Orgulho e indignação de um atleticano

Sou atleticano e tenho assistido indignado pela TV as notícias que colocam em dúvida a realização de jogos da Copa 2014 em Curitiba. Mas como se até alguns anos atrás a Arena da Baixada era considerada o estádio mais moderno do Brasil e bastariam algumas adaptações para deixa-la no padrão FIFA? O estádio do Atlético deveria ser o primeiro a ficar pronto para a Copa 2014 e com o menor custo. Nos últimos dias, porém, tenho visto com desgosto a repercussão negativa nacional e internacional dos atrasos na conclusão da Arena.

Não sou um torcedor fervoroso. Futebol é um esporte que acompanho sem fanatismo, mas me orgulho de ter apenas três times desde a infância: o Iguaçu (time amador de Curitiba), o Atlético Paranaense e a seleção brasileira. Sou, portanto, curitibano, paranaense e brasileiro no quesito futebol. O Atlético Paranaense, digam o que quiserem, é um time que supera as expectativas. Em anos recentes esteve sempre em posição de destaque: conquistou o Campeonato Brasileiro da primeira e da segunda divisão, disputou várias edições da Libertadores indo inclusive à final, ganhou campeonatos estaduais, foi à final da Copa do Brasil, enfim, um time que vai longe considerando as dificuldades que enfrenta. Para quem não conhece a geopolítica esportiva do Paraná, vale saber que o Atlético não tem abrangência estadual de torcida como acontece com times do Rio Grande do Sul ou de Minas Gerais, além disso, não pertence ao grande eixo Rio – São Paulo. Apesar das condições, o Atlético ocupa lugar de destaque entre as equipes nacionais.

Paulo Baier

Alegrias em campo e decepções fora do gramado. Ao longo do ano passado, a imprensa noticiou várias irregularidades nas obras do estádio do clube que provocaram uma série de atrasos. No final de 2013, a torcida organizada do Atlético foi manchete nacional pela truculência. Em Joinville, jogando contra o Vasco integrantes da Fanáticos exibiram uma violência deplorável nas arquibancadas de um estádio onde as autoridades não tomaram as providências necessárias para garantir a segurança. Alguns dias mais tarde, recebemos a notícia de que a direção do clube não renovou o contrato com o capitão do time e ídolo da torcida Paulo Baier desonrando a palavra dada ao jogador.

2014 começou para o Atlético sem o maestro Paulo Baier, com o time penalizado pela CBF graças à selvageria ocorrida em Joinville, com alguns torcedores presos e outros hospitalizados e com as obras do estádio atrasadas a ponto de acender o sinal vermelho da FIFA. Os atleticanos merecem esse cenário desolador? Como disse, não sou um torcedor fanático e os bandidos infiltrados na torcida organizada não me representam. Infelizmente, ainda não chegou o dia em que as autoridades brasileiras vão enquadrar as torcidas organizadas.  Torcida não é organização paramilitar para abrigar vagabundos desajustados. Se não houver maneira de civilizar as torcidas organizadas, que sejam extintas de vez.

Esta semana ouvi a notícia de que a Suécia desistiu de sediar as olimpíadas de inverno 2022 alegando que teria prioridades maiores para cuidar como a educação e a saúde. Parece que as pessoas mais esclarecidas estão acordando para a realidade de que sediar mega eventos não é a prioridade. Ok, o Brasil decidiu fazer a Copa, então vamos fazê-la bem feita com legado ou “largado”. Tenho fé que as obras da Arena serão concluídas a tempo, apesar de toda a incompetência que gerou esse “case” de má administração. O clube, a prefeitura e o governo do estado se acusam mutuamente e não se entendem. Apesar dessa bateção de cabeças, tenho esperança de que o Brasil vai fazer a melhor copa de todos os tempos e que Curitiba vai fazer bonito, porque agora é hora de unir forças, mas depois da Copa espero ver as responsabilidades apuradas. Quanto a dirigentes que não cumprem a palavra dada e que sem cerimônia substituem ídolos do bem por jogadores de histórico duvidoso, o dia deles vai chegar. O Atlético é dos atleticanos, não é propriedade particular de cartolas personalistas, corruptos e sem caráter. O Paulo Baier me representa, P. Tralhas, não.

As exigências da Fifa são absurdas?

Com a aproximação da Copa 2014 no Brasil o estresse sobe na mesma proporção em que as cobranças aumentam. Tem gente por aí dizendo que a Fifa faz exigências insanas ao governo brasileiro e que não deveríamos atender todas elas. Quem manda no Brasil são os brasileiros, dizem alguns; outros argumentam que muitos investimentos exigidos pela Fifa só vão trazer vantagem para os torcedores estrangeiros sem deixar um legado para os nativos que continuarão habitando o país depois da final da Copa. Algumas das exigências da Fifa chamaram a minha atenção e me fizeram escrever esse post já que tratam de peculiaridades da nossa cultura.

Meia entrada. A Fifa não quer saber dessa história de meio ingresso para estudantes e idosos. Para ser franco eu concordo com a Fifa e digo que ter dois preços para entretenimento é um paternalismo que podia ser arquivado junto com todos os políticos populistas que fingem lutar pelos fracos e oprimidos. Por que não unificar o preço do ingresso pela média entre meia entrada e entrada inteira que eu prefiro chamar de entrada em dobro? Eu já fui estudante e hoje tenho dois filhos estudantes. Além disso, meu cartão de crédito me permite comprar meio ingresso em muitos casos. mas independente dessas regalias familiares, entendo que não é justo um estudante de família rica pagar menos do que um trabalhador pobre.

Vaga para idoso. A Fifa é contra as vagas exclusivas para idosos em estacionamentos dos estádios. Nessa questão estou dividido. Fico de saco cheio toda vez que não encontro vaga normal para estacionar e vejo as vagas para idosos desocupadas. O pior é que tem idoso que prefere a vaga normal em vez da que lhe é reservada pela lei. Por outro lado, faz sentido permitir que idosos estacionem mais próximo dos acessos. Talvez a Informática pudesse nos ajudar nessa hora. Os idosos motoristas poderiam reservar vagas pela Internet antes de irem ao estádio. Dessa forma, chegando lá encontrariam sua vaga reservada sem gerar espaços ociosos em estacionamentos disputados.

Bebida alcoólica nos estádios. A Fifa quer liberar o álcool nos estádios (desde que seja fornecido pelos patrocinadores oficiais, claro). Eu já passei da época em que precisava de álcool no sangue para ser feliz, mas não vejo problema em tomar uma cerveja enquanto vejo o jogo. Será que o torcedor brasileiro já está preparado para essa liberdade? A lei seca durante eleições, por exemplo, já foi abolida em muitas cidades. Se o cidadão pode tomar um trago antes de votar, por que não poderia provar uma loira gelada durante o jogo? A regra não vale para quem se transforma em troglodita assim que vira um copo, mas cedo ou tarde temos que amadurecer, não é mesmo?

Venda casada. A Fifa quer vender apenas pacotes de ingressos para a Copa em vez de ingressos avulsos. Para o Código Brasileiro do Consumidor isso é venda casada. Bem, nesse caso, senhores da Fifa, acho que nós brasileiros temos alguma coisa a lhes ensinar, pois venda casada é coisa de república de bananas.