Loucos por listas

Seguem algumas listas que criei em momentos de ócio criativo.

Inutilidades domésticas

  • Amaciante de roupas
  • Atestado de vida
  • Cachepot
  • Capa de botijão de gás
  • Capa de guarda-chuva
  • Capinha de celular
  • Carregador sem fio
  • Condicionador de cabelo
  • Desodorizador de ambiente
  • Estojo de fone de ouvido
  • Ferro de passar roupa
  • Fixador de celular
  • Placa “Cuidado com roubos no interior do veículo”
  • Prendedor de gravata
  • Pré shampoo
Capa de botijão de gás

Frases de véio

Se você fala essas frases, você tá véio.

  • Antigamente aqui era tudo mato.
  • No meu tempo não tinha essas semvergonhices.
  • Naquela época respeitavam os mais velhos.
  • Podia deixar a porta aberta que ninguém roubava.
  • Onde vamos parar desse jeito?
  • Sou do tempo em que …
  • Esse mundo tá virado.
  • Negócio era feito no fio do bigode.
  • Se agasalhe senão vai pegar uma friagem.
  • Tome um fortificante pra não afinar o sangue.
  • Foi um tempo bom que não volta mais

Você está no grupo de risco do Corona?

Conte um ponto a casa SIM.

  1. No seu tempo era tudo mato?
  2. Puxou o afogador para dar partida no carro?
  3. Tomou Biotônico Fontoura?
  4. Enfrentou fila de espera para comprar linha telefônica?
  5. Sabe quem matou Odete Roitman?
  6. Fez pesquisa na Barsa?
  7. Teve identidade batida à máquina?
  8. Concluiu faculdade sem fazer TCC?
  9. Gravou música de rádio na fita cassete?
  10. Votou em papel?

Coisas que o STF deveria decidir

  • O feijão vai por cima ou por baixo do arroz?
  • Desenrolar o papel higiênico: por cima ou por baixo?
  • Toddy é melhor que Nescau?
  • Palmeiras tem mundial?
  • O nazismo era de esquerda?
  • Tulio Maravilha fez mil gols?
  • Chiclete gruda na tripa?

História da minha vida privada

Sou do tempo em que …

  • Linha telefônica era investimento declarado no Imposto de renda.
  • Cheque só era descontado na agência do emitente.
  • Cinto de segurança era opcional, quando tinha.
  • Fotografia era em filme de 24 poses que durava toda a viagem de férias.
  • Linha telefônica fixa tinha espera de três anos e custava R$ 10.000,00 (valor atualizado).
  • Postos de gasolina não podiam funcionar aos domingos ou a noite. Para economizar petróleo importado.
  • Pesquisa era feita em dicionário, enciclopédia e lista telefônica. Tinha que saber ordem alfabética.
  • Despertador precisava dar corda todo dia. Tinha que saber ler mostrador analógico.
  • O leite era entregue em casa pelo leiteiro.
  • Carro era só a gasolina e tinha umas coisas tensas como afogador, carburador e platinado.
  • Entrava-se no ônibus pela porta de trás e a saída era pela frente.
  • Ônibus saia do bairro e parava no centro. Terminal, estação tubo, integração, bi articulado, canaleta? Vai sonhando.
  • Carteira de identidade era batida na máquina de escrever.
  • Compras chiques em Curitiba eram feitas na Rua XV de Novembro ou nas galerias (Suíça, Ritz).
  • As bolinhas de pinheirinho de natal eram de vidro bem fino.
  • Fumava-se em qualquer lugar, mas havia pequenos espaços para não fumantes.
  • Havia três emissoras de TV aberta. E só tinha TV aberta.
  • Não tinha teste de bafômetro. Não havia bafômetro
  • As emissoras de TV começaram a transmitir às 15h e encerravam a programação antes da  da meia noite. O resto do tempo era chuvisco.
  • As rádios tinham programas especiais para gravar músicas em casa na fita cassete.
  • No banco não tinha fila única, nem senha, nem assentos para esperar sentado. Era uma fila para cada guichê. A sua era sempre a mais demorada.
  • O voto era em papel e o resultado saia em poucos dias.
  • Cinemas eram espalhados pelo centro, não em shopping. Não havia shopping.
  • No armazém, o valor de cada item era digitado na caixa registradora ou somado na ponta do lápis, que era guardado na orelha do vendedor.
  • Vestibular era sem cotas.
  • Não tinha TCC no final do curso.
  • Seringa de injeção era de vidro não descartável. Quase nada era descartável.
  • Não tinha horário de verão.

Marchinhas de carnaval canceladas

  • Cidade maravilhosa (propaganda enganosa).
  • Índio quer apito (índio fazendo apropriação cultural).
  • A pipa do vovô não sobe mais (bullying com a terceira idade)
  • Turma do funil (a pedido dos alcóolicos anônimos)
  • Acorda Maria Bonita (submissão da mulher)
  • Alalaô (melhor não mexer com os árabes)
  • Aurora, se você fosse sincera (Mulheres SÃO sinceras)
  • Máscara negra (escolha infeliz da cor da máscara)

Frases de Dona Maricota

  • Viu? Eu avisei. Agora, bem feito.
  • Depois que eu tiver deitada num caixão não adianta mais.
  • Tenho marido só pra enfeite.
  • Acordei com um mau pressentimento.
  • A gente fala fala, mas não adianta nada.
  • Quer me criticar? Então pague minhas contas.
  • Não me inveje, trabalhe.
  • Me lembro como se fosse hoje.
  • Na minha idade se acordar sem dor é porque já morreu.
  • Nessa casa é tudo eu.
  • Só por Deus mesmo.
  • Não me ajudam nada, mas querem tudo na mão.
  • Isso é porque não vai na missa, não lê a Bíblia.

Por que na Internet as pessoas …

  • Curtem suas próprias publicações?
  • Compartilham links para assinantes?
  • Apagam comentários que não lhes agradam?
  • Excluem quem gostariam de influenciar?
  • Mandam indiretas?
  • Postam fotos de lado ou de ponta cabeça?
  • Compartilham manchete que está em todas as mídias?
  • Começam a frase com “eu não devia dizer …”
  • Fazem listas com perguntas?

Quando você entra em um site

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Engenheiro implicante pergunta

  • Está desobrigado de saber matemática básica por ser de humanas?
  • Abre a janela quando o ar condicionado não está dando conta?
  • Manda imagem anexa em formato DOC?
  • É legal bater papo no meio de portas movimentadas?
  • É aposentado, mas vai ao banco no horário de almoço?
  • Então o vácuo puxa o refrigerante para dentro do canudinho?
  • Quer mesmo que o médico tire sua pressão?
  • Penas de ganso são mais leves do que chumbo, né?
  • Se for feito de ferro, óbvio que vai afundar na água, certo?
  • É idoso, mas estaciona na vaga normal?
  • Usa guarda-chuva debaixo da marquise?
  • Atravessa o carrinho no meio do corredor do supermercado?
  • É feminista, mas chama um cavalheiro para trocar o pneu do carro?
  • Não fica à direita na escada rolante?
  • Anda de mãos dadas na calçada estreita. É arrastão?
  • Guarda lugar na praça de alimentação do shopping?
  • Sabe encher o computador de vírus, mas não sabe removê-los?
  • Sua vida inteira estava no computador, mas não sabe onde ficou o backup?
  • A bola com efeito quicou no gramado e ganhou velocidade?
  • Foi Darwin quem disse que sobrevive o mais forte?
  • Com janela fechada ficamos mais quentinhos e protegidos da gripe?

Coisas que entregam a idade

  • Dizer: Sou do tempo em que …
  • Usar camiseta por dentro da calça.
  • Adicionar um amigo no MSN.
  • Chamar o PT de partido de esquerda.
  • “Discar” um número de telefone.
  • Ter foto com paletó e gravata na carteira de identidade.
  • “Puxar” a descarga do banheiro.
  • Contar que assistiu a estreia de Robocop (o original).
  • Lembrar dos afluentes da margem direita do rio Amazonas.
  • Fazer prestação com cheque pré datado.
  • Saber para que servia DIR, DEL e FORMAT.
  • Lembrar de jogos do Paraná Clube na primeira divisão.
  • Ter algum documento batido à máquina.
  • Chamar um homem para virar o galão de água mineral.
  • Ter ficado forte tomando Biotônico Fontoura.
  • Achar que bicicleta e ônibus são transporte de pobre.
  • Fazer compra do mês antes que os preços subam (ops, essa talvez não).
  • Sentir saudades da seleção do Dunga (o Dunga capitão).
  • Ter diploma do curso de datilografia.
  • Saber quem matou Salomão Ayala.
  • Usar a calça na linha da cintura sem mostrar a cueca.
  • Ter ação na justiça contra os planos Collor, Bresser, etc.

Regras da vida moderna

  • Escovar os dentes após as refeições, que devem ser mais de três por dia.
  • Evitar os três pós brancos: açúcar e sal.
  • Evitar comidas gostosas (coxinha, feijoada, torresminho, picanha, etc.)
  • Atravessar a rua na faixa de pedestre cuidando para não ser atropelado.
  • Se dirigir não beba, se beber não dirija.
  • Caminhada nos dias pares, academia nos dias ímpares.
  • Ler uma hora por dia. Revista Caras não vale na conta.
  • Jogar lixo no lixo.
  • Separar o lixo do lixo que não é lixo.
  • Não fumar nem se seja um Cohiba legítimo.
  • Cuidar da própria imagem digital e não escrever besteira no Facebook.
  • Escrever corretamente nos rigores do português castiço.
  • Pentear o cabelo, fazer a barba (homens), cortar as unhas, eliminar pelos em excesso (mulheres e alguns homens).
  • Desligar o celular no cinema, na missa e no banco.
  • Não fazer piadas sobre minorias ou maiorias, ou seja, não fazer piadas.
  • Não usar expressões chulas. Que merda.
  • Não tomar vinho tinto gelado.
  • Fazer check-up regularmente com exame de próstata (só para homens experientes).
  • Reciclar-se profissionalmente em congressos, cursos, especializações, mestrados e doutorados.
  • Tomar pelo menos um banho por dia útil ou inútil.
  • Manter-se atualizado com tudo que acontece no mundo e no Afeganistão.
  • Não usar pantufas de oncinha, pochete ou moleton.
  • Não dizer que vai estar transferindo a ligação.

Tarefas fundamentais

Segue uma lista de tarefas essencial, para mim pelo menos. E antes que me perguntem adianto: sim, realizo a maioria delas no meu cotidiano.

  • Arrumar o quarto. Talvez a mais importante de todas. Salve o mundo, arrume seu quarto. Estou falando em sentido literal e figurado.
  • Parar de operar com os quatro grandes bancos. A concentração bancária é uma calamidade no Brasil. Ajude as taxas de juro caírem, abandone os grandes bancos.
  • Duvidar de Datafolha e Ibope. No passado eu acreditava na moral ilibada e na técnica apurada dos grandes institutos, mas …
  • Uma vez por semana ser vegano. Reduzir o consumo de carne é bom para o meio ambiente, sua saúde, seu paladar.
  • Ler um autor conservador respeitável. Autores progressistas dominam o ecossistema cultural. Conheça o que existe além deles.
  • Anotar em quem votou a cada eleição. Com o tempo você vai ficar surpreso.
  • Fazer compostagem doméstica. Uma prática ecológica que demanda algum comprometimento.
  • Ser politicamente incorreto quando for o correto. Você vai concluir que quase sempre politicamente correto é dominação pela linguagem.
  • Colocar em dia a carteirinha de vacinação. Adulto e idoso também se vacina.
  • Adotar um vira-latas se puder cuidar dele até o fim. Mas tem que cuidar bem como bicho e não como gente.
  • Não guardar lugar na praça de alimentação. Tem gente que não entende essa.
  • Visitar 194 países antes de dizer “só no Brasil”. Duas vantagens nessa: viajar bastante e não ter complexo de vira latas.
  • Descobrir uma utilidade do teorema de Pitágoras. São tantas, não passe vergonha dizendo que mais um dia se passou sem você usar a Matemática.
  • Dominar o Excel. 80% dos problemas da humanidade são resolvíveis no Excel.
  • Trocar um pneu (se mulher). Não acredite em feminista que não troca pneu.
  • Lavar a louça (se homem). Homem com H lava louça.
  • Comprar perto de casa. Mova a economia local.
  • Evitar pós brancos como açúcar e sal. E tem mais pós a evitar.

Planejamento plurianual de marketing

  • Fazer um book de fotos.
  • Fazer desfiles e comerciais.
  • Fazer bons contatos.
  • Namorar um esportista famoso.
  • Desmanchar o namoro.
  • Conceder entrevistas contando tudo sobre o namoro.
  • Aparecer em festas e eventos escolhidos cuidadosamente.
  • Posar nua para a Playboy.
  • Aparecer em talk shows e programas de auditório.
  • Namorar a sério um homem muito rico.
  • Casar com o homem muito rico em uma festa de arromba.
  • Publicar as fotos da lua de mel na revista Caras.
  • Conceder entrevistas contando como está feliz.
  • Abrir o apartamento de cobertura para a revista Caras.
  • Plantar rumores de desentendimento entre o casal.
  • Separar-se do homem muito rico.
  • Viajar para a Suiça tentando esquecer a separação.
  • Assinar contrato com uma emissora para estrelar programa de TV.
  • Namorar homens variados da moda.
  • Criar factóides diversos de manutenção.

Por que listar?

Por muito tempo pensei que nesse mundão de Deus eu estava entre os poucos com fixação por listas. De uns tempos para cá, porém, a mania das listas está contagiando mais pessoas, ou pelo menos está ficando mais visível. Siga meu raciocínio. Se você for à livraria vai encontrar obras como 1001 lugares para conhecer antes de morrer, 1001 filmes para ver antes de morrer, 1001 discos para ouvir antes de morrer ou 1001 livros para ler antes de morrer. As grandes revistas criam listas de todos os tipos: as maiores empresas, as personalidades mais influentes, os fatos mais marcantes do ano, as mais bem vestidas, etc. Na Internet, é possível encontrar sites onde a atividade principal é montar listas. 

Criar listas é uma atividade que se intensifica no final de cada ano. Época de balanço e renovação a virada do ano nos põem a contabilizar o que deu certo, quem se destacou, o que marcou e o que virá. Listas fixam cânones, classificam, trazem certeza, dão segurança, separam o joio do trigo e, por isso, fazem sucesso.

Um mistério, contudo, envolve a arte da listagem: qual é o número cabalístico que define uma lista? Talvez, por termos dez dedos nas mãos, boa parte das listas é definida em múltiplos de dez: os dez melhores vinhos, as 100 maiores empresas, os 1000 melhores filmes. Os adoradores de 10 não botam fé em listas com números “quebrados”.  1001 até que passa, talvez pela proximidade com 1000 e por conta da analogia com as 1001 noites, mas quem aceitaria uma lista com 999 itens? Alguns ousados arriscam listas com números exóticos como 140 dicas para Twitter. Nesse caso, a graça vem de 140 remeter ao número máximo de caracteres que um tweet aceita. Da minha parte, tenho uma admiração secreta pela base de contagem 2 e, por isso, minhas listas sempre envolvem potências de 2. É por isso que listo 64 sites, 128 peças teatrais, 256 filmes, 512 músicas e 1024 livros.

Veja também: O mito do jornalismo imparcial

A imparcialidade jornalística é corroída nos detalhes e nas sutilezas.

Sua opinião me interessa