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Meu minimalismo – desapego

Raramente alguém nasce minimalista ou é educado pela visão minimalista. O normal atualmente é a pessoa tornar-se minimalista. E não há idade ideal para isso acontecer. Os jovens de hoje estão mais suscetíveis ao minimalismo porque como é típico dos jovens reagem a uma situação degradada que recebem das gerações mais velhas. Os jovens têm visão crítica em relação ao consumismo e grandes preocupações ambientais. As pessoas maduras, por sua vez, sentem a necessidade de mudar velhos hábitos pela melhoria da qualidade de vida.

Aí entra a palavra chave para o sucesso do minimalismo: desapego. Para deixar um estilo de vida para trás onde o normal é ostentar, acumular e estocar o desapego é fundamental. Acredito que a necessidade de acumular vem de um instinto primitivo de sobrevivência. Mas convenhamos, a vida moderna está organizada de tal forma que hoje ninguém precisa se precaver para o inverno enchendo a caverna com alimentos.

Paisagem rural
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Meu minimalismo – o que é

Não sei bem o que é, mas vou dar a minha versão. Minimalismo é uma filosofia prática, orientada para a conduta cotidiana. De certa forma, é uma reação ao modo de vida adotado por muitas pessoas, inclusive eu no passado, a um estilo de vida consumista que tem gerado mais frustração do que bem-estar e que se não for deixado de lado nos levará ao colapso pelo esgotamento dos recursos naturais.

Para mim, a visão de mundo de cada um é condicionada pela sua experiência de vida e, por isso, deixem-me partir de um exemplo familiar. Meu avô Lourenço era sapateiro, ganhou a vida consertando sapatos. Embora ainda existam alguns sapateiros por aí, a maioria das pessoas atualmente prefere descartar os sapatos gastos em vez de consertá-los. Além disso, mantêm uma coleção de sapatos muito maior do que precisam para viver. Minhas avós e minha mãe tinham máquina de costura em casa, sabiam usá-la e faziam reparos nas roupas da família até onde dava. Meu pai nunca teve carro, não sabia dirigir e viveu bem até os 86 anos.

Flor saudade Neomarica caerulea
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Lista inútil de inutilidades

  • Amaciante de roupas
  • Atestado de vida
  • Cachepot
  • Capa de botijão de gás
  • Capa de guarda-chuva
  • Capinha de celular
  • Carregador sem fio
  • Condicionador de cabelo
  • Desodorizador de ambiente
  • Estojo de fone de ouvido
  • Ferro de passar roupa
  • Fixador de celular
  • Placa “Cuidado com roubos no interior do veículo”
  • Prendedor de gravata
  • Pré shampoo
Capa de botijão de gás

Minimalista pão-duro

Minimalismo e pãodurismo casam melhor que goiabada cascão com queijo minas. Dez dicas minimalistas pãoduristas:

  1. Pague à vista. A sociedade é movida a crédito, mas você não é a sociedade. Pague à vista e durma sossegado. Nada como olhar o saldo em conta e dizer: “o que tem aí é meu.”
  2. Pechinche. A milenar pechincha é um dever em certas culturas. Cumpra seu dever. Se quiser parecer mais elegante “negocie”.
  3. Não faça estoque. A não ser que você more no meio do mato e carneie seu próprio porco, deixe os estoques para quem lhe vende.
  4. Faça você mesmo. É indescritível a satisfação de fazer as coisas com as próprias mãos.
  5. Desapegue. Acumule experiências e não tranqueiras.
  6. Venda, doe ou descarte o que não usa. Se não usa venda, se não dá para vender, doe e se não está em condições mínimas descarte corretamente.
  7. Controle o orçamento com planilha. O Excel resolve a maioria dos problemas da humanidade.
  8. Mantenha uma reserva de emergência. Para não passar aperto ou vergonha nas horas difíceis.
  9. RRR reduza, reuse, recicle. Os três erres da ecologia se aplicam à vida em geral.
  10. Conserte em vez de trocar. Faça como seus avós: conserte, remende, transforme dois quebrados em um inteiro.

Bônus

De brinde algumas micro dicas pão duristas

  • Uma única saída para resolver várias coisas.
  • Defina o que comprar antes de sair.
  • Não vá ao supermercado com fome.
  • Passar roupa? Não passe por isso.
  • Freezer? É fria.

Lista de tarefas fundamentais

Segue uma lista de tarefas essencial, para mim pelo menos. E antes que me perguntem adianto: sim, realizo a maioria delas no meu cotidiano.

  • Arrumar o quarto. Talvez a mais importante de todas. Salve o mundo, arrume seu quarto. Estou falando em sentido literal e figurado.
  • Parar de operar com os quatro grandes bancos. A concentração bancária é uma calamidade no Brasil. Ajude as taxas de juro caírem, abandone os grandes bancos.
  • Duvidar de Datafolha e Ibope. No passado eu acreditava na moral ilibada e na técnica apurada dos grandes institutos, mas …
  • Uma vez por semana ser vegano. Reduzir o consumo de carne é bom para o meio ambiente, sua saúde, seu paladar.
  • Ler um autor conservador respeitável. Autores progressistas dominam o ecossistema cultural. Conheça o que existe além deles.
  • Anotar em quem votou a cada eleição. Com o tempo você vai ficar surpreso.
  • Fazer compostagem doméstica. Uma prática ecológica que demanda algum comprometimento.
  • Ser politicamente incorreto quando for o correto. Você vai concluir que quase sempre politicamente correto é dominação pela linguagem.
  • Colocar em dia a carteirinha de vacinação. Adulto e idoso também se vacina.
  • Adotar um vira-latas se puder cuidar dele até o fim. Mas tem que cuidar bem como bicho e não como gente.
  • Não guardar lugar na praça de alimentação. Tem gente que não entende essa.
  • Visitar 194 países antes de dizer “só no Brasil”. Duas vantagens nessa: viajar bastante e não ter complexo de vira latas.
  • Descobrir uma utilidade do teorema de Pitágoras. São tantas, não passe vergonha dizendo que mais um dia se passou sem você usar a Matemática.
  • Dominar o Excel. 80% dos problemas da humanidade são resolvíveis no Excel.
  • Trocar um pneu (se mulher). Não acredite em feminista que não troca pneu.
  • Lavar a louça (se homem). Homem com H lava louça.
  • Comprar perto de casa. Mova a economia local.
  • Evitar pós brancos como açúcar e sal. E tem mais pós a evitar.