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Meu minimalismo: desapego

Raramente alguém nasce minimalista ou é educado pela visão minimalista. O normal atualmente é a pessoa tornar-se minimalista. E não há idade ideal para isso acontecer. Os jovens de hoje estão mais suscetíveis ao minimalismo porque como é típico dos jovens reagem a uma situação degradada que recebem das gerações mais velhas. Os jovens têm visão crítica em relação ao consumismo e grandes preocupações ambientais. As pessoas maduras, por sua vez, sentem a necessidade de mudar velhos hábitos pela melhoria da qualidade de vida.

Aí entra a palavra chave para o sucesso do minimalismo: desapego. Para deixar um estilo de vida para trás onde o normal é ostentar, acumular e estocar o desapego é fundamental. Acredito que a necessidade de acumular vem de um instinto primitivo de sobrevivência. Mas convenhamos, a vida moderna está organizada de tal forma que hoje ninguém precisa se precaver para o inverno enchendo a caverna com alimentos.

Paisagem rural
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Meu minimalismo: o que é

Não sei bem o que é, mas vou dar a minha versão. Minimalismo é uma filosofia prática, orientada para a conduta cotidiana. De certa forma, é uma reação ao modo de vida adotado por muitas pessoas, inclusive eu no passado, a um estilo de vida consumista que tem gerado mais frustração do que bem-estar e que se não for deixado de lado nos levará ao colapso pelo esgotamento dos recursos naturais.

Para mim, a visão de mundo de cada um é condicionada pela sua experiência de vida e, por isso, deixem-me partir de um exemplo familiar. Meu avô Lourenço era sapateiro, ganhou a vida consertando sapatos. Embora ainda existam alguns sapateiros por aí, a maioria das pessoas atualmente prefere descartar os sapatos gastos em vez de consertá-los. Além disso, mantêm uma coleção de sapatos muito maior do que precisam para viver. Minhas avós e minha mãe tinham máquina de costura em casa, sabiam usá-la e faziam reparos nas roupas da família até onde dava. Meu pai nunca teve carro, não sabia dirigir e viveu bem até os 86 anos.

Flor saudade Neomarica caerulea
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Para que serve a Matemática?

Esses dias, meu filho me perguntou para que serve a Matemática? Por coincidência, a pergunta veio depois de uma nota baixa no boletim do primeiro trimestre. Fiquei sem resposta. Melhor: preferi não dar nenhuma das respostas padronizadas que me vieram à cabeça, pois a pergunta dele era retórica, praticamente um desabafo que precisava apenas ser ouvido e não contestado.

Fita de Moebius

 

Obviamente, a Matemática serve para muitas coisas e não me refiro à situações práticas como calcular usando uma trena quantos galões de tinta vão ser gastos para pintar a casa. Matemática forma o caráter, pois para estudá-la é preciso cultivar virtudes como a paciência e a dedicação. A matemática nos ensina a não depender de recompensas imediatas, já que seus frutos são colhidos a longo prazo. Pela Matemática entendemos o que é progressão do conhecimento. A Matemática estimula o desenvolvimento de competências externas a ela mesma como operar em níveis altos de abstração. Em outras palavras, a Matemática pode ajudá-lo a tomar decisões complexas e a prever cenários. A Matemática fortalece o intelecto e poderia ser toscamente comparada à uma ginástica cerebral. Enfim, a Matemática é repleta de utilidades não matemáticas.

Para os matemáticos, porém, o questionamento sobre a utilidade da Matemática é totalmente inútil. Utilidade? Como assim? O conhecimento é um fim em si, dirão, não requer utilidade para ser buscado. Basta ao matemático a maravilhosa sensação da descoberta dos mistérios dos números. Além disso, o conhecimento matemático é uma experiência estética. Sim, a Matemática é bela e a beleza só é bela na maioria dos casos porque é matemática. Por fim, a Matemática é mística. Galileu dizia que a Matemática é a linguagem usada por Deus para escrever o mundo.

Diante disso tudo, para que procurar utilidade para a Matemática? Talvez, eu não consiga com esses argumentos melhorar a relação do meu filho com os números e nem há razões para forçar essa aproximação. O mundo não funcionaria se todos tivessem os mesmos interesses. É matemático: precisamos de sociodiversidade.