Homem de dupla jornada

Confesso que ao ouvir queixas de algumas mulheres sobre dupla jornada (trabalhar fora e em casa) sempre fiquei meio perplexo. Para mim essa é uma conversa em grego.

Quando eu era criança meus pais trabalhavam fora e não tínhamos empregada doméstica, por isso desde aquele tempo eu ajudava em casa. Quando constituí minha própria família sempre fiz tarefas como lavar a louça, varrer a casa e fazer compras no supermercado. E não era de vez em quando só para ficar bem na foto. Meu pai perdeu minha avó quando era criança e também ajudava em casa por necessidade. Ainda hoje o velhinho cuida de sua roupa, faz sua comida e arruma a sua cama. Essa história de dupla jornada na minha família é um assunto resolvido há mais de cinquenta anos. É por isso que acho estranho quando alguém fala comigo sobre dupla jornada com sangue nos olhos. Talvez por conta desse meu jeitão carrancudo … Coitados daqueles que julgam por aparências e estereótipos.


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Até que enfim: preços diferentes para formas de pagamento diferentes

O Governo Federal publicou em 27-12-16 medida provisória que permite aos comerciantes cobrarem preços diferenciados dependendo do meio de pagamento utilizado pelo cliente. Se o cliente pagar em dinheiro, por exemplo, talvez consiga um preço menor do que aquele que paga com cartão de crédito. Na prática, a medida legaliza o que já ocorre informalmente.

Cada meio de pagamento tem suas vantagens e desvantagens. Alguns são mais cômodos, outros mais seguros, mas todos têm um custo. Até o pagamento em dinheiro custa dinheiro, afinal, a emissão de papel moeda é um processo caro que pagamos à Casa da Moeda por meio de impostos.

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História da minha vida privada

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  1. Linha telefônica era investimento declarado no Imposto de renda.
  2. Cheque só era descontado na agência do emitente.
  3. Cinto de segurança era opcional, quando tinha.
  4. Fotografia era em filme de 24 poses que durava toda a viagem de férias.
  5. Linha telefônica fixa tinha espera de três anos e custava R$ 10.000,00 (valor atualizado).
  6. Postos de gasolina não podiam funcionar aos domingos ou a noite. Para economizar petróleo importado.
  7. Pesquisa era feita em dicionário, enciclopédia e lista telefônica. Tinha que saber ordem alfabética.
  8. Despertador precisava dar corda todo dia. Tinha que saber ler mostrador analógico.
  9. O leite era entregue em casa pelo leiteiro.
  10. Carro era só a gasolina e tinha umas coisas tensas como afogador, carburador e platinado.
  11. Entrava-se no ônibus pela porta de trás e a saída era pela frente.
  12. Ônibus saia do bairro e parava no centro. Terminal, estação tubo, integração, bi articulado, canaleta? Vai sonhando.
  13. Carteira de identidade era batida na máquina de escrever.
  14. Compras chiques em Curitiba eram feitas na Rua XV de Novembro ou nas galerias (Suíça, Ritz).
  15. As bolinhas de pinheirinho de natal eram de vidro bem fino.
  16. Fumava-se em qualquer lugar, mas havia pequenos espaços para não fumantes.
  17. Havia três emissoras de TV aberta. E só tinha TV aberta.
  18. Não tinha teste de bafômetro. Não havia bafômetro
  19. As emissoras de TV começaram a transmitir às 15h e encerravam a programação antes da  da meia noite. O resto do tempo era chuvisco.
  20. As rádios tinham programas especiais para gravar músicas em casa na fita cassete.
  21. No banco não tinha fila única, nem senha, nem assentos para esperar sentado. Era uma fila para cada guichê. A sua era sempre a mais demorada.
  22. O voto era em papel e o resultado saia em poucos dias.
  23. Cinemas eram espalhados pelo centro, não em shopping. Não havia shopping.
  24. No armazém, o valor de cada item era digitado na caixa registradora ou somado na ponta do lápis, que era guardado na orelha do vendedor.
  25. Vestibular era sem cotas.
  26. Não tinha TCC no final do curso.
  27. Seringa de injeção era de vidro não descartável. Quase nada era descartável.
  28. Não tinha horário de verão.

Engenheiro implicante pergunta

Perguntas que pessoas exatas fazem sobre atitudes inexatas:

macaco sério

  1. Está desobrigado de saber matemática básica por ser de humanas?
  2. Abre a janela quando o ar condicionado não está dando conta?
  3. Manda imagem anexa em formato DOC?
  4. É legal bater papo no meio de portas movimentadas?
  5. É aposentado, mas vai ao banco no horário de almoço?
  6. Então o vácuo puxa o refrigerante para dentro do canudinho?
  7. Quer mesmo que o médico tire sua pressão?
  8. Penas de ganso são mais leves do que chumbo, né?
  9. Se for feito de ferro, óbvio que vai afundar na água, certo?
  10. É idoso, mas estaciona na vaga normal?
  11. Usa guarda-chuva debaixo da marquise?
  12. Atravessa o carrinho no meio do corredor do supermercado?
  13. É feminista, mas chama um cavalheiro para trocar o pneu do carro?
  14. Não fica à direita na escada rolante?
  15. Anda de mãos dadas na calçada estreita. É arrastão?
  16. Guarda lugar na praça de alimentação do shopping?
  17. Sabe encher o computador de vírus, mas não sabe removê-los?
  18. Sua vida inteira estava no computador, mas não sabe onde ficou o backup?
  19. A bola com efeito quicou no gramado e ganhou velocidade?
  20. Foi Darwin quem disse que sobrevive o mais forte?
  21. Com janela fechada ficamos mais quentinhos e protegidos da gripe?

A escória da humanidade entrincheirada nos comentários de Internet

Muitos meios de comunicação digital estão desativando a área de comentários de suas publicações alegando que os custos da moderação ficam mais altos a cada dia. Claro que esta é a desculpa elegante para justificar o fim dos comentários de Internet.

O que está por trás dessa tendência “antidemocrática”, porém, é a conclusão de que os comentários se tornaram uma trincheira da escória da humanidade que os utiliza para fins torpes como calúnia, difamação, preconceito, racismo, ódio e defesa de extremismos de todo tipo. Esses comentários pouco ajudam a melhorar a compreensão do assunto tratado pela publicação e tão pouco melhoram a imagem do meio de comunicação. Se ao contrário, os comentários fossem benéficos à publicação digital os custos de moderação seriam absorvidos sem problemas.

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