dispon\u00edvel em qualquer lugar. A replica\u00e7\u00e3o da\ninforma\u00e7\u00e3o a torto e direito desvaloriza esse bem e o transforma em mera\ncommodity, \u00e9 o que dizem e eu concordo. Vou explicar.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste blog, fa\u00e7o coment\u00e1rios sobre not\u00edcias que eu n\u00e3o\napurei. Leio as not\u00edcias como qualquer cidad\u00e3o na Internet, mas o meu neg\u00f3cio\nn\u00e3o \u00e9 a not\u00edcia e sim o coment\u00e1rio e, por isso, n\u00e3o me considero um replicador.\nCostumo dar o cr\u00e9dito \u00e0s minhas fontes e permito que meu conte\u00fado seja copiado\nem outros locais, desde que deem os cr\u00e9ditos devidos. Pesquisando na Internet\nencontro meus textos em v\u00e1rios locais da rede, \u00e0s vezes creditados, muitas\nvezes n\u00e3o. Se a replica\u00e7\u00e3o acontece comigo que n\u00e3o passo de um micro produtor\nimagine o que n\u00e3o ocorre com as fontes prestigiadas e tradicionais. Tenho a\nimpress\u00e3o de que a Internet ficaria bem menor e melhor se n\u00e3o houvesse tanta\nc\u00f3pia da c\u00f3pia da c\u00f3pia.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegar\u00e1 um dia em que todo mundo al\u00e9m de consumir, vai produzir informa\u00e7\u00e3o. Talvez, ent\u00e3o, as pessoas vejam a informa\u00e7\u00e3o sob uma perspectiva diferente, n\u00e3o mais como uma mercadoria indiferenciada dispon\u00edvel a granel, mas como algo que leva uma assinatura.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Timeline ou dossi\u00ea?<\/h3>\n\n\n\n<p>Redes sociais como Facebook e Twitter apresentam as\ninforma\u00e7\u00f5es em uma linha do tempo invertida que vai dos itens mais recentes para\nos mais antigos. Muitas fontes de not\u00edcias da Internet tamb\u00e9m adotam a mesma\norganiza\u00e7\u00e3o enfileirando as not\u00edcias em listas cronol\u00f3gicas inversas. Eu tenho\numa resist\u00eancia a essa forma de organizar informa\u00e7\u00e3o porque \u00e9 uma maneira\nfragmentada de olhar o mundo. Pode ser interessante quando voc\u00ea quer acompanhar\npasso a passo os desdobramentos de um acontecimento importante, mas na maioria\ndos casos prefiro o formato dossi\u00ea, em que algu\u00e9m se d\u00e1 ao trabalho de\norganizar a informa\u00e7\u00e3o, sintetizando, resumindo e pondo ordem no caos.\nProvavelmente, isso tem a ver com minha prefer\u00eancia pela vis\u00e3o de conjunto em\nvez do detalhe. As reportagens das revistas&nbsp;impressas de atualidades s\u00e3o\nbom exemplo do uso inteligente do formato dossi\u00ea.&nbsp;Reportagens sup\u00f5e a\nfigura do editor que se encarrega do trabalho pesado de eliminar as\nredund\u00e2ncias e&nbsp;as irrelev\u00e2ncias para produzir um bloco coeso de informa\u00e7\u00e3o\ne de prefer\u00eancia que venha interpretada e opinada.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei o que \u00e9 mais dif\u00edcil: produzir timelines ou dossi\u00eas e para n\u00e3o radicalizar vou admitir que cada formato tem seu valor. A cobertura de uma revolu\u00e7\u00e3o certamente fica mais dram\u00e1tica em forma de timeline, pois transporta o leitor&nbsp;para a&nbsp;intensidade dos eventos. O dossi\u00ea, por outro lado, nos traz&nbsp;uma vis\u00e3o de conjunto mais depurada. Infelizmente, o formato timeline est\u00e1 se difundindo para al\u00e9m do bom senso, talvez em fun\u00e7\u00e3o do imediatismo que rege a Internet. Produzir dossi\u00eas requer um trabalho de coleta e s\u00edntese da informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o d\u00e1 para fazer em tempo real. A maioria&nbsp;n\u00e3o quer esperar e prefere&nbsp;publicar a todo o instante, geralmente se ocupando do momento e poucos se preocupam com a relev\u00e2ncia do que \u00e9 publicado. Dossi\u00eas s\u00e3o raros na Internet se comparados \u00e0s timelines. Ser\u00e1 que na Internet s\u00f3 vemos as \u00e1rvores sem ver a floresta?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O rito de passagem da publica\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Vamos separar duas coisas distintas que nos dias de hoje\ncada vez menos acontecem juntas: divulga\u00e7\u00e3o e reconhecimento. Uma coisa \u00e9 fazer\numa obra chegar aos quatro cantos do pa\u00eds, outra \u00e9 ser reconhecido como autor\nde talento.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado divulga\u00e7\u00e3o e reconhecimento costumavam andar\njuntos. Quando um autor era publicado por uma editora como a Jos\u00e9 Olympio significava\nque as duas coisas, divulga\u00e7\u00e3o e reconhecimento, estavam acontecendo ao mesmo\ntempo. A obra teria lugar nas estantes das boas livrarias e o simples fato de\nser autor da JOE, valia mais como reconhecimento do que qualquer pr\u00eamio\nliter\u00e1rio ou resenha positiva do cr\u00edtico mais ranzinza.<\/p>\n\n\n\n<p>A regra da publica\u00e7\u00e3o por uma editora de prest\u00edgio como\npar\u00e2metro de reconhecimento do autor continua s\u00f3lida. Uma obra lan\u00e7ada por uma\neditora renomada \u00e9 not\u00edcia, tem noite de aut\u00f3grafos, gera mat\u00e9ria na m\u00eddia. \u00c9\num aut\u00eantico rito de passagem. Atrav\u00e9s de toda esta movimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 que o autor\nconsegue se posicionar no universo da produ\u00e7\u00e3o cultural e \u00e9 por ela que o\nleitor se informa sobre as obras de qualidade. Lembremos que reconhecimento \u00e9\num dos poucos est\u00edmulos com que o autor conta para manter o \u00e2nimo de produzir.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, estamos em uma era de sites, de livros eletr\u00f4nicos, de produ\u00e7\u00e3o de livros barata e sob demanda, de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, etc. Em outras palavras, se o autor quiser, pode divulgar seu trabalho a baixo custo e com total independ\u00eancia. Estamos bem pr\u00f3ximos de resolver os problemas log\u00edsticos da divulga\u00e7\u00e3o da obra. Mas como fica nesta nova realidade a quest\u00e3o do reconhecimento, pois, o autor de qualidade precisa ser reconhecido e o leitor precisa saber quem s\u00e3o os autores de qualidade. Que par\u00e2metros teremos no futuro para avaliar a qualidade da informa\u00e7\u00e3o que nos chega em enxurrada por in\u00fameros canais?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando um autor publica um site com sua obra ele se desvia\ndo circuito editora, noite de aut\u00f3grafos, resenhas na m\u00eddia, etc.. Sim, porque\na resenha de sites ainda \u00e9 incipiente. Aqueles par\u00e2metros tradicionais de\nreconhecimento est\u00e3o derretendo. Numa vis\u00e3o simplista poder\u00edamos dizer que se o\nautor publicou em site ent\u00e3o sua obra n\u00e3o era aquelas coisas. Mas n\u00f3s temos\nArnaldo Antunes, Augusto de Campos, Frederico Barbosa, R\u00e9gis Bonvicino,\nFerreira Gullar e v\u00e1rios outros, bem reconhecidos e com seus sites no ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o sujeito que gosta de poesia vai a uma livraria\nm\u00e9dia, encontra uns vinte ou trinta t\u00edtulos para escolher, todos de autores que\nj\u00e1 passaram por v\u00e1rios crivos de qualidade. Quando o mesmo leitor faz uma busca\ncom a palavra poesia na Internet recebe aquela avalanche de sites pela frente e\ntem que fazer a via crucis se quiser encontrar algo bom.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed est\u00e1 o desafio desta nova era da informa\u00e7\u00e3o democratizada. Ela passa ao largo dos tradicionais filtros de qualidade do complexo ecossistema da cultura. Alguns desses mecanismos deveriam ser mantidos ou novos deviam ser criados para que seja poss\u00edvel o reconhecimento do autor, caso contr\u00e1rio chegar\u00e1 o dia em que nossas antenas s\u00f3 captar\u00e3o ru\u00eddo de fundo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por que escrevo este blog?<\/h3>\n\n\n\n<p>Faz alguns anos que mantenho este blog. Salvo raras exce\u00e7\u00f5es venho mantendo a regularidade das postagem independente da audi\u00eancia do blog (baixa), do retorno financeiro (nenhum) ou do tempo gasto para mante-lo (razo\u00e1vel). Naqueles dias em que a hora de publicar o post se aproxima e a inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega sou atormentado pela pergunta: por que manter esse blog que n\u00e3o me leva a lugar nenhum?<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 passei do tempo de ter alucina\u00e7\u00f5es garanto que n\u00e3o escrevo posts para conquistar belas mulheres, nem para ficar rico. Em primeiro, escrevo para mim mesmo, para organizar meu pensamento e disciplinar meu conv\u00edvio com a informa\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea assume o compromisso pessoal de escrever regularmente uma sequ\u00eancia de letrinhas de suposto interesse e presumida eleg\u00e2ncia torna-se necess\u00e1rio buscar os temas, fermentar conceitos, burilar as ideias, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o sou de muita conversa e vivo matutando penso que o post \u00e9 uma maneira razoavelmente eficaz de contar aos outros o que passa na minha cabe\u00e7a. Estou assumindo a hip\u00f3tese de que minhas ideias tem algum valor, ou se n\u00e3o tem, pelo menos gosto de pass\u00e1-las adiante para que gerem alguma pol\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, estaria mentindo descaradamente se dissesse que n\u00e3o espero nada pelo que escrevo. Na impossibilidade de conquistar belas mulheres ou ficar rico escrevendo, contento-me com recompensas intang\u00edveis como alguma visita\u00e7\u00e3o ou um coment\u00e1rio simp\u00e1tico eventual que podem ser resumidas na palavra <em>reconhecimento<\/em>. \u00c0s vezes me pergunto: a publica\u00e7\u00e3o de qualidade gera reconhecimento ou a vontade de reconhecimento gera publica\u00e7\u00f5es de qualidade? Indo al\u00e9m no questionamento me pergunto se continuaria escrevendo este blog sem nenhum tipo de medalhinha digital? Garanto que sim, mesmo que ningu\u00e9m visite, avalie ou comente este post.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/conteudo-digital\/dicas-gerais-para-produtores-de-conteudo\/\">Dicas gerais para produtores de conte\u00fado digital<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/comportamento\/dicas-sinceras-para-autores-de-conteudo-digital\/\">Dicas sinceras para autores de conte\u00fado digital<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/conteudo-digital\/convivendo-com-o-google-ao-produzir-conteudo\/\">Convivendo com o Google ao produzir conte\u00fado<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/comportamento\/a-arte-de-escrever-em-tempos-de-internet\/\">A arte de escrever em tempos de Internet<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/conteudo-digital\/otimizacao-para-youtubers\/\">Otimiza\u00e7\u00e3o para youtubers<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/radames.manosso.nom.br\/palavras\/conteudo-digital\/otimizacao-para-sites-wordpress\/\">Otimiza\u00e7\u00e3o para sites WordPress.<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o advento dos blogs, as pessoas est\u00e3o escrevendo mais, embora pior. 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