Conheça as famílias de cédulas que circularam no Brasil desde a Independência até os dias atuais. São vinte e cinco famílias em 197 anos de Brasil independente, o que dá uma média de uma família criada a cada oito anos. A pouca longevidade de nossas cédulas reflete as turbulências econômicas e a inflação alta que corroeu o poder aquisitivo do papel moeda em vários momentos de nossa história.
Neste post temos o período do mil réis que durou 120 anos, parte no Império e parte na República.
República dos mil réis
Mil réis República Caixa de Estabilização
A Caixa de Estabilização foi um órgão federal criado em 1926 no governo Washington Luis que emitiu papel moeda lastreado em ouro. Esse órgão emitiu uma família de cédulas de 10 mil até um conto de réis. Todas as cédulas tinham a efígie de uma jovem representando a República. As notas foram produzidas por pouco tempo, mas circularam até a adoção do padrão Cruzeiro.

- Cédulas: 7
- Produção: 1927 – 1930.
- Circulação: 1927 – 1951.
- Emissão: Caixa de Estabilização
- Impressão: American Bank Note Company
Cronologia das cédulas brasileiras em vídeo
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Mil réis República Banco do Brasil
O Banco do Brasil centralizou a emissão de papel moeda a partir de 1923 e produziu uma família de cédulas impressa pela American Bank Note Company que ia de 1 mil réis até um conto de réis. O design dessa série seguia um padrão peculiar: as cédulas iniciadas em 1 tinham efígie central, as iniciadas por 2 apresentavam a efígie à direita e as iniciadas por cinco tinham efígie à esquerda. São homenageados quatro presidentes da Velha República.


- Cédulas: 11
- Produção: 1923 – 1926.
- Circulação: 1923 – 1944.
- Emissão: Banco do Brasil
- Impressão: American Bank Note Company
Mil réis República dos Estados Unidos do Brasil
Em meados da República Velha o Tesouro Nacional emitiu e a American Bank Note Company imprimiu a série abaixo em que são homenageados seis presidentes do período nas efígies. Em algumas cédulas vemos Brasil escrito com Z.


- Cédulas: 8
- Produção: 1913 – 1926
- Circulação: 1913 – 1942
- Emissão: Tesouro Nacional
- Impressão: American Bank Note Company
Mil réis República Caixa de Conversão
A Caixa de Conversão foi um órgão federal criado em 1906 que funcionou até 1913. Nesse período produziu uma família de cédulas de mil réis lastreado em ouro e moedas fortes. Todas as cédulas traziam a efígie do presidente Afonso Pena.

- Cédulas: 7
- Produção: 1906 – 1913
- Circulação: 1906 – 1942.
- Emissão: Caixa de Conversão
- Impressão: Waterlow & Sons
Mil réis República alegorias
Esta série extensa foi emitida nos primeiros anos da República pelo Tesouro Nacional e impressa pela American Bank Note Company com Z na grafia de Brasil. Traz ilustrações de figuras femininas alegóricas representando República, Justiça e entidades da mitologia clássica. Várias cédulas desta família são versões “republicanas” de cédulas que circularam no tempo do império.




- Cédulas: 25
- Produção: 1889 – 1906
- Circulação: 1889 – 1942
- Emissão: Tesouro Nacional
- Impressão: American Bank Note Company
Mil réis República Georges Duval
No início da República Velha o Tesouro Nacional encomendou uma família à gráfica francesa de Georges Duval. As cédulas têm marca d’água e trazem ilustrações de mulheres jovens e crianças.

- Cédulas: 7
- Produção: 1900
- Circulação: 1900 – 1942
- Emissão: Tesouro Nacional
- Impressão: Georges Duval
Mil réis República Bradburry Wilkinson
Uma das primeiras famílias de cédulas emitidas no período republicano foi impressa pela gráfica inglesa Bradburry Wilkinson. As cédulas traziam a efígie de uma mulher representando a República.

- Cédulas: 9
- Produção: 1900
- Circulação: 1900 – 1942
- Emissão: Tesouro Nacional
- Impressão: Bradburry Wilkinson
Mil réis República avulsas
Além das famílias de cédulas, na República Velha muitas notas que circularam não formavam conjunto completo. Eram cédulas avulsas ou séries incompletas.
Cédulas de 5 mil réis com o Barão do Rio Branco. Brasil escrito com S e com Z.

Abaixo temos três cédulas impressas pela gráfica inglesa Waterlow & Sons.

Nota de 2 mil réis com a figura de uma misteriosa jovem retratada no quadro Saudades. Seria ela pessoa das relações do Ministro da Fazenda Joaquim Murtinho?

Numa época em que todas as cédulas eram impressas no exterior, algumas cédulas de mil réis foram impressas na Casa da Moeda do Rio de Janeiro.

Emissões de bancos particulares e estaduais
No início da República foi dada autoridade de emissão a bancos particulares e governos estaduais. Não apresentamos aqui as cédulas dessa classificação pela dificuldade de inventariar.
Período do Império
Mil réis Império American Bank
A partir da década de 1870 as cédulas do império passaram a ser emitidas pelo Tesouro Nacional e impressas pela American Bank Note Company. Embora não formem um conjunto coeso essas cédulas tem algumas características em comum: trazem a efígie do imperador D. Pedro II e tem o design típico da American Bank. Aqui agrupamos essa família em sub conjuntos.
Nesse grupo temos a efígie do imperador jovem.

Nesse conjunto temos o brasão do império em destaque.

Aqui temos os dizeres Império do Brazil em destaque.

Nesse sub conjunto aparecem figuras alegóricas da cultura clássica que foram retomadas no período republicano.

- Cédulas: 23
- Produção: 1870 – 1888
- Circulação: 1870 – 1888
- Emissão: Tesouro Nacional
- Impressão: American Note Bank Company
Mil réis Império Perkins Bacon & Petch
O Tesouro Nacional emitiu e a gráfica inglesa Perkins imprimiu essa primeira família completa de cédulas de mil réis. Existem algumas variações na família e por isso separamos em dois sub conjuntos principais.
Valor destacado em algarismos arábicos.


Valor destacado também por extenso em cor diferenciada.

- Cédulas: 19
- Produção: 1835 – 1870
- Circulação: 1835 – 1889
- Emissão: Tesouro Nacional
- Impressão: Perkins Bacon & Petch
Mil réis Império Troco do cobre
Esta série foi emitida com a ideia de recolher as moedas de cobre em circulação no império. O cidadão recebia uma cédula de papel em troco do cobre recolhido, daí o nome dessa série. O recolhimento foi motivado por um derrame de moedas falsas que estava comprometendo o meio circulante.

Emissões de bancos particulares e provinciais
Durante o império, em alguns períodos, foi dado autoridade de emissão a bancos particulares e governos das províncias. Não apresentamos aqui as cédulas dessa classificação pela dificuldade de inventariar.
Colecionismo
- Princípios de colecionismo
- Colecionáveis únicos e de séries limitadas
- Colecionáveis tradicionais de série
- Colecionáveis modernos de série
- Colecionáveis incomuns de série
- Famílias de cédulas brasileiras – cruzeiro ao real
- Famílias de cédulas brasileiras – tempos do mil réis
- Estudando Economia e História com as cédulas brasileiras
- Principais cédulas em circulação
- Minhas cédulas brasileiras favoritas
Considero as cédulas de 10 mil, 50 mil e 100 mil cruzeiros emitidas a partir de 1984, bem como as moedas de 100, 200 e 500 cruzeiros emitidas em 1985 e 1986 como a TERCEIRA FAMÍLIA de cédulas próprias do segundo cruzeiro, que era denominado “cruzeiro novo” quando de sua concepção até a época de seu lançamento em circulação em 1970. Inclusive tal família de cédulas veio a ser reaproveitada quando do lançamento do cruzado.
Tais cédulas já não contam com a marca do já falecido designer gráfico Aloísio Magalhães, que foi responsável pelo design das peças da primeira e da segunda família do cruzeiro lançadas a partir de 1970.
As cédulas do segundo cruzeiro (ainda denominado “novo” quando de seu lançamento) foram majoritariamente emitidas pela Casa da Moeda do Brasil, ao passo que as cédulas do cruzeiro “antigo” (o primeiro cruzeiro lançado, composto de cédulas emitidas e lançadas em circulação até o final dos anos 60) eram em sua maioria produzidas no exterior pela “American Bank Note Company” e pela “Thomas de La Rue”.
As cédulas carimbadas com dizeres de centavos e de cruzeiro novo eram para acostumar a população até que o maquinário da Casa da Moeda estivesse em condições para a emissão das novas cédulas.
Considero a nota de 1000 cruzeiros de 1978, cognominada “Barão” como a primeira da segunda família, ainda que depois de seu lançamento tenha havido modificações nas cédulas de 10 (que na estampa B passou por modificações com vistas a reduzir seu custo de emissão, dado que já havia em projeto a substituição de tal valor, assim como dos valores de 1 e de 5 cruzeiros por moedas de aço inoxidável) e de 500 cruzeiros (com a introdução na estampa B de um registro coincidente ausente na estampa A de tal valor, que foi lançada em 1972). A cédula foi modificada em 1981 por conta de constantes problemas com as falsificações.
Por conta dos problemas de falta de troco na época do lançamento do primeiro cruzeiro, em 1944 foram colocadas em circulação o estoque de cédulas de 1$000 que foram encomendadas pelo Banco do Brasil duas décadas antes. A despeito delas não possuírem carimbo de equivalência de 1 cruzeiro, elas foram colocadas excepcionalmente em circulação pela escassez de cédulas e de metal para moedas na época da guerra. Inicialmente, as notas de 1, 2 e 5 cruzeiros do primeiro cruzeiro lançado em 1942, equivalentes a 1, 2 e 5 mil réis respectivamente, não eram para ter existido, mas foram colocadas em circulação ainda assim. Os planos eram de emitir apenas as notas nas importâncias entre 10 mil réis a um conto de réis, que pela conversão de 1942 viriam a ser 10 cruzeiros a 1000 cruzeiros. Apesar disso, as cédulas de 1 e 2 cruzeiros seguiram sendo emitidas até 1958 e a de 5 cruzeiros até 1964.
Inicialmente (no final da década de 1920) o plano era de que o Cruzeiro fosse equivalente não a mil-réis e sim a dez mil réis e caso assim fosse, teríamos todos os centavos/cêntimos e não só as importâncias a partir de 10 centavos, que veio a ser equivalente a menor moeda então circulante, que era de 100 réis.
Todas essas cédulas foram fabricadas no exterior, com exceção da “nota do índio” de 1961/1962, que se você observar, é dissonante das outras cédulas do cruzeiro, assim como ocorre com a nota de 5000 e 10000 cruzeiros também lançadas nos anos 60.
Talvez tivesse sido mais interessante lançar a nota do índio no valor de cinco mil ao invés de no valor de cinco cruzeiros. Isso poderia dar mais sobrevida a cédula, se bem que não seria adequado sair fazendo, como Jânio fez, distribuindo notas de 5 mil a torto e a direito.