Os cinco níveis da consciência ambiental

O que é consciência ecológica? Muita gente vai dizer que é jogar o lixo na lata do lixo. Está certo! Começa por aí mesmo, mas não vamos nos iludir que salvaremos o mundo simplesmente praticando lixo ao cesto. A conscientização ambiental é uma escada e a maioria das pessoas ainda está nos primeiros degraus. Para simplificar, vamos supor que essa escada se divide em três lances: básico, médio e avançado. Além disso, há dois degraus de alienação.

  • Ecosênior. O acesso à elite dos ecologistas seniores (avançados) ainda é reservado a alguns idealistas que não ligam para a opinião da maioria. O ecologista avançado é verde como o Hulk e chega a ser visto como um ser exótico que abraça um estilo de vida radical. O impacto ambiental do ecologista sênior tende para o limite mínimo que se pode alcançado em nossa realidade tecnológica e social.
  • Ecopleno. Para entrar no time dos ecologistas plenos (de nível médio) o comprometimento tem que ser considerável. Você terá que mudar hábitos, gastar dinheiro e se envolver. O impacto ambiental nesse nível é bem reduzido se comparado a um cidadão sem preocupações ambientais.
  • Ecojunior. Para se tornar um ecologista júnior (básico) não é preciso comprometimento alto, basta praticar algumas ações simples no dia-a-dia que geram bons resultados ambientais.
  • Alienado básico. Sujeito que não tem formação ambiental e comete erros básicos de preservação.
  • Consumista de alto impacto. O predador ambiental em sua plenitude.

Ecologista júnior

Para ser um ecologista júnior não é preciso muito esforço ou comprometimento. Se você ainda não entrou na onda verde, comece pelas coisas simples e fáceis: seja um ecologista júnior. Ninguém vai chamá-lo de ecochato e as ações básicas que você vai por em prática serão suficientes para reduzir seu impacto ambiental. Veja algumas coisas que um ecologista júnior faz:

  • Não jogar lixo no ambiente. Lugar de lixo é na lixeira, obviamente. E depois de passar por ela, o lixo deve chegar a um destino adequado.
  • Respeitar a fauna, principalmente a selvagem. Nada de criar lagartos em gaiola, frequentar rinhas de galo ou caçar capivara.
  • Separar o lixo em reciclável e não reciclável. A separação básica do lixo é o primeiro degrau da consciência sobre os resíduos sólidos.
  • Evitar as sacolas descartáveis. Consiga sacolas retornáveis. Algumas são charmosas e transadas.
  • Evitar produtos descartáveis como copos e talheres de plástico. Talvez você tenha que mudar de lanchonete, mas sendo pelo ambiente vale o esforço.
  • Usar lâmpadas de baixo impacto ambiental. Trocar as lâmpadas pelas LED é dinheiro no bolso.
  • Economizar água potável. O ecojunior não desperdiça água tratada. É bom para o ambiente e para o bolso.
  • Economizar energia elétrica. Menos consumo de eletricidade, menos contas a pagar no final do mês e menos CO2 na atmosfera.
  • Acompanhar as questões ambientais na mídia e procurar conhecer o assunto. O ecojunior quer aprender sempre mais sobre meio ambiente.

Ecologista pleno

Ser um ecologista pleno não é simples. A sociedade ainda não reconhece, nem valoriza esse tipo de comportamento. Você vai assumir essa postura por sua conta e risco. É claro que com o tempo, as pessoas vão imitá-lo e aí você poderá dizer que foi um pioneiro. Para ser um ecologista pleno (de nível médio) você precisará mudar hábitos e fazer alguns investimentos. O resultado alcançado em termos ambientais é ótimo. O impacto ambiental de um ecologista pleno pode ficar abaixo da metade do que o de um alienado ambiental de classe média. Veja algumas coisas que o ecologista pleno faz. Lembre-se que ele incorpora também todos os hábitos saudáveis que um ecologista Junior cultiva.

  • Separar o lixo em categorias segundo as melhores práticas. O ecologista pleno cuida do seu lixo com carinho, faz a reciclagem acontecer e se sente responsável pelos resíduos que gera.
  • Compostagem do lixo orgânico. Quando mora em casa, o ecopleno faz a compostagem do seu lixo orgânico.
  • Aquecimento solar da água potável. Em sua casa, o ecologista pleno tem um sistema de aquecimento solar para água. Custa dinheiro, mas traz economia na conta de luz.
  • Captação da água de chuva. Em casa ou no condomínio, a captação de água da chuva economiza água tratada e alivia o sistema de águas pluviais público.
  • Tratamento básico de águas residuais. Em algumas cidades esse tratamento já é obrigatório em condomínios, mas o ecopleno trata sua água residual mesmo sem ter a obrigação legal de fazer isso.
  • Fontes alternativas de energia. O ecopleno usa fontes alternativas como o forno a lenha. A lenha deve ter origem sustentável, obviamente.
  • Móveis e utensílios ecológicos. Na casa do ecopleno, os bens tem sempre algum diferencial para o ambiente. Os móveis são de fibra sustentável, algodão, etc.
  • Preferência pelo transporte coletivo. Mesmo quando dispõe de veículo próprio, o ecologista médio dá preferência ao transporte coletivo ou, então, pedala na magrela.
  • Alimentos orgânicos. O ecologista pleno dá preferência aos alimentos orgânicos, mesmo sabendo que são mais caros e que ele está custeando o fortalecimento da nova agricultura.
  • Internet para resolver problemas. O ecologista prefere a Internet para pagamentos bancários, fazer compras, ler notícias, etc.
  • Produtos de baixo impacto. O ecologista analisa os produtos que compra e dá preferência aos que têm menor impacto ambiental.
  • Valoriza a flora local. Ao plantar uma árvore, o ecologista médio escolhe uma espécie nativa da sua região.

Ecologista sênior

Existem poucos ecologistas avançados (seniores) pelo mundo afora. São pessoas que levam a sério a questão ambiental, a ponto de adotarem um padrão de vida que a maioria ainda considera radical. Talvez no futuro, o modo de vida de um ecologista sênior seja considerado comum, mas isso veremos. Ele incorpora os hábitos do ecojunior e do ecopleno, mas além disso, adota posturas mais avançadas como:

  • Energia elétrica gerada com células fotovoltaicas. Essa é uma tecnologia promissora que poucos utilizam porque é pouco difundida, mas o ecosenior está antenado com as tecnologias ambientais de ponta.
  • Casa construída nos rigores da moradia ecológica. Uma casa realmente ecológica é uma raridade, mas o ecologista sênior faz o que pode para ter uma.
  • Gerenciamento digital da casa. Uma casa ecológica deve ser tecnológica, pois a automação pode ajudar no gerenciamento dos recursos domésticos.
  • Trabalha em casa. O ecosenior se preocupa em reduzir ao máximo seus deslocamentos para economizar recursos. É capaz de fazer opções profissionais que reduzam deslocamentos como trabalhar em casa.
  • Captar e tratar a água potável que consome. O ecologista avançado supre suas necessidades de água sem precisar da infraestrutura pública.
  • Tratamento completo da água residual. Nada de liberar resíduos líquidos sem tratamento no ambiente. O ecologista sênior trata seus resíduos de forma completa.
  • Não usar carro. Se alguns dão preferência ao transporte público, o ecosenior simplesmente dispensa o carro particular.
  • Não acumular bens inativos. A casa do ecosenior é espartana em bens. O que não é usado, é passado adiante.
  • Não consumir produtos de alto impacto ambiental. Não se trata apenas de dar preferência aos produtos de baixo impacto, mas de boicotar produtos de alto impacto, mesmo que isso cause transtornos na rotina diária.
  • Até dois filhos por mulher. A superpopulação é um dos maiores desafios ambientais e, por isso, o ecosenior opta por não contribuir com o aumento populacional.
  • Militância ambiental. Nosso amigo ecologista avançado é militante da causa ecológica, ativamente ou como contribuinte de organizações ambientalistas.

Alienado básico

A maior parte da população se enquadra no tipo alienado básico. Apesar de não fazer nada pelo meio ambiente o alienado básico tem impacto ambiental médio porque seu padrão de vida é modesto. O problema está na quantidade de pessoas que fazem parte desse grupo. Bilhões de alienados básicos pelo mundo afora são um grande problema para o planeta. Quando penso nesse tipo me vem à cabeça a minha família há 30 anos atrás. Naquela época, eu vivia com meus pais e irmão em uma casa modesta. Nós não tínhamos carro, praticamente não viajávamos e todos se deslocavam de ônibus. Curitiba ainda não tinha coleta seletiva de lixo, refrigerante era vendido em garrafa retornável e só aparecia na mesa em finais de semana. A discussão sobre meio ambiente estava só começando e não se falava em efeito estufa ou buraco na camada de ozônio. Esse estilo de vida, passado para mim, ainda é atual para muita gente. Para conhecer melhor o alienado básico, veja algumas de suas características.

  • Desinformação ambiental. O alienado básico não entende de questões ambientais e não parece muito interessado em se informar sobre o assunto.
  • Não separar o lixo. No máximo, o alienado básico joga o lixo na lixeira, mas nem olha se o que está jogando fora poderia ser reciclado.
  • Consumidor de descartáveis. O alienado básico consome copos descartáveis sem remorso e acha legal receber talheres de plástico embalados individualmente na lanchonete.
  • Não valorizar produtos ambientalmente corretos. Nosso amigo alienado básico não observa se os produtos que consome apresentam alguma vantagem para o ambiente.
  • Produtos químicos agressivos. Na casa do alienado básico encontramos uma variedade de produtos químicos agressivos ao meio ambiente como herbicidas, inseticidas e produtos de limpeza pesada.
  • Padrão de vida modesto. O que salva o alienado básico é o seu padrão de vida simples. Ele economiza água, gás e eletricidade dentro das possibilidades que a sua moradia não ecológica permite. Seu apetite de consumo é freado pelas limitações do orçamento.

Consumista de alto impacto

O consumista de alto impacto está no topo da cadeia predatória do meio ambiente. Ele é minoria na população, mas o estrago que causa é muito alto. Por que esse grupo é minoritário? Impacto ambiental alto está associado com renda alta. Geralmente, o consumista de alto impacto é um cara da grana. A boa situação econômica lhe permite consumir muito, além de influenciar negativamente as pessoas à sua volta. Em alguns casos, ele tem poder de decisão na sociedade e o utiliza em prejuízo do ambiente. Podemos dizer que esse tipo acumula os vícios de seu primo pobre (o alienado básico), além de apresentar vícios mais pesados como:

  • Militância antiecológica. Em muitos casos, esse predador ambiental se coloca contra as causas ecológicas, chama os ambientalistas de frutinhas e por aí vai.
  • Longos deslocamentos. O consumista faz longas movimentações motorizadas sem critério. Não pensa duas vezes antes de cruzar a cidade para comprar uma futilidade. Faz viagens pessoais longas com frequência e não planeja seus deslocamentos para economizar tempo e combustível.
  • Hiper consumo. A casa do sujeito é maior do que ele precisa. O motor do seu carro é mais potente do que ele precisa. O guarda-roupa dele tem mais roupa do que ele precisa. Enfim, ele tem um monte de coisas que não precisa.
  • Ao infinito e além. Esse consumista nato acredita que progresso é crescer sempre e o vê o futuro com mais carros nas ruas, mais shoppings e mais ar condicionado. Para ele, subir na vida é consumir mais. É o tipo que acha que devia haver voos regulares para turismo na Lua.

Veja também: Ambientalistas que se culpam por nascer

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