O que minha avó faria nessa hora?

“Filha, tire o frango do freezer e coloque no microondas para descongelar.” Ouvi essa frase de uma mulher que passou por mim na rua falando ao celular. Poucas, densas palavras capazes de desencadear uma longa reflexão, talvez inspirar uma monografia, mas que vão render mesmo é este simplório post. Como de costume, pensei: o que minha avó faria no lugar da mulher? Já que vovó Sofia não tinha sequer telefone fixo teria que recorrer a um recurso antigo, mas infalível: o planejamento. Ela diria à sua filha Helena (minha mãe) na noite anterior: “Filha, amanhã vou sair. Mate uma galinha e limpe para eu fazer quando voltar.” Solução just in time que dispensa o telefone e que nos leva à  conclusão número 1: gadgets de alta tecnologia são comodidade e não necessidade. As galinhas da minha avó iam sem escalas do poleiro para a panela, o que nos leva à conclusão número 2: fazer estoque quase sempre é antiecológico. A minha mãe, no seu tempo, agiria diferente. Como D. Helena não acreditava em carne congelada, nem criava galinhas, provavelmente passaria no açougue na véspera e deixaria a galinha na geladeira. Essa solução envolve estoque e energia para manter a carne refrigerada, mas é melhor do que o congela descongela da mulher do celular.

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10 coisas que você pode fazer pelo meio ambiente

Essas, você pode fazer sem esperar pelo governo, pela grande conscientização do povo, por leis mais severas, etc., etc.

  1. Não imprima. Leia na tela do micro, ora. Não vale dizer que só consegue ler aquilo que você pega nas mãos. Isso é fetiche.
  2. Recuse aquelas sacolas que as lojas oferecem porque elas vão virar lixo assim que você chegar em casa. Põe na bolsa, no bolso, leve na mão ou traga uma sacola de pano de casa, uai.
  3. Prefira um carro flex. Se o seu carro já é flex, abasteça com álcool, que não aumenta o aquecimento global e costuma ser mais barato. Ah, e compre um carro suficiente para a sua necessidade. O que são aquelas caminhonetes gigantes rodando em centro de cidade e consumindo duas vezes mais combustível do que um carro urbano médio.
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O que eu fiz

Por favor, não interpretem essa página como exibicionismo, até porque minhas ações não são espetaculares. Encarem apenas como um exemplo ilustrativo de como cada um pode praticar ações concretas em favor do meio ambiente a partir de seu cotidiano. Quando o protocolo de Kyoto criou a idéia dos créditos de carbono, pensei que esse conceito poderia ser expandido para créditos ambientais em geral. Nesta página, eu faço uma contabilidade de créditos e débitos ambientais da minha família.

Somos animais poluentes. Como temos um padrão de vida de classe média, somos mais poluentes do que muita gente. Minha formação em engenharia química me dá certa facilidade para entender as questões ambientais, mas confesso que por muito tempo em minha vida não tive uma conduta ambiental ativa. Com o aumento da discussão em torno do efeito estufa, porém, eu comecei a pensar mais no assunto e percebi que é possível fazer muita coisa desde que você fixe objetivos, tenha persistência e mude hábitos. Notei que pequenas alterações no meu cotidiano podem trazer redução significativa dos danos ambientais que são da minha responsabilidade. Nesta página, eu pretendo deixar registrado iniciativas tomadas e o seu impacto ambiental. Espero que algumas pessoas encontrem nelas boas idéias e inspiração para tomarem iniciativas semelhantes.

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É o fim da picada

Em nosso cotidiano vemos diariamente muitas agressões ao ambiente. Vamos falar sobre algumas que se destacam por serem o fim da picada ambiental. Seria cômico, não fosse trágico.

Lavagem da calçada

Pessoas práticas concordam que uma calçada varrida é uma calçada limpa. Desculpem-me os obcecados por limpeza, mas lavar calçadas é uma necessidade duvidosa que a cada dia fica mais ridícula. Mas o fim da picada mesmo é fazer essa lavagem com requintes de incorreção. Veja o roteiro e pense se isso já aconteceu perto de você. Primeiro a pessoa empurra as folhas e o lixo da calçada para a sarjeta da rua com o jato da mangueira.  Em seguida, aplica um produto agressivo como cloro ou ácido muriático para deixar a calçada bem clarinha. Depois lava a calçada com detergente e empurra a espuma para a sarjeta, sempre usando o jato da mangueira, claro. Dessa forma, se consegue consumir muita água tratada e entupir a sarjeta com lixo, além de lançar produtos químicos agressivos e detergente na rede de águas pluviais.

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Impacto ambiental total

Considere a seguinte situação: você compra duas canecas de louça e as leva para o escritório onde trabalha. De agora em diante, você vai usar uma caneca para tomar água mineral e outra para café. Parabéns. Em dois anos você deixará de mandar para o lixo pelo menos 1000 copos descartáveis. Economia para a empresa e consciência tranqüila para você. Uma mudança de hábito desse tipo à primeira vista parece irrefutavelmente ecológica. Só que até aqui consideramos apenas uma etapa do processo, aquela que acontece à vista do consumidor. Vamos olhar a cadeia de ações de forma mais abrangente, pois para a natureza só interessa o global.

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