Calçada pública de granito para bacanas

No início de 2013 os curitibanos foram surpreendidos com uma obra pública para lá de estilosa. A revitalização em andamento da Rua Bispo Dom José previa a pavimentação de 5.000 metros de calçada com pranchas de granito. Localizada no bairro nobre do Batel, a calçada de granito deixou indignados muitos curitibanos entre os quais me incluo. Curitiba é mal servida de calçadas. Em muitas ruas elas são precárias, esburacadas e irregulares. Em outras, sequer existe calçada e, por isso, surpreende a decisão da administração do ex-prefeito Luciano Ducci de pavimentar uma rua com granito, revestimento nobre e caro. O novo prefeito Gustavo Fruet interveio e decidiu manter o granito apenas nos 1.000 metros já instalados. Nos demais 4.000 metros da obra serão utilizados lajotas de concreto (paver), o mesmo pavimento usado nos demais bairros da cidade.

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Caminhar no parque é ecológico?

Não há dúvida que as áreas verdes melhoram a qualidade de vida na cidade. Elas reduzem o calor excessivo gerado pelo concreto e asfalto; diminuem a poluição sonora; servem de abrigo para animais da região; têm um ótimo efeito paisagístico; servem ao lazer da população; enfim as áreas verdes são ótimas para os habitantes da cidade, mas seriam úteis à preservação do meio ambiente? Vamos por partes.

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Poluição do ar é coisa de pobre

A cidade com o ar mais poluído é Ahvaz no Irã, seguida por Ulan Bator, capital da Mongólia, e por Sanandaj também no Irã. Considerando as 50 cidades com pior concentração de material particulado, observamos que a maioria está localizada na Ásia (47) e três estão na África. Os dados são da OMS (Organização Mundial de Saúde) que divulgou seu relatório 2011 sobre a poluição do ar em mais de 1000 cidades ao redor do mundo.

Dezessete áreas brasileiras constam no relatório.  A lista a seguir mostra a posição das cidades brasileiras no ranking mundial e a concentração média anual de material particulado de cada uma.

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Ecologia através de impostos

A Dinamarca é um dos países mais avançados em consciência ambiental. 37% da população de Copenhague utiliza bicicleta em seus deslocamentos diários e, segundo as projeções, essa taxa pode atingir 50% até 2015. Em 2050, a Dinamarca pode se tornar um país livre de combustíveis fósseis, graças a investimentos em fontes de energia alternativas e renováveis. Sem dúvida, é um exemplo a ser seguido. O avanço ambiental desse pequeno país se deve primeiramente à consciência de sua população, mas também a uma política de impostos agressiva. Na Dinamarca, 60% do valor de um automóvel é imposto. A conclusão a que podemos chegar é que proteção ambiental se faz de duas formas: uma positiva baseada em altruísmo e boa vontade e outra impositiva, feita sob pressão colocando a mão no bolso das pessoas. O ecologismo imposto, porém, não se resume a imposto.

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Curitiba: a capital mais motorizada do Brasil

Meu inconsciente curitibano insiste em ver Curitiba como a capital com as melhores soluções de transporte coletivo do Brasil. No horário eleitoral gratuito vejo o prefeito Beto Richa, que disputa a reeleição, falar sobre o que fez e o que quer fazer em favor do transporte coletivo. Em um desses programas pude ouvir os prefeitos de Londres e Chicago em visita à nossa capital elogiando as virtudes do nosso transporte coletivo. A questão é que em paralelo ao desenvolvimento do nosso transporte público, estamos vendo o aumento descontrolado dos veículos particulares. Em 2008 a frota curitibana ultrapassou 1 milhão de veículos. A última estatística aponta Curitiba como a capital brasileira com a maior proporção de carros por habitante. Temos 489 veículos para cada 1.000 habitantes, o que dá praticamente um veículo para cada duas pessoas. Em alguns bairros de maior renda existe mais veículo do que gente.

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