Antropoceno, o período em que o homem estragou o planeta

Antropoceno seria o período em que as características geológicas do nosso planeta passaram a sofrer alterações significativas por conta da ação humana. Não se trata de um período geológico oficial; a ideia de cria-lo partiu do Prêmio Nobel de Química Paul Crutzen em 2000, embora outros cientistas já tivessem feito propostas semelhantes bem antes. Paul Crutzen defende que o período Antropoceno iniciou no século XVIII com a invenção da máquina a vapor. Foi nessa época que os humanos começaram a fazer uso intensivo dos combustíveis fósseis e de lá para cá a concentração de gás carbônico na atmosfera aumentou drasticamente. Outros estudiosos defendem que a ação humana passou a causar alterações significativas no planeta desde o desenvolvimento da agricultura há cerca de dez mil anos. Se considerarmos todos os impactos da espécie humana sobre os ecossistemas teríamos que recuar ainda mais no tempo. O crescimento da população de homo sapiens pode estar relacionado com a grande extinção de megafauna após a última glaciação, ocorrida há quase doze mil anos atrás. Nessa linha de raciocínio o período geológico oficial conhecido como Holoceno poderia ser renomeado para Antropoceno já que foi nesse intervalo de cerca de 12.000 anos que a Terra passou a sentir o impacto da presença do homo sapiens.

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Ecologia através de impostos

A Dinamarca é um dos países mais avançados em consciência ambiental. 37% da população de Copenhague utiliza bicicleta em seus deslocamentos diários e, segundo as projeções, essa taxa pode atingir 50% até 2015. Em 2050, a Dinamarca pode se tornar um país livre de combustíveis fósseis, graças a investimentos em fontes de energia alternativas e renováveis. Sem dúvida, é um exemplo a ser seguido. O avanço ambiental desse pequeno país se deve primeiramente à consciência de sua população, mas também a uma política de impostos agressiva. Na Dinamarca, 60% do valor de um automóvel é imposto. A conclusão a que podemos chegar é que proteção ambiental se faz de duas formas: uma positiva baseada em altruísmo e boa vontade e outra impositiva, feita sob pressão colocando a mão no bolso das pessoas. O ecologismo imposto, porém, não se resume a imposto.

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O ecologismo apocalíptico contra o desenvolvimentismo predatório

Até bem pouco tempo o ecologista era um espécimen marginalizado pela sociedade, dominado por sentimentos de culpa e dado a profetizar o fim dos tempos. Ninguém levava a sério os ecologistas exceto outros ecologistas. O ecologista se sentia impotente para transformar o mundo na direção de uma civilização sustentável, pois não era ouvido, não encontrava fórum para se manifestar e tinha poucas alternativas viáveis a propor. Em função disso, o ecologista era um depressivo que carregava sozinho a culpa pelos males ambientais de sua espécie. Para esse ecologista dos primeiros tempos a humanidade caminhava para um apocalipse ambiental com direito às piores catástrofes que a mãe natureza enfurecida poderia criar. Bucólicos, idealistas, sonhadores, ingênuos, esses adjetivos eram usados pelos desenvolvimentistas para rotular os ecológicos da primeira geração.

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Bombril é ecológico?

Até alguns dias atrás era possível ver na TV uma campanha publicitária em que faziam uma comparação ambiental entre a esponja de aço Bombril e as esponjas sintéticas. O milenar garoto propaganda Carlos Moreno alertava que o Bombril é ecológico, ao contrário das esponjas sintéticas que, além de não serem biodegradáveis, acumulam bactérias. A propaganda foi retirada do ar por decisão do CONAR que acatou as queixas de alguns fabricantes de esponjas sintéticas.

Não existe produto absolutamente ecológico. O adjetivo ecológico é sempre relativo e só o que podemos dizer é que um produto é mais ecológico que outro. Imagine dois carros da mesma marca e modelo: um abastecido com etanol e outro com gasolina. O carro que roda com etanol é o mais ecológico e pronto, mas ambos perdem de longe para uma bicicleta quando o assunto é impacto ambiental.

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A parte mais importante do corpo

Este post é sobre tratamento de resíduos, mas vou começá-lo com uma fábula infame.

Certa vez, enquanto o corpo dormia, as partes se reuniram para eleger o presidente do corpo. Imediatamente, alguns candidatos naturais surgiram. O cérebro disse que pensava em tudo e por isso devia ser o presidente. O coração explicou que não parava um minuto. A reunião corria em alto nível até que lá de baixo surgiu um novo candidato: o ânus. Foi a maior gargalhada. Os olhos chegaram a lacrimejar de tanto rir. Ninguém deu crédito à candidatura do ânus e, indignado, ele entrou em greve. Fechou-se de um jeito, que por muitos dias nada saiu ou entrou por ali. Com a greve do ânus, o corpo começou a passar mal. O cérebro começou a ter dores de cabeça, os olhos ficaram embaçados e o coração teve taquicardia. Convocaram ma reunião de emergência e todas as partes do corpo tiveram que concordar em aceitar a candidatura do ânus, para que ele suspendesse a greve e liberasse a evacuação dos resíduos. Quem ganhou a eleição não vem ao caso, mas ficou claro desde então que todas as partes de um organismo têm sua importância e uma não vive sem a outra.

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