O que é a classe média?

Durante o período eleitoral a classe média foi muito citada. O governo falou bastante sobre uma nova classe média e a oposição considera que a classe média tradicional é seu maior reduto eleitoral na atualidade. Mas o que é a classe média, afinal?  Nessa hora penso naquela família dos comerciais de margarina em que temos um casal com dois filhos vivendo em uma casa confortável com todo o aparato tecnológico de bens. Há um carro médio seminovo na garagem; os filhos estudam em escola particular e todos têm a saúde protegida por um bom plano de saúde. Com alguma frequência a família de comercial de margarina vai ao restaurante e uma vez por ano viajam em férias. Ensino superior e até pós-graduação são comuns para os adultos desse grupo. Embora vaga, acredito que essa é a imagem da classe média para a maioria das pessoas. O governo federal, o mercado e os intelectuais, porém, têm definições distintas para esse segmento social.

Família margarina

Calcule sua classe de renda familiar

Baixe a planilha a seguir e calcule a classe de renda da sua família ou de qualquer outra.

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Assista ao vídeo e entenda como a planilha funciona.

IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística faz levantamentos sobre a renda das famílias, mas evita compartimentá-las em classes.  Da mesma forma órgãos como o IPEA e o DIEESE não criam rótulos para faixas de renda.  Na tabela abaixo vemos, a distribuição da renda das famílias brasileiras em 2008 segundo o IBGE. Continue lendo “O que é a classe média?”

Nós vamos invadir seu templo do consumo

Pois é, foram-se os bons tempos da invasão de praias. Quem é jovem há mais tempo como eu se lembra da canção:

… Mistura sua laia
Ou foge da raia
Sai da tocaia
Pula na baia
Agora nós vamos invadir sua praia …

Nós vamos invadir sua praia – Ultraje a Rigor

Agora a onda é o rolezinho, tipo de evento organizado pelas redes sociais em que jovens marcam uma ida em massa a shoppings centers. Se fosse uma coisa chique o rolezinho seria chamado de flash mob, mas o que está incomodando algumas pessoas é o fato de os rolezinhos serem praticados por jovens de periferia que gostam de uma algazarra e de vestir roupas de grife.

Fique claro que até o momento rolezinho não é um evento de índole socialista que elegeu os shoppings como local de protesto contra o consumismo capitalista. Tá certo, que já têm oportunistas ideológicos na área querendo pegar carona na repercussão dos rolezinhos na mídia, mas a consciência política dos “ativistas” do rolezinho ainda é escassa infelizmente. Por outro lado, está aumentando exponencialmente a indignação dos defensores da higiene social climatizada dos shoppings centers. Que horror ser incomodado no momento sagrado de lazer consumista por funkeiros da periferia, né gente?

Policiais reprimem rolezinho

A polícia já foi convocada para reprimir os rolezinhos. Dizem que shopping é propriedade particular que não pode ser invadida por qualquer um. Mas se é particular, porque a polícia tem que dar cobertura? Como contribuinte fico incomodado de ver a polícia gastando recursos na repressão de rolezinhos. Qual seria o delito praticado durante os eventos para a polícia comparecer de cassetete em punho?

Algumas pessoas veem os rolezinhos como um confronto entre elite e periferia, mas o fato é que eles acontecem em shoppings que no dia a dia são frequentados pelos próprios garotos e pessoas de condição social similar.  Será que nenhum lojista de shopping percebeu que os garotos do rolezinho são consumidores que adoram shopping a ponto de marcar encontros nesses caixotes refrigerados do consumo? Lojista que hostiliza rolezinho está expulsando seus clientes atuais ou futuros para longe da lojinha.

As 1001 regras da vida moderna

Quanto mais uma sociedade se organiza, mais regras são incorporadas ao cotidiano do cidadão. A minha teoria é que existe um número máximo de regras que um sujeito consegue seguir sem pirar e esse número está próximo de ser atingido. Confira a lista abaixo que representa apenas uma pequena fatia das regras que devemos seguir e responda a pergunta: nossos antepassados de 50 anos atrás tinham que respeitar uma lista tão extensa e específica de controles comportamentais?

  • Escovar os dentes após as refeições, que devem ser mais de três por dia.
  • Evitar os três pós brancos: açúcar e sal.
  • Evitar comidas gostosas (coxinha, feijoada, torresminho, picanha, etc.)
  • Atravessar a rua na faixa de pedestre cuidando para não ser atropelado.
  • Se dirigir não beba, se beber não dirija.
  • Caminhada nos dias pares, academia nos dias ímpares.
  • Ler uma hora por dia. Revista Caras não vale na conta.
  • Jogar lixo no lixo.
  • Separar o lixo do lixo que não é lixo.
  • Não fumar nem se seja um Cohiba legítimo.
  • Cuidar da própria imagem digital e não escrever besteira no Facebook.
  • Escrever corretamente nos rigores do português castiço.
  • Pentear o cabelo, fazer a barba (homens), cortar as unhas, eliminar pelos em excesso (mulheres e alguns homens).
  • Desligar o celular no cinema, na missa e no banco.
  • Não fazer piadas sobre minorias ou maiorias, ou seja, não fazer piadas.
  • Não usar expressões chulas. Que merda.
  • Não tomar vinho tinto gelado.
  • Fazer check-up regularmente com exame de próstata (só para homens experientes).
  • Reciclar-se profissionalmente em congressos, cursos, especializações, mestrados e doutorados.
  • Tomar pelo menos um banho por dia útil ou inútil.
  • Manter-se atualizado com tudo que acontece no mundo e no Afeganistão.
  • Não usar pantufas de oncinha, pochete ou moleton.
  • Não dizer que vai estar transferindo a ligação.

Tudo bem que nossos antepassados não precisavam atravessar na faixa de pedestre porque naquele tempo não havia sequer estradas. Talvez eles tivessem que seguir outras regras como: “Não ande pelo mato que tem onça”. Por conta de haver menos gente no mundo e as pessoas viverem mais longe umas das outras acredito que no passado as regulamentações sociais eram em menor número. Se você, caro leitor conhecer outras regras irritantes da vida moderna pode enriquecer a lista fazendo comentários ao post.

A população está aumentando, a sociedade está se tornando mais tecnológica, mais politicamente correta e, provavelmente, as regras vão aumentar em número e especificidade nos próximos anos. Onde vamos parar? Espero que não seja no manicômio.