Por que algumas pessoas não reciclam

O blog Care2 relacionou 5 motivos que explicam porque algumas pessoas não participam do esforço coletivo pela reciclagem de resíduos. Essas razões podem ser contestadas, poderíamos dizer que se tratam de desculpas de bêbado, mas seria melhor levá-las em conta se quisermos ampliar a reciclagem de resíduos. Não adianta apenas ignorá-las, até porque fazem sentido em muitos casos. O melhor é deixar os relutantes sem desculpas. Vejamos os cinco motivos:

Desculpas para não reciclar

  • Reciclar não é cômodo. Realmente, participar da reciclagem exige algum esforço. O consumidor que faz sua parte na cadeia da reciclagem precisa prestar atenção no seu lixo; tem que triar, preparar e armazenar o resíduo; deve se informar onde estão os pontos de coleta e se deslocar até eles para entregar seu resíduo. A reciclagem só vai ficar prática no dia em que encontrar um ponto de coleta de resíduos for tão fácil como comprar uma Coca-cola.
  • Não tenho espaço em casa para recicláveis. Para separar os resíduos corretamente, é preciso levar em conta os vários tipos possíveis: orgânico, vidro, plástico, metal, papel, pilhas, lâmpadas, óleo comestível, etc. Fica aí o desafio para os designers: criar uma solução de mobiliário prática para concentrar esses materiais em um espaço compacto e organizado.
  • Se me pagassem, eu reciclaria. A reciclagem é uma indústria rentável que faz inclusão social. É possível remunerar o consumidor pelos seus resíduos, mas é preciso cuidado para não inviabilizar o modelo de negócio ainda frágil dessa indústria. Além do mais, se o consumidor ganhar dinheiro com seus resíduos podemos iniciar uma bola de neve em que as pessoas ficarão propensas a gerar mais resíduos em vez de reduzi-los.
  • Reciclar não faz diferença. A mídia tem preferência por notícia ruim e costuma reservar mais espaço para falar de aquecimento global e desastres ecológicos do que para divulgar casos bem sucedidos de proteção ambiental. É preciso mudar a percepção das pessoas de que a causa ambiental está perdida.
  • Reciclar é difícil. A maioria dass pessoas não tem conhecimentos técnicos para separar seus resíduos. Não é simples saber se um material é reciclável ou não. Essa limitação dificulta deixar a triagem do lixo por conta do consumidor. Descomplicar a reciclagem passa por várias iniciativas como ensinar reciclagem nas escolas e impor regras para que a indústria limite a produção de embalagens complexas.

Deixar a reciclagem mais prática e fácil é importante, mas enquanto isso não acontece não vale ficar dando desculpa esfarrapada. Veja agora outros desafios para quem quer reciclar:

Recicle se for capaz

Reciclar exige consciência e muita paciência. Cada tipo de resíduo requer um processamento diferente. Para aluns tipos, a reciclagem já alcançou um estágio avançado de maturidade. É o caso do alumínio, que no Brasil apresenta a maior taxa de reciclagem do mundo. Outros tipos ainda são um desafio para quem quiser destiná-los corretamente. Veja alguns casos:

  • Eletrodomésticos com carga de CFC. Refrigeradores e aparelhos de ar condicionado mais antigos podem estar carregados com gás CFC que é aquele fluido de refrigeração que destroi a camada de ozônio. Esses aparelhos devem ser reciclados por uma empresa idônea que recolha o gás CFC antes de desmontar os aparelhos e que faça seu tratamento para neutralizar o risco para a camada de ozônio.
  • Inseticidas, pesticidas e venenos. Agricultores usam inseticidas na lavoura e conhecem os procedimentos para descarte das embalagens desses produtos. Em casa algumas pessoas mantem esses produtos para combater pragas e roedores. O descarte tanto das embalagens vazias como de produtos vencidos é uma grande dor de cabeça para a qual dificilmente algum município está preparado. Mas pensando bem, quem realmente precisa dessas coisas em casa? Talvez métodos biológicos e naturais resolvam o problema.
  • Isopor. O isopor é muito utilizado em embalagens de produtos frágeis como eletro eletrônicos. Embora seja um plástico reciclável, o isopor não agrada os recicladores porque tem pouco peso para muito volume. No futuro, os lojistas levarão o isopor de volta depois de entregar o produto na sua casa, mas por enquanto a dica é evitar ao máximo adquirir produtos embalados em isopor.
  • Lâmpadas fluorescentes. Elas são mais econômicas e duráveis, mas um dia param de funcionar. Não devem ser quebradas para não liberarem mercúrio. A destinação correta é devolvê-las inteiras ao fabricante. O difícil é encontrar pontos de coleta para esse tipo de resíduo.
  • Latas de spray. A embalagem de aerossol é feita de metal reciclável. O problema é a lata descartada com parte do produto e gás propelente. Se for aquecida, essa lata pode explodir causando sérios acidentes, por isso, as latas de spray devem ser consumidas até o fim e descartadas sem nenhuma pressão. Vale lembrar que muitos produtos como desodorantes são vendidos em outros tipos de embalagem menos problemáticas e mais baratas.
  • Pilhas e baterias. A reciclagem desses produtos a cada dia mais usados na casa moderna deve ser feita por empresas especializadas e os fabricantes são co-responsáveis. Ao consumidor cabe a tarefa de encontrar um ponto de coleta para levar suas pilhas e baterias gastas.
  • Remédios. Sobras de medicamentos são um tipo de resíduo muito complexo e geralmente perigoso. A coleta especial de resíduo hospitalar funciona em algumas cidades mas é restrita a hospitais. O ideal é comprar medicamentos na quantidade certa que será ministrada. Existem programas sociais em algumas cidades para troca de medicamentos no prazo de validade. A situação ideal mesmo vai acontecer no dia em que as farmácias venderem os medicamentos fracionados na quantidade exata receitada pelo médico.
  • Tinta. Sobras de tinta são recicláveis, mas a logística para recolher esse material e enviá-lo ao fabricante ainda não está montada no Brasil e, por isso, o consumidor tem que tomar outras providências. A primeira é calcular bem a quantidade para só comprar o que for consumir. Se mesmo assim sobrar tinta na obra, procure doar ou passar adiante as latas para que alguém utilize o produto enquanto ele ainda está no prazo de validade.

A reciclagem de resíduos é uma cadeia produtiva complexa em que o consumidor consciente é o primeiro elo. Infelizmente, há muitos elos faltando nessa cadeia.

Resíduos

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2 pensou em “Por que algumas pessoas não reciclam

  1. Fiquei surpresa com a declaração de que a reciclagem é uma indústria rentável… Se fosse assim, as empresas sérias de gestão de resíduos sólidos não precisariam cobrar pelo serviço… Hoje, a manufatura reversa e a venda de suas partes resultantes não é suficiente para custear todo processo, que vai desde a coleta até o adequado destino dos resíduos. Sem contar que a Política Nacional de Resíduos Sólidos já estaria implementada, enquanto permanece em discussão para sua regulamentação.

  2. “Reciclar é difícil. A maioria das* pessoas…” (Tem um “S” a mais no texto)
    Realmente, um dos problemas mais comuns é que as pessoas não acham um lugar para descartar o lixo. Aqui na minha cidade, encontra-se uma lixeira a cada 500 metros e as pessoas que tem o mal hábito de jogar o lixo no chão, nunca mudarão se não encontrarem lixeiras próximas a elas.
    O lixo é um problema mundial e temos que adotar essa causa.

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