História da minha vida privada

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  1. Linha telefônica era investimento declarado no Imposto de renda.
  2. Cheque só era descontado na agência do emitente.
  3. Cinto de segurança era opcional, quando tinha.
  4. Fotografia era em filme de 24 poses que durava toda a viagem de férias.
  5. Linha telefônica fixa tinha espera de três anos e custava R$ 10.000,00 (valor atualizado).
  6. Postos de gasolina não podiam funcionar aos domingos ou a noite. Para economizar petróleo importado.
  7. Pesquisa era feita em dicionário, enciclopédia e lista telefônica. Tinha que saber ordem alfabética.
  8. Despertador precisava dar corda todo dia. Tinha que saber ler mostrador analógico.
  9. O leite era entregue em casa pelo leiteiro.
  10. Carro era só a gasolina e tinha umas coisas tensas como afogador, carburador e platinado.
  11. Entrava-se no ônibus pela porta de trás e a saída era pela frente.
  12. Ônibus saia do bairro e parava no centro. Terminal, estação tubo, integração, bi articulado, canaleta? Vai sonhando.
  13. Carteira de identidade era batida na máquina de escrever.
  14. Compras chiques em Curitiba eram feitas na Rua XV de Novembro ou nas galerias (Suíça, Ritz).
  15. As bolinhas de pinheirinho de natal eram de vidro bem fino.
  16. Fumava-se em qualquer lugar, mas havia pequenos espaços para não fumantes.
  17. Havia três emissoras de TV aberta. E só tinha TV aberta.
  18. Não tinha teste de bafômetro. Não havia bafômetro
  19. As emissoras de TV começaram a transmitir às 15h e encerravam a programação antes da  da meia noite. O resto do tempo era chuvisco.
  20. As rádios tinham programas especiais para gravar músicas em casa na fita cassete.
  21. No banco não tinha fila única, nem senha, nem assentos para esperar sentado. Era uma fila para cada guichê. A sua era sempre a mais demorada.
  22. O voto era em papel e o resultado saia em poucos dias.
  23. Cinemas eram espalhados pelo centro, não em shopping. Não havia shopping.
  24. No armazém, o valor de cada item era digitado na caixa registradora ou somado na ponta do lápis, que era guardado na orelha do vendedor.
  25. Vestibular era sem cotas.
  26. Não tinha TCC no final do curso.
  27. Seringa de injeção era de vidro não descartável. Quase nada era descartável.
  28. Não tinha horário de verão.

Veja também: Todos os países do mundo em Excel

Baixe a planilha com dados de todos os países e territórios autônomos do mundo. Download Assista ao vídeo com a análise dos dados da planilha.

Coisas que entregam a idade

Cuidado com algumas coisas que realmente entregam como:

Dizer: Sou do tempo em que …
Usar camiseta por dentro da calça.
Adicionar um amigo no MSN.
Chamar o PT de partido de esquerda.
“Discar” um número de telefone.
Ter foto com paletó e gravata na carteira de identidade.
“Puxar” a descarga do banheiro.
Contar que assistiu a estreia de Robocop (o original).
Lembrar dos afluentes da margem direita do rio Amazonas.
Fazer prestação com cheque pré datado.
Saber para que servia DIR, DEL e FORMAT.
Lembrar de jogos do Paraná Clube na primeira divisão.
Ter algum documento batido à máquina.
Chamar um homem para virar o galão de água mineral.
Ter ficado forte tomando Biotônico Fontoura.
Achar que bicicleta e ônibus são transporte de pobre.
Fazer compra do mês antes que os preços subam (ops, essa talvez não).
Sentir saudades da seleção do Dunga (o Dunga capitão).
Ter diploma do curso de datilografia.
Saber quem matou Salomão Ayala.
Usar a calça na linha da cintura sem mostrar a cueca.
Ter ação na justiça contra os planos Collor, Bresser, etc.

FUSCA

Habilidades obsoletas combatem o sedentarismo mental

Quem nunca ouviu a frase: “Esses jovens de hoje em dia são tão inteligentes.” Realmente, a garotada de hoje é mais bem nutrida, passa mais tempo na escola e têm mais acesso à informação, mas a impressão de que eles são mais inteligentes se deve principalmente ao domínio que eles têm da tecnologia digital. Se olharmos mais atentamente, porém, vamos perceber que os jovens não podem ser considerados mais habilidosos de que seus pais; não há como estabelecer essa comparação porque os jovens desenvolvem habilidades diferentes das que seus pais dominam. Felizmente, para a nova geração, as habilidades em que eles se sobressaem são mais úteis para a vida moderna. Nem poderia ser diferente, a sociedade se encarrega de estimular competências necessárias à realidade do momento. Quem é da velha guarda não precisa cair na fossa negra da depressão; as velhas gerações também são proficientes em muitos pontos, embora muitas dessas habilidades de velho sejam de pouca utilidade em um mundo que se transforma rapidamente. Em cada época somos cobrados por habilidades diferentes. O tempo passa e algumas habilidades tornam-se obsoletas, enquanto que outras passam a ser valorizadas. Vamos exemplificar lembrando de algumas habilidades simples que os jovens de hoje estão perdendo rapidamente.

longines column wheel chronograph

  • Ler as horas em relógios de ponteiro. Com a profusão dos mostradores digitais, a capacidade de ler instrumentos com escalas analógicas está se tornando uma raridade. Pior se o relógio mostrar algarismos romanos ou se tiver apenas risquinhos indecifráveis.
  • Consultar listas em ordem alfabética. Poucos jovens conseguem consultar um dicionário impresso ou encontrar rapidamente seu nome em uma lista de aprovados no vestibular pelo simples fato de que já não dominam a organização de dados em ordem alfabética. Os computadores que encontram tudo rapidamente tornaram essa habilidade desnecessária.
  • Escrever à mão com letra cursiva. A escrita manual está se tornando rara em um mundo dominado por teclados. Imagine a dificuldade para encontrar alguém que tenha uma bela caligrafia cheia de personalidade.
  • Fazer contas de cabeça. As quatro operações aritméticas básicas ainda são ensinadas na escola, mas com objetivo de estimular o raciocínio e não por necessidade prática desse mundo repleto de calculadoras.
  • Escrever nos rigores da ortografia oficial. Dominar a ortografia do idioma materno é uma habilidade em declínio considerando que processadores de texto e navegadores de Internet contam com verificação ortográfica, sem falar na liberalidade do internetês.

Se você, caro leitor, domina as habilidades obsoletas acima não sinta-se velho; vamos lembrar de algumas habilidades do mundo da Informática que também já entraram para o rol das velharias digitais:

  • Operar computador por linha de comando. Tirando alguns xiitas do Linux, ninguém quer saber de digitar DIR para ver a lista de arquivos do computador.
  • Dominar recursos avançados do Office. Você cria documentos usando modelos e tópicos do Word? Cria macros no Excel? Parabéns, mas o que fazer com isso na era do Google Docs?
  • Criar um website. Houve um tempo em que ter um site na Internet era o must, só que o Facebook dominou geral.

Se voltássemos no tempo até a época de nossos avós, provavelmente nos sentiríamos inúteis em um mundo com necessidades totalmente diferentes. Nossos avós diriam que tablet é coisa do diabo, mas eles sabiam das coisas. Quem hoje em dia saberia fazer geleia a partir da fruta, macarrão a partir do trigo ou extrato começando pelo plantio do tomate. Meu avô Napoleão, que era praticamente analfabeto, eu considero um engenheiro informal. Ele construiu um moinho de roda d’água e uma serraria com as próprias mãos. Minha avó Judite sabia fazer pão, queijo, vinho e salame, coisas que as mocinhas de hoje pensam que crescem nas prateleiras do supermercado.

Tudo bem que não vale a pena ficar de nostalgia com as habilidades necessárias no passado, mas alguns estudiosos acham que várias dessas habilidades obsoletas são úteis para a saúde da mente. O computador estaria assumido muitas funções do cérebro humano levando as pessoas ao sedentarismo mental. Na vida moderna, a caminhada foi substituída pelo automóvel e as contas de cabeça foram eliminadas pela calculadora. Algumas pessoas estão fazendo o caminho de volta dando preferência a uma boa caminhada sempre que possível para manter a boa forma física. Não seria o caso de trazermos de volta algumas habilidades mentais que a vida moderna nos fez abandonar?

Faz o que na vida? Mexo com Internet

Talvez você, caro leitor, também tenha dificuldades para explicar à sua tia Maricota lá do interior o que você faz na vida. Eu já me acostumei à resposta padrão da minha área:

— Mexo com Informática, Internet, essas coisas de computador, entende?

Depois da resposta, logo me perguntam se faço programas. Respondo que já não tenho idade para essas coisas e que meu trabalho tem a ver com educação.

— Ah, você dá aulas pela Internet.

— Não, exatamente. Na verdade, produzo conteúdos e ferramentas para educação na Internet.

— Escreve livros didáticos?

— Não é bem isso.

— Ferramentas para algum tipo de manutenção?

— Mais ou menos. Tem a ver com arquitetura de informação.

— Ah, claro, você é engenheiro, né?

No futuro provavelmente serei eu quem terá dificuldades para entender o que meus sobrinhos farão. Eles, por sua vez, terão problemas para compreender o que eu fazia. Tudo bem, cada um entende as coisas da sua geração e olha lá. Profissões surgem e desaparecem como estrelas cadentes. Meu avô paterno era moleiro e até onde eu sei atualmente os grãos são moídos em grandes fábricas que não lembram em nada o moinho de roda d’água do nono. Meu avô materno era sapateiro. Ele consertava sapatos, vê se pode. Qualquer criança entende que quando um sapato estraga a gente compra outro. Meu pai era alfaiate, aquele profissional que fazia ternos sob medida. Hoje em dia todos sabem que ternos dão em lojas. Minha filha está estudando engenharia de bioprocessos. Deve ser alguma coisa que mexe com aqueles bichinhos bem pequenos que só enxergamos pelo microscópio.