A escória da humanidade entrincheirada nos comentários de Internet

Muitos meios de comunicação digital estão desativando a área de comentários de suas publicações alegando que os custos da moderação ficam mais altos a cada dia. Claro que esta é a desculpa elegante para justificar o fim dos comentários de Internet.

O que está por trás dessa tendência “antidemocrática”, porém, é a conclusão de que os comentários se tornaram uma trincheira da escória da humanidade que os utiliza para fins torpes como calúnia, difamação, preconceito, racismo, ódio e defesa de extremismos de todo tipo. Esses comentários pouco ajudam a melhorar a compreensão do assunto tratado pela publicação e tão pouco melhoram a imagem do meio de comunicação. Se ao contrário, os comentários fossem benéficos à publicação digital os custos de moderação seriam absorvidos sem problemas.


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O mito do isolamento pela Internet

Especialistas alertam sobre o risco de a Internet levar ao isolamento e à solidão. Normalmente, eu sou simpático a esses rabugentos que rompem com a unanimidade bovina, afinal nem a canja de galinha é livre de riscos. Nesse caso, porém, penso que os pessimistas têm sua migalha de razão, mas não é a Internet que vai tornar as pessoas mais solitárias, pelo contrário ela nos oferece recursos para nos comunicarmos mais e melhor. Numa época em que o Rio de Janeiro era uma metrópole nascente Carlos Drummond de Andrade já tinha escrito:

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Drummond, que cresceu em uma fazenda de Minas conhecia a solidão do campo e da cidade e nos contou sua experiência em maravilhosa prosa e verso. Seus livros eram seu meio de comunicação. O problema é anterior à Internet, portanto. O isolamento nos ronda não é de hoje e a Internet é apenas um artefato tecnológico a mais em nossas vidas, que pode ser utilizado para aproximar ou afastar dependendo da direção que escolhemos.

Vamos falar em tipos de isolamento. Tem o isolamento do matuto que vive lá nos rincões e precisa andar quilômetros antes de ver outro vivente. Para esse, a Internet traz notícias do mundo. Tem a solidão de quem precisa de canais para se expressar. Para esses, a Internet dispõe de recursos como os blogs que permitem a este que vos fala dar seus pitacos públicos sobre as coisas mundanas. Tem a solidão mais grave que é de duas vias: a falta de ouvir e ser ouvido. Para amenizar essa solidão a Internet também tem seus remédios. As redes sociais são a área que mais cresce no mundo digital. Tudo bem, a Internet não propicia o olho no olho direto e sem filtros tecnológicos, mas pelo MSN dá para falar com voz e vídeo com quem está longe e isso tem seu valor.

Sim, a Internet pode levar alguns ao isolamento e à solidão. Passar o dia com fone de ouvido escutando o mp3 player também. Ficar de pijama deitado no sofá zapeando na TV igualmente. Ler compulsivamente idem. Enfim, não é a Internet, essa nova mídia, que nos aliena. Somos nós mesmos que nos servimos das mídias para nos afastarmos do outro.