O valor real do salário mínimo nos últimos vinte anos

Desde que foi criado em 1940 o salário mínimo subiu e desceu em valor real como uma montanha russa. Engana-se quem pensa que vivemos o período com o salário mínimo mais valorizado da história. Durante o governo JK, na década de 1950, o salário mínimo paulista chegou a superar R$ 2.000,00 em valores de hoje ficando próximo do valor que o DIEESE considera o mínimo de verdade. Tá certo que naquele tempo, o salário mínimo não era unificado nacionalmente e muitos patrões desrespeitavam a lei, pagando abaixo do mínimo aos trabalhadores. Durante o regime militar o valor real do salário mínimo também superava na média o valor atual, mas já sofria a corrosão inflacionária. Após a redemocratização do país, o valor do mínimo despencou comprometido pela inflação galopante dos governos Sarney e Collor/Itamar. O momento de valor real mais baixo aconteceu no final do governo Itamar Franco e coincidiu com a implantação do Plano Real.

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Não basta ser eficiente, tem que parecer estressado

Esses dias fui conversar com um colega sobre um assunto de serviço e ele me perguntou:

— E aí? O que lhe aflige?

— Nada – respondi.

Imediatamente, várias cabeças se ergueram de trás dos monitores e começaram os comentários:

— Não seja por isso. Posso lhe doar algumas aflições agora mesmo.

— Tenho uma pilha de serviço para dividir com você.

— Está dispensado.

Brincadeiras à parte, no atual mundo trabalho é preocupante a associação íntima que as pessoas imaginam existir entre estresse, excesso de trabalho e eficiência.

É como se existisse uma lei imutável dizendo que o estresse é diretamente proporcional à quantidade de serviço pendente e, pior, exponencialmente proporcional à eficiência do colaborador.

Na Roma antiga diziam que não bastaria à mulher de Cesar ser honesta, ela devia parecer honesta. Com algumas adaptações a velha regra pode ser adotada no mundo do trabalho contemporâneo. “Não basta ser eficiente, você tem que parecer eficiente.” Isso quem me disse foi um antigo gerente em uma dessas avaliações sistemáticas das corporações modernas. E quais seriam os traços aparentes da eficiência? Bem, reclamar do excesso de serviço parece que é um deles, pois caso contrário você corre o risco de passar por folgado e aí logo virá alguém com uma cascata de tarefas para enriquecer o seu ócio criativo. Outra regra certeira é viver estressado, pois isso denota responsabilidade e comprometimento.

Se as pessoas não estivessem tão assoberbadas e estressadas, talvez percebessem que o estresse derruba a produtividade e que pessoas produtivas podem resolver com desenvoltura suas pendências e dessa forma não precisam andar por aí com os nervos desencapados. Não interpretem minhas palavras como auto elogio; na verdade eu também me estresso facilmente, mas com o tempo aprendi que estresse, excesso de trabalho e eficiência são três coisas totalmente independentes.

Coffee break com networking

Coffee break

Recentemente, fui a um simpósio em São Paulo e no programa constava o item: cofee break e networking. A maioria deve concordar que o cofee break é uma das partes mais interessantes de todo evento. Primeiro, porque dá um break e depois porque tem coffee, aquela droga negra, quente e forte tão necessária. Mas agora tem o networking. Aquilo que era um momento de descontração para bater papo e relaxar tornou-se uma atividade estruturada e mensurável por métricas especializadas. Fez seu networking? Quantos cartões trocou? Algum contato promissor? Eu nunca fui bom em marketing pessoal e muito menos em networking. Como o nome diz, networking é um tipo de trabalho, um novo item a levar em conta em nossas vidas sobrecarregadas de regras e indicadores de desempenho. Nos bons tempos, a gente fazia contatos simplesmente porque é típico entre nós macacos sem pêlos nos relacionarmos com os pares da mesma espécie. O networking trouxe-nos a profissionalização interesseira do bom e velho bate-papo. Alguém conhece um livro de auto-ajuda com ênfase em networdking? Existem as 101 regras para o networking eficaz? Quem quiser fazer networking comigo, estou à disposição.