Casa ecológica

Não existe a casa absolutamente ecológica. O que pode existir é uma casa com impacto ambiental bem menor que o das casas tradicionais. Portanto, o conceito de moradia ecológica é relativo e está em constante evolução. É provável que no futuro a consciência ecológica aumente, as técnicas melhorem e surjam casas mais ecológicas do que conseguimos construir hoje. Não pense que a casa ecológica fica em cima de uma árvore e que se chega até ela trepando por um cipó. Na realidade atual, a casa ecológica é parecida com uma casa tradicional, porém com diferenças significativas para o meio ambiente. Normalmente se fala em casas ecológicas, mas apartamentos, escritórios, prédios comerciais e industriais podem ser ecológicos também. Vejamos algumas características da moradia ecológica.

casa com telhado verde
  • Preservação da topografia do terreno. A movimentação de terra em uma obra causa impacto no terreno. A camada superior do solo, que é fértil, será deslocada. Materiais de camadas inferiores serão trazidos à tona. Em uma moradia ecológica, a topografia natural é respeitada.
  • Área de infiltração. Na casa ecológica existe a preocupação de permitir a infiltração da água da chuva no terreno. Mesmo em terrenos com alta ocupação é possível deixar alguma área de infiltração. Basta evitar a pavimentação e o calçamento que não sejam estritamente necessários.
  • Iluminação e ventilação naturais. A casa ecológica é econômica. O projeto favorece a ventilação e iluminação naturais porque são um presente da natureza. Assim, economiza-se com lâmpadas e ventiladores.
  • Materiais e técnicas de baixo impacto ambiental. Os materiais de construção devem ser escolhidos privilegiando as soluções locais. A madeira costuma ser importante na casa ecológica, desde que tenha procedência certificada. Os materiais de demolição são bem-vindos, pois incorporam o conceito de reciclagem à construção civil.
  • Isolamento térmico. A casa ecológica tem isolamento térmico eficiente. Assim, ela será fresca nos dias quentes e aconchegante no frio reduzindo gastos com ar condicionado ou calefação.
  • Aquecimento solar. Em quase todas as regiões do Brasil existe insolação suficiente para o aquecimento solar da água doméstica. A energia solar é gratuita, por isso, o investimento inicial é recuperado com o tempo através da economia de energia paga.
  • Captação de água da chuva. A água da chuva que cai no telhado pode ser captada e usada na casa ecológica para economizar água tratada. O custo de um sistema de captação é recuperado com a economia na conta de água.
  • Tratamento de águas residuais. Uma estação compacta de tratamento de água servida pode entregar a água quase limpa para o ambiente ou para o sistema de esgotos municipal.
  • Redução do entulho. A construção civil no Brasil tem a má fama do desperdício. O projeto deve prever a otimização do uso do material, para evitar excesso de entulho e sobras no final da obra. A condução da obra deve orientar os trabalhadores para agirem de forma responsável nesse quesito.
  • Integração discreta à paisagem. O paisagismo da casa ecológica faz com que ela se integre ao ambiente, sem se impor sobre ele. A casa deve ser um elemento a mais na paisagem e não o seu centro.
  • Verde, muito verde. A casa ecológica tem muito verde. Quanto mais, melhor. Só uma das vantagens do verde já justifica seu cultivo: vegetais removem gás carbônico do ar e reduzem o efeito estufa.
  • Mobiliário ecológico. A mobília da casa também deve ser ecológica. Isso quer dizer que é fabricada com materiais de baixo impacto e com técnicas que reduzem o processamento. Fibras naturais como vime e algodão são comuns nesse mobiliário. Móveis de demolição também são uma boa alternativa.
  • Coleta seletiva de resíduos. Na casa ecológica estão previstos espaços e mobiliário para a coleta seletiva avançada dos resíduos sólidos.
  • Economia de água. Várias soluções devem ser previstas na obra para economizar água. As descargas de vaso sanitário, por exemplo, podem ser de baixo consumo com dois tipos de descarga (2 ou 6 litros). As torneiras podem ser do tipo aerado, que é mais econômico.
  • Economia de energia. Várias soluções vão ajudar na economia de energia. O aquecimento solar é uma delas, mas há inúmeras outras: fotocélulas para comandar iluminação externa, dimmers para iluminação interna, uso de lâmpadas econômicas e de eletrodomésticos certificados, etc.

Quanto custa?

Em alguns casos, ser ambientalmente correto é a opção mais barata. Por exemplo: se você construir uma casa usando bastante material de demolição, vai economizar dinheiro, pois esse material custa menos do que o novo. Em outras situações, a opção ecológica é mais cara. Alguns móveis ecológicos custam mais que os tradicionais porque são fabricados em escala reduzida. Temos ainda a questão do investimento inicial que só se recupera com o tempo. A instalação de um sistema de aquecimento solar encarece o custo da obra, mas se paga com a economia de energia elétrica.

De maneira geral, somando todos os custos, a casa ecológica pode ficar mais cara do que uma convencional semelhante. Mas não desanime. Se você for persistente conseguirá encontrar soluções criativas para baixar o custo e ajudar a natureza.

O sonho e a realidade

Poucas pessoas têm o privilégio de morar em uma moradia ambiental. Vivemos em sociedade, temos uma história de vida e, por isso, nem sempre dá para fazer as coisas do zero ou do nosso jeito. Se você não tem como morar em uma casa ecológica ideal, pode ao menos fazer algumas mudanças na sua moradia para reduzir o impacto ambiental dela. E lembre-se de algo muito importante: a sua moradia pode não ser ecológica, mas se já está construída e você a mantém para que dure o maior tempo possível, isso já é um uma ação positiva porque você está evitando consumir recursos novos. Não seria responsável demolir uma casa tradicional conservada para construir outra ecológica no mesmo local. O consumo de recursos nessa operação poderia anular as vantagens da nova casa.

Casa, apartamento, chácara?

Quando falamos em moradia ecológica, muitos começam a divagar sobre uma visão romântica da vida rural e imaginam uma casa de campo; rústica, mas ampla e confortável; com bastante espaço em volta e muito verde para todo lado. Alguns imaginam um lago próximo onde os marrecos nadam suavemente, um belo pomar, uma horta, animais circulando pela propriedade, pássaros cantando na janela pela manhã, etc. Essa moradia bastante agradável não é necessariamente ecológica. Não se faz uma casa ecológica pensando em resgatar a vida simples da fazenda, nem tampouco para ser um local onde fugimos das atribulações da vida moderna. Essas motivações que são legítimas muitas vezes coincidem com os propósitos ecológicos, mas em outros casos podem até colidir com eles. Se para ter uma casa no meio da mata eu precisar derrubar mata nativa, não estou sendo ecológico. Se para ter marrecos passeando pelo lago eu tiver que represar o córrego próximo, não estou sendo ecológico.

A moradia ecológica é pensada para reduzir o impacto ambiental da atividade humana e esse objetivo também pode ser alcançado em apartamentos, condomínios horizontais, flats, etc. O impacto ambiental de uma pessoa que vive em apartamento pode ser menor do que de outra que vive em uma chácara e que pratica agressões ao ambiente em sua propriedade porque se acha capaz de melhorar a natureza.

Vamos analisar alguns tipos de habitação sob o aspecto ambiental, sem nos preocuparmos com os outros olhares que se pode lançar sobre a questão da moradia.

Apartamento

Os apartamentos oferecem algumas vantagens do ponto de vista ambiental como concentrar a população em um espaço urbano menor. Isso reduz a ocupação do solo e as necessidades de infra-estrutura urbana como ruas, rede elétrica, coleta de lixo, etc. Em condomínios, há uma facilidade maior para ações coletivas como pré tratamento de águas residuais ou coleta seletiva de lixo. O custo de um sistema de captação de água da chuva, por exemplo, pode ser dividido entre os membros do condomínio.

Normalmente, os prédios de apartamentos são construídos em áreas adensadas, o que significa pouco verde e pouca área de infiltração, mas isso não é um problema da habitação em apartamentos e, sim, da política de ocupação do solo. Existem condomínios de apartamento construídos em terrenos amplos com uma relação boa entre área construída e área total.

Casa

A grande maioria dos brasileiros mora em casa. Áreas urbanizadas com casas podem ter mais área de infiltração para água da chuva e  mais verde, o que é uma vantagem ambiental, mas tudo depende da taxa de ocupação do solo. Existem áreas residenciais formadas por casas que são muito adensadas onde o verde e a área de infiltração praticamente desaparecem.

Um dos problemas da casa é a baixa densidade de ocupação do solo. Em outras palavras, em uma área onde só existem casas, moram menos pessoas do que em outra de mesma metragem formada por prédios de apartamentos. As casas ampliam o espaço urbano na horizontal, o que aumenta a ocupação do solo e exige mais infra-estrutura de ruas, eletricidade, água, etc.

A moradia em casas não favorece ações coletivas como pré tratamento de águas residuais e coleta seletiva do lixo, iniciativas que dão melhores resultados em condomínios.

Chácara

Vamos pensar na chácara usada como moradia e não em chácaras economicamente produtivas, porque a questão econômica escapa ao nosso objetivo. O impacto ambiental de uma chácara pode variar muito. Tudo depende da postura dos moradores.

Quando falamos em chácara estamos nos referindo a uma moradia localizada em uma zona de transição entre o urbano e o rural. Nessa área, a intervenção humana pode estar em fases iniciais e o ambiente natural ainda pode se encontrar razoavelmente preservado. Se o proprietário optar por pouca intervenção ou pela recuperação de áreas degradadas, a chácara pode ter um impacto ambiental baixo, mas há casos em que a ação humana fica mais intensa e aí o impacto da chácara será alto.

A casa de chácara apresenta o mesmo problema da casa urbana só que acentuado: a baixa densidade de ocupação. Isso quer dizer que será necessário investir mais em estradas, eletrificação, etc. Quando os moradores quiserem ir fazer compras terão que rodar mais do que um morador urbano. Se os moradores trabalharem na cidade farão deslocamentos diários bem mais longos do que os moradores do meio urbano. Provavelmente, na chácara o tratamento de águas residuais terá que ser feito pelo proprietário, pois não haverá rede pública disponível. Em compensação, a água da chuva é mais pura na área rural e poderá ser usada para quase todas as finalidades.

O impacto ambiental de chácaras depende das ações dos seus moradores. Digamos que o proprietário recupere uma área desmatada plantando mudas de árvores nativas. Assim, teremos um crédito ambiental. Se, por outro lado, ele derrubar mata nativa para construir uma bela casa de campo, aí, sem comentários. A consciência ecológica de um morador em chácara deve ser maior, pois sua ação pode causar impactos altos.

Condomínio horizontal

O condomínio horizontal tem algumas características da casa e outras do apartamento. A densidade de ocupação do solo é baixa e isso é uma desvantagem. Por outro lado, por ser condomínio, ações coletivas de alcance ambiental são facilitadas.

Flat

O flat tem características de apartamento, mas difere deste principalmente porque as atividades típicas de uma residência como cozinhar, limpar, lavar e passar são realizadas em padrão empresarial. Supostamente, a lavagem de roupa em uma lavanderia causa menos impacto ambiental do que se fosse feita em diversas máquinas e tanques espalhados pelo prédio. O ganho se deve à maior produtividade alcançada quando uma atividade é feita em escala maior.

Veja também: Minimalismo Nutella

Assista ao vídeo e reflita sobre o sentido mais amplo do minimalismo.

3 pensou em “Casa ecológica

  1. gostei mtt do site, me ajudou mt na minha pesquisa de espanhol, só q acho q vses deveriam aperfeçoarem mais o site seria uma boa… obrigada…

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