Que fim levaram os candidatos a presidente da Nova República?

Desde a redemocratização em 1984 o Brasil já teve 56 candidatos a presidente concorrendo por 34 partidos diferentes. O perfil desses candidatos nos ensina sobre a nossa política. 16 desses candidatos, por exemplo, concorreram sem nunca ter exercido mandato eletivo anterior. Veja mais algumas curiosidades sobre eleições presidenciais da Nova República.

Enéas Carneiro PRONA

Quem mais concorreu?

  • Lula PT. 5 vezes (duas vitórias).
  • José Maria de Almeida PSTU: 4 vezes.
  • José Maria Eymael PSDC: 4 vezes.
  • Rui Costa Pimenta PCO: 4 vezes.

Partidos que lançaram candidatura própria

  • Sete vezes: PSDB (2 vitórias) e PT (4 vitórias).
  • Quatro vezes: PCO, PSDC, PSTU e PV.
  • Três vezes: PDT, PMDB  e PRONA.
  • Duas vezes: PCB, PMN, PPS, PRN, PRP, PRTB, PSB e PSC.
  • Uma vez: PCN, PDCdoB, PDS, PFL, PLP, PMB, PN, PP, PPB, PPR, PSL, PSN, PSP, PTB, PTdoB e PTN.

Dos 33 partidos que disputaram a presidência 22 continuam ativos e 12 foram extintos (PCN, PDCdoB, PLP, PMB, PN, PPB, PPR, PRN, PRONA, PSL, PSN e PSP). Continue lendo “Que fim levaram os candidatos a presidente da Nova República?”

Quantos partidos o Brasil precisa?

Quatro seriam o suficiente: um partido de extrema esquerda, outro de extrema direita e dois de extremo centro para se alternarem no poder. Brincadeiras à parte, será que precisamos de 33 partidos? Com certeza vários desses partidos poderiam evaporar subitamente que ninguém perceberia; são partidos sem plataforma que não representam nenhum segmento social. Existem porque a legislação permite e estão aí para alguém levar vantagem. Mas existe jeito de garantir que apenas partidos orgânicos possam se formar? Provavelmente, não. Em um mundo perfeito, porém, só existiria um partido para cada necessidade, tais como:

partidos

Extremo centro. Em democracias maduras normalmente existem dois partidos de centro que se alternam no poder, um de perfil levemente conservador e outro ligeiramente liberal. No Brasil, o PT e o PSDB estão nessa categoria embora eu não saiba dizer qual deles é o reacionário e qual o progressista.

Extrema esquerda. No Brasil existem vários partidos nanicos que se dizem de esquerda. Três deles (PPS, PCdoB e PCB) reivindicam a herança do ancestral Partido Comunista fundado em 1922. Além desses três temos o PSTU, PCO e PSOL que também levantam a bandeira socialista e que tem um perfil mais aguerrido do que os acomodados herdeiros do Partidão. De qualquer maneira é muito partido de esquerda para uma mesma causa. Até aí normal, porque a esquerda sempre teve uma tendência à fragmentação e eles só se unem quando é para reclamar do imperialismo americano.

Extrema direita.  Aqui no Brasil ninguém quer o rótulo de partido de direita. É preciso olhar por trás do discurso para encontrar os partidos com perfil direitista. E o que é um direitista? É um esquerdista que defende a iniciativa privada. O DEM, não sei porque, sempre é citado quando fala-se de partidos de direita.

Ambiental. Temos um partido verde no nome (PV) que luta pela causa ambientalista. Além dele, temos o PEN (Partido Ecológico Nacional) e a Rede Sustentabilidade (que ainda não conseguiu registro no TSE) ambos com proposta ligadas à questão ambiental.

Religiosos. Alguns partidos brasileiros defendem causas supostamente ligadas à religião. O PSC é cristão no nome e o PRB tem fortes ligações com a Igreja Universal.

Fora esses “campos ideológicos” principais que outro segmento social brasileiro precisaria estar representado por partido? Os anarquistas não precisam de partido para viver, bem lembrado. Em resumo, fica a sugestão para uma reforma partidária composta por apenas 6 partidos que seriam:

  • PA Partido Ambiental
  • PC Partido Cristão
  • PD Partido de Direita
  • PE Partido de Esquerda
  • PLC Partido Liberal de Centro
  • PTC Partido Tradicional de Centro

A mesma reforma proibiria o PALU (Partido de Aluguel), PnDnEnC (Partido nem de direita nem de esquerda nem de Centro) e o PFU (Partido do Fulano).

A política como ela é

Entender o ecossistema eleitoral não é fácil, mas vou falar um pouco sobre a eleição municipal aqui onde eu moro.

A prefeitura de Curitiba será disputada em segundo turno por Ratinho Júnior e Gustavo Fruet.

Ratinho Júnior é filho do Ratinho Massa (ex-deputado federal pelo PRN, empresário, apresentador e dono de uma rede de comunicação).

Fruet é filho do ex-prefeito de Curitiba Maurício Fruet  (PMDB).

Ratinho Junior, 31 anos, foi do PSB, passou pelo PPS e agora está no PSC.

O PPS, por onde Ratinho Júnior passou, é dirigido no Paraná por Rubens Bueno, que foi vice na chapa do derrotado Luciano Ducci (PSB) que trocou farpas durante a campanha com Ratinho Júnior.

Uma das lideranças do PSC, atual partido de Ratinho Júnior, é Hidekazu Takayama que já foi colega de partido de Fruet no PMDB.

Fruet, 49 anos, foi do PMDB, mudou para o PSDB e atualmente está no PDT.

Um dos caciques do PDT no Paraná é Osmar Dias, irmão do senador Álvaro Dias do PSDB, partido que não quis Fruet como candidato a prefeito.

Fruet enquanto estava no PSDB criticava o PT, mas está coligado com o PT nesta eleição.

O Governador Beto Richa (PSDB) que é filho do ex-governador José Richa (PMDB) não apoiou Fruet que foi de seu partido por vários anos.

Beto Richa preferiu apostar em Luciano Ducci que não passou do primeiro turno e é do PSB, partido aliado da presidente Dilma do PT, rival histórico do PSDB de Beto.

O senador Requião (PMDB) também não apoia Fruet que foi do PMDB por vários anos.

Requião apoia Ratinho Júnior, mas em período eleitoral gosta de pegar carona na onda do PT. que apoia Fruet.

O candidato derrotado em primeiro turno Rafael Greca (PMDB, ex-PDS, ex-PDT e ex-PFL) não declarou apoio a Ratinho Júnior contrariando o cacique do seu partido (Requião), mas divergência no PMDB paranaense não causa espanto. Vários políticos do PMDB paranaense apoiaram o candidato derrotado Luciano Ducci (PSB) que é do grupo do ex-governador Jaime Lerner, arqui-rival de Requião.

No PSDB paranaense em segundo turno os apoios se dividem: alguns vão para Fruet e outros para Ratinho Júnior embora ambos estejam próximos do governo federal e o PSDB seja de oposição.

O DEM vai apoiar Fruet embora os partidos com quem ele está coligado sejam rivais do DEM.

O Partido Comunista do Brasil apóia o Ratinho Júnior (grande empresário capitalista de comunicação) embora governe com o PT que apoia Fruet. Ratinho Júnior era do PPS partido que sucedeu o PCB, o partidão, rival histórico do PCdoB.

A presidenta Dilma não vai apoiar nem Ratinho Júnior nem Fruet porque ambos a apoiam em nível federal. A ministra Gleisi Hoffmann (PT), braço direito de Dilma, ao contrário, vai entrar com tudo na campanha do Fruet.

Tenho a impressão que se eu fizer um post similar a este nas eleições de 2016 vou citar os mesmos nomes, talvez com um troca troca de partidos,  apoios e rivalidades.