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Habilidades obsoletas combatem o sedentarismo mental

Quem nunca ouviu a frase: “Esses jovens de hoje em dia são tão inteligentes.” Realmente, a garotada de hoje é mais bem nutrida, passa mais tempo na escola e têm mais acesso à informação, mas a impressão de que eles são mais inteligentes se deve principalmente ao domínio que eles têm da tecnologia digital. Se olharmos mais atentamente, porém, vamos perceber que os jovens não podem ser considerados mais habilidosos de que seus pais; não há como estabelecer essa comparação porque os jovens desenvolvem habilidades diferentes das que seus pais dominam. Felizmente, para a nova geração, as habilidades em que eles se sobressaem são mais úteis para a vida moderna. Nem poderia ser diferente, a sociedade se encarrega de estimular competências necessárias à realidade do momento. Quem é da velha guarda não precisa cair na fossa negra da depressão; as velhas gerações também são proficientes em muitos pontos, embora muitas dessas habilidades de velho sejam de pouca utilidade em um mundo que se transforma rapidamente. Em cada época somos cobrados por habilidades diferentes. O tempo passa e algumas habilidades tornam-se obsoletas, enquanto que outras passam a ser valorizadas. Vamos exemplificar lembrando de algumas habilidades simples que os jovens de hoje estão perdendo rapidamente.

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  • Ler as horas em relógios de ponteiro. Com a profusão dos mostradores digitais, a capacidade de ler instrumentos com escalas analógicas está se tornando uma raridade. Pior se o relógio mostrar algarismos romanos ou se tiver apenas risquinhos indecifráveis.
  • Consultar listas em ordem alfabética. Poucos jovens conseguem consultar um dicionário impresso ou encontrar rapidamente seu nome em uma lista de aprovados no vestibular pelo simples fato de que já não dominam a organização de dados em ordem alfabética. Os computadores que encontram tudo rapidamente tornaram essa habilidade desnecessária.
  • Escrever à mão com letra cursiva. A escrita manual está se tornando rara em um mundo dominado por teclados. Imagine a dificuldade para encontrar alguém que tenha uma bela caligrafia cheia de personalidade.
  • Fazer contas de cabeça. As quatro operações aritméticas básicas ainda são ensinadas na escola, mas com objetivo de estimular o raciocínio e não por necessidade prática desse mundo repleto de calculadoras.
  • Escrever nos rigores da ortografia oficial. Dominar a ortografia do idioma materno é uma habilidade em declínio considerando que processadores de texto e navegadores de Internet contam com verificação ortográfica, sem falar na liberalidade do internetês.

Se você, caro leitor, domina as habilidades obsoletas acima não sinta-se velho; vamos lembrar de algumas habilidades do mundo da Informática que também já entraram para o rol das velharias digitais:

  • Operar computador por linha de comando. Tirando alguns xiitas do Linux, ninguém quer saber de digitar DIR para ver a lista de arquivos do computador.
  • Dominar recursos avançados do Office. Você cria documentos usando modelos e tópicos do Word? Cria macros no Excel? Parabéns, mas o que fazer com isso na era do Google Docs?
  • Criar um website. Houve um tempo em que ter um site na Internet era o must, só que o Facebook dominou geral.

Se voltássemos no tempo até a época de nossos avós, provavelmente nos sentiríamos inúteis em um mundo com necessidades totalmente diferentes. Nossos avós diriam que tablet é coisa do diabo, mas eles sabiam das coisas. Quem hoje em dia saberia fazer geleia a partir da fruta, macarrão a partir do trigo ou extrato começando pelo plantio do tomate. Meu avô Napoleão, que era praticamente analfabeto, eu considero um engenheiro informal. Ele construiu um moinho de roda d’água e uma serraria com as próprias mãos. Minha avó Judite sabia fazer pão, queijo, vinho e salame, coisas que as mocinhas de hoje pensam que crescem nas prateleiras do supermercado.

Tudo bem que não vale a pena ficar de nostalgia com as habilidades necessárias no passado, mas alguns estudiosos acham que várias dessas habilidades obsoletas são úteis para a saúde da mente. O computador estaria assumido muitas funções do cérebro humano levando as pessoas ao sedentarismo mental. Na vida moderna, a caminhada foi substituída pelo automóvel e as contas de cabeça foram eliminadas pela calculadora. Algumas pessoas estão fazendo o caminho de volta dando preferência a uma boa caminhada sempre que possível para manter a boa forma física. Não seria o caso de trazermos de volta algumas habilidades mentais que a vida moderna nos fez abandonar?

Os inteligentes cada vez mais inteligentes

Você já deve ter ouvido pessoas mais experientes comentando: Esses jovens de hoje em dia são muito mais espertos que os de antigamente. Caso você seja uma pessoa jovem há mais tempo como eu poderá comparar a inteligência da garotada de sua época de escola com a de seus filhos, sobrinhos ou, talvez, alunos. Provavelmente, você vai concordar com essa sabedoria popular que percebe melhoria contínua no desempenho intelectual das gerações. Pesquisas têm comprovado esse senso comum com números. Efetivamente, o nível intelectual da população tem melhorado ao longo dos anos.

São muitos os fatores que contribuem para esse bem-vindo incremento do desempenho mental das pessoas. Melhor nutrição na infância é um deles, acesso à escola é outro. Ambiente familiar estimulante para o desenvolvimento da inteligência conta muito. Práticas pedagógicas arejadas e ensino de qualidade contribuem; trabalhar em atividades criativas; formação continuada; meios de comunicação atuantes, acesso fácil e rápido à informação são outros fatores positivos.

Alguns pensavam que o ganho intelectual das últimas décadas era devido à melhoria no desempenho de pessoas que estavam em condições sociais menos favoráveis. Pensando por essa linha, assim que todos tivessem acesso a condições favoráveis de desenvolvimento intelectual haveria uma estabilização no QI médio da população. A melhoria da inteligência seria uma questão estritamente sócio-econômica. As pesquisas têm mostrado, porém, que nas últimas décadas houve melhoria também no desempenho do grupo de elite. Em outras palavras: os mais inteligentes de hoje são mais inteligentes que os mais mais de ontem. A pergunta que me vem à cabeça nessa hora é até onde pode ir essa espiral virtuosa do ganho de inteligência da população? Será que no século XXII será possível encontrar um Leonardo Da Vinci em cada esquina? Talvez sim, mas é melhor conter o otimismo por que o nível intelectual de uma pessoa depende tanto de fatores inatos como de fatores ambientais. Por enquanto, os ganhos se dão no aspecto ambiental e estamos longe de esgotar as possibilidades de melhoria nessa área. A escola, a família, os governos e as empresas ainda têm muito o que avançar se quiserem extrair o máximo rendimento intelectual da população. Quando o limite for alcançado, se é que há um limite, talvez, a ciência já tenha aberto caminhos para a melhoria do nosso intelecto pela genética ou por outros caminhos que alteram o fator inato.

Quando a população vivia em média 40 anos, quem diria ser possível aumentar a esperança de vida para além dos 80 anos? Atualmente os cientistas falam na possibilidade de alcançar os limites naturais de longevidade que ficam para além dos 100 anos. Se aplicarmos a lógica da longevidade ao desenvolvimento intelectual concluiremos que, sim, no futuro será bem mais fácil encontrar um Leonardo Da Vinci caminhando pela rua.