Os marqueteiros sabem tudo sobre mim. Que bom!

Os profetas do apocalipse alertam: sua navegação pela Internet é rastreada e há risco de as empresas ficarem sabendo tudo sobre você. Esse tudo inclui sexo, idade, grau de instrução, local onde mora, preferências pessoais e hábitos de consumo. Que maravilha! Como não trabalho para a Al Qaeda não vejo problema nessa invasão de privacidade e até acho que ela me beneficia. Vou explicar:

Há tempos atrás eu estava pesquisando preços e modelos de câmeras fotográficas na Internet. Como se fosse mágica comecei a receber propagandas nas redes sociais que frequento sobre câmeras fotográficas e eram bem do tipo que me interessava. Mais recentemente, fiz umas pesquisas sobre destinos de viagem pensando nas férias do ano que vem. Novamente, fui bombardeado com promoções de passagens e ofertas de hotéis nos locais que me interessa conhecer.

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Veja também: Todos os países do mundo em Excel

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É uma idiotice achar que as pessoas não querem receber propagandas no e-mail ou nas redes sociais. O que eu dispenso é a publicidade que não me interessa, mas se me avisarem de uma oferta matadora de um produto que estou para comprar eu vou adorar porque economizo tempo e dinheiro. A propaganda dirigida é boa para quem anuncia e para quem recebe, pois um está interessado no outro. Mas como as empresas poderão nos enviar ofertas do nosso interesse sem nos metralhar com propaganda no alvo errado? Eles precisam conhecer um pouco sobre nós, obviamente, e não estamos falando de informações íntimas e sensíveis, mas de dados prosaicos que disponibilizamos de graça nesses tempos de privacidade escancarada. A Dona Maricota talvez diga nessa hora: Credo, mas se os marqueteiros ficarem sabendo tudo sobre mim, poderão usar essas informações para me manipular. Bem, escapar da manipulação é uma arte que requer altas habilidades e não é com o mero bloqueio do data mining que os otários estarão a salvo. Senhores marqueteiros e publicitários: podem me incomodar moderadamente com promoções e ofertas imperdíveis. Minha vida é um livro aberto e se houver alguma página dele com conteúdo reservado ou impróprio tenham certeza de que não está exposta na Internet.

Coffee break com networking

Coffee break

Recentemente, fui a um simpósio em São Paulo e no programa constava o item: cofee break e networking. A maioria deve concordar que o cofee break é uma das partes mais interessantes de todo evento. Primeiro, porque dá um break e depois porque tem coffee, aquela droga negra, quente e forte tão necessária. Mas agora tem o networking. Aquilo que era um momento de descontração para bater papo e relaxar tornou-se uma atividade estruturada e mensurável por métricas especializadas. Fez seu networking? Quantos cartões trocou? Algum contato promissor? Eu nunca fui bom em marketing pessoal e muito menos em networking. Como o nome diz, networking é um tipo de trabalho, um novo item a levar em conta em nossas vidas sobrecarregadas de regras e indicadores de desempenho. Nos bons tempos, a gente fazia contatos simplesmente porque é típico entre nós macacos sem pêlos nos relacionarmos com os pares da mesma espécie. O networking trouxe-nos a profissionalização interesseira do bom e velho bate-papo. Alguém conhece um livro de auto-ajuda com ênfase em networdking? Existem as 101 regras para o networking eficaz? Quem quiser fazer networking comigo, estou à disposição.

Planejamento plurianual de marketing

Fazer um book de fotos.
Fazer desfiles e comerciais.
Fazer bons contatos.
Namorar um esportista famoso.
Desmanchar o namoro.
Conceder entrevistas contando tudo sobre o namoro.
Aparecer em festas e eventos escolhidos cuidadosamente.
Posar nua para a Playboy.
Aparecer em talk shows e programas de auditório.
Namorar a sério um homem muito rico.
Casar com o homem muito rico em uma festa de arromba.
Publicar as fotos da lua de mel na revista Caras.
Conceder entrevistas contando como está feliz.
Abrir o apartamento de cobertura para a revista Caras.
Plantar rumores de desentendimento entre o casal.
Separar-se do homem muito rico.
Viajar para a Suiça tentando esquecer a separação.
Assinar contrato com uma emissora para estrelar programa de TV.
Namorar homens variados da moda.
Criar factóides diversos de manutenção.