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Dez habilidades da mulher moderna

As mulheres estão ampliando a cada dia seu espaço na sociedade. Elas estão nas faculdades, nas empresas e na política. As diferenças sociais entre homens e mulheres diminuem a olhos vistos, porém alguns resíduos da cultura machista persistem nos dias atuais. Não estou falando de homens mas de mulheres machistas que ainda consideram algumas atividades como coisa de homem. Dizem que as mulheres precisam se dividir em duas ou três durante o dia: a mãe, a profissional, a esposa, etc. Eu diria que elas precisam assumir mais alguns papeis para fechar o ciclo de independência feminina e da igualdade entre os sexos. Apresento aqui dez habilidades esperadas de uma mulher contemporânea.

  1. Mecânica. A mulher moderna é capaz de resolver problemas do carro como trocar um pneu ou um fusível queimado. Ela entende um pouco de mecânica e mesmo que não ponha a mão na massa consegue falar de igual para igual com o mecânico. Assim, não é enrolada, pois sabe diagnosticar se o problema do carro que não pega está na bateria, no alternador ou no motor de arranque.
  2. Informática. Mulher moderna instala software, formata o HD, gerencia pequenas rede e faz backup. Ela domina o processador de texto, monta planilhas e cria apresentações, além de circular bem pela mídias sociais e baixar aplicativos no celular.
  3. Eletricidade. Fazer pequenos reparos na rede elétrica em casa, como trocar a resistência do chuveiro ou descobrir porque o disjuntor está desarmando são tarefas que não assustam a nova mulher.
  4. Hidráulica. Se a torneira está pingando ou o sifão está entupido a mulher maravilha entra em ação e resolve a parada.
  5. Civil. Mulher com M é capaz de fazer pequenos reparos de alvenaria, carpintaria, marcenaria e pintura na casa.
  6. Jardinagem. Espera-se que ela saiba cuidar das plantas sabendo em que época elas florescem, se precisam de sombra ou de sol e que saiba fazer uma horta doméstica.
  7. Contabilidade. A nova mulher controla as despesas da família no Excel, usa o internet banking, faz a declaração de imposto de renda e conhece a burocracia do estado brasileiro.
  8. Saúde. A mulher de hoje tem noções sobre prevenção às doenças, atende pequenas emergências do cotidiano e sabe tomar as providências para garantir a saúde das pessoas próximas.
  9. Culinária. A mulher contemporânea vai à cozinha sem sentimento de culpa, se vira com refeições triviais e, quem sabe,  pode preparar um prato especial para as visitas.
  10. Prendas domésticas. A mulher de hoje é independente e consegue fazer tudo que sua avó fazia como pregar um botão na camisa ou fazer uma geleia.

Caso você seja uma leitora, a esta altura pode estar pensando: “Nada disso me diz respeito”. Nesse caso, tente responder a quem compete essas tarefas. Não vale dizer que ficam por conta do maridão. Lembre que o marido moderno precisa de tempo para frequentar academia e ir ao salão cuidar da sua aparência de metrossexual. Algumas privilegiadas talvez prefiram pagar para que profissionais especializados façam cada uma dessas coisas que é possível fazer em casa com as próprias mãos, mas estamos falando de independência e autonomia. Além disso, no futuro próximo será cada vez mais difícil e caro contratar serviços da vida doméstica. De qualquer maneira, será comum ser atendido em casa por mecânicas, encanadoras, jardineiras porque não existe mais essa história de serviço de homem.

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O feminista e o galão de água mineral

Bebedouro de água mineral

Quando acaba a água no bebedouro do escritório não demora até aparecer uma colaboradora pró-ativa para resolver o problema:

— Será que não tem um homem forte nesta sala para virar o galão de água mineral?

Imediatamente, vão surgindo as desculpas:

— Estou com uma séria lombalgia.

— Tenho que terminar esse relatório urgente.

— Cadê o pessoal dos serviços gerais?

Algumas vezes eu já virei o galão, mas antes disso sempre pergunto:

— Será que nenhuma mulher moderna da sala se habilita a executar essa operação braçal?

Felizmente, lá no escritório existem mulheres que viram galão de água mineral. Infelizmente são poucas; a maioria delas ainda torce o nariz diante da tarefa, como se tudo que envolve esforço físico fosse coisa de homem.

Durante quase toda a História, as mulheres realizaram atividades que envolvem esforço físico moderado. Minhas avós, Judite e Sofia trabalhavam na roça, capinavam, tiravam água do poço, tratavam os animais, partiam lenha, debulhavam milho. Essa história de dizer que mulher não pode fazer esforço físico é invenção moderna. Provavelmente, começou no pós-guerra com a proliferação dos aparelhos elétricos de uso doméstico. Com a eletricidade dentro de casa, algumas mulheres passaram a crer na ideia de que o máximo esforço que devem realizar é apertar botões. Juntando essa crença com a lógica da divisão de papéis e tarefas da sociedade industrial criou-se a cultura de que mulher faz algumas coisas e homem faz outras. Homem faz força e mulher faz limpeza. Com honrosas exceções, lá no escritório essa divisão continua em vigor. Uma mulher limpa o galão, passa álcool e um homem forte vira o galão no bebedouro.

Como homem feminista que sou, conclamo essas mulheres saudáveis e saradas das academias a galgarem um novo patamar da libertação feminina. A mulher do século XIX tinha deveres. a mulher do século XX tinha direitos, a mulher do século XXI tem direitos e deveres. Decididamente, a libertação da mulher passa por trocar um pneu e pagar a conta do motel.

Crédito de imagem: Submarino