Entenda o mundo digital
Sistemas de busca
Desaprendendo a pesquisar
04/10/10
No meu tempo de estudante pesquisa se fazia na biblioteca. Meus filhos fazem pesquisas na Internet. Eles vão à biblioteca também, mas no geral usam bem mais a informação digital do que a celulósica. Para pesquisar à moda antiga era preciso desenvolver algumas habilidades que lentamente podem desaparecer nas novas gerações. Está certo que outras habilidades substituirão as antigas e farão a diferença na vida do cidadão digital bem-sucedido. Ouso dizer, porém, que estas novas habilidades não se comparam às exigidas no passado por uma razão simples: os mecanismos de busca digital estão programados para compensar boa parte das deficiências do pesquisador. Vamos fazer um comparativo entre pesquisa tradicional e digital para explicar melhor o que quero dizer.
Google do seu jeito
04/10/10
Os usuários agora podem personalizar a página inicial do Google. É a mudança mais radical na interface do Grande Oráculo desde seu lançamento há mais de doze anos. A personalização é básica. O que o usuário pode fazer é colocar uma imagem de fundo na interface. Dizem que essa novidade é inveja do Bing que conta com belas imagens de fundo na página inicial há mais tempo, mas para ser franco, a busca do Bing continua bem melhor em termos de design que a do Google.
Google do bem
02/10/10
Eu admiro as virtudes do Google, seu pioneirismo e sua eficiência em buscas na Internet. No entanto, fico incomodado com uma certa idolatria bovina que percebo nas pessoas em relação ao grande buscador. E não falo de pessoas pouco articuladas. Tenho visto uma confiança incondicional no Grande Irmão em pessoas com razoável senso crítico. Qual será o pó de pirlimpimpim que Google esparje sobre a massa internáutica? Em parte, creio que sua eficiência realmente impressione, mas existem outros buscadores eficientes também. Temos que lembrar que Google tem um certo apelo em função de sua trajetória: dois jovens universitários talentosos desenvolvem uma solução inovadora que repentinamente cai nas graças do usuário e os leva ao topo do estrelato. É o velho arquétipo dos eleitos que estavam no lugar certo na hora certa. E temos também aquele discurso de Google que se propõe a ser imparcial em seus critérios de ranqueamento. Um serviço supostamente do bem. Todos esses ingredientes criam uma aura mística em torno de Google que pode impedir as pessoas de ver em que ele realmente se tornou: uma mega empresa americana de abrangência mundial com vocação monopolista que opera com serviços estratégicos de informação.
No Google, o Bem vence o Mal
02/10/10
Para quem se preocupa com a luta do Bem contra o Mal, aqui vai uma notícia boa: pelo menos no Google o Bem ganha com larga vantagem. Para conferir, basta fazer uma pesquisa no Google Insights for Search. Esse serviço permite analisar a atividade dos usuários na ferramenta de busca do Grande Irmão. Você informa as palavras-chave que quer analisar e recebe um gráfico que mostra o volume de buscas por esses termos desde 2004. Veja algumas comparações interessantes:
A Internet em tabelas
30/09/10
A Internet é um gigantesco repositório de informação desestruturada. Vou explicar com um exemplo: o internauta encontra facilmente informações sobre raças de cães, mas se quiser organizar essas raças pelo tamanho do animal, vai ter que garimpar as informações de peso e medidas raça por raça e tabelar os dados usando recursos cerebrais próprios. Se o internauta tiver sorte, encontrará um site que traz a tabela prontinha, mas essa não é a regra, infelizmente. Mesmo quando encontra os dados tabelados, não é simples gerenciá-los para obter combinações como, por exemplo: que raças de cães grandes têm temperamento dócil?
Sistema de respostas. Esse modelo se auto destruirá em …
30/09/10
Estamos entrando na era da Web 3.0, também chamada de Web semântica. Uma área que vai avançar muito nessa nova fase da Internet é a dos sistemas de respostas. Diferente de um sistema de busca, que fornece endereços, o sistema de respostas responde diretamente as perguntas do usuário. Já existem sistemas de resposta disponíveis na praça como o Answers.com. No Answers o usuário digita um assunto e recebe textos extraídos de fontes populares como Wikipedia ou Oxford Press. O serviço prestado pelo Answers é o de organizar a informação para o usuário, poupando-o de visitar site por site coletando os dados que precisa. A relevância de um serviço como esse é discutível, pois apenas queima uma etapa da pesquisa e deixa a cargo do sistema a seleção das fontes. Mas não vamos tirar o mérito dessa iniciativa que pode ser prática para pessoas que querem apenas uma resposta básica sobre assuntos do senso comum. Outros sistemas de resposta estão em desenvolvimento e prometem ir além com recursos avançados de semântica para dar respostas a perguntas complexas. Um exemplo nessa linha é o Webscalers da Universidade de Binghamton, outro é o Wolfram da Universidade de Harvard.
Para onde vão as páginas antigas da Internet?
30/09/10
Quando passo pela Biblioteca Pública de Curitiba gosto de ir à seção de periódicos folhear revistas antigas. Encontro lá preciosidades como exemplares da National Geographic da década de 1930 e de O Cruzeiro da década de 1960. A história das revistas se preserva assim: papel enfileirado em estantes. Mas e a história da Internet? Como vai ser contada? Será que o preço do dinamismo dessa mídia é a volatilidade? Sim, existem algumas iniciativas de preservação na Internet como o WayBackMachine onde é possível encontrar páginas antigas de vários sites. Fiquei surpreso ao encontrar lá páginas de 2003 do meu site pessoal. Só que o WebArquive não é exaustivo. Além do mais, o que ele guarda são versões estáticas de sites que na época tinham dinamismo e interatividade.
Por que ser organizado se você tem o Google?
30/09/10
Todo mundo gosta de organização, embora muitos não ousem admitir publicamente esse gosto. A organização faz impérios. Não é uma beleza entrar no McDonalds sabendo que em poucos minutos seu sanduíche sem gosto estará na mão exatamente como da última vez? Poucas pessoas são organizadas e ninguém gosta de ser cobrado por desorganização. Eu gosto de organização e sou organizado, mas garanto que não tenho TOC (transtorno obsessivo compulsivo). Sempre vi essa minha facilidade para ordenar o mundo à minha volta como uma qualidade pessoal. Infelizmente, essa suposta qualidade está ameaçada de extinção. Tudo bem, não é a única qualidade obsoleta que coleciono. Percebi a futura inutilidade do senso de ordem quando li uma matéria sobre a ação promocional do Google chamada Ninjas do GMail.
O dia em que o Google substituiu a Internet
30/09/10
Imagine que você quer saber dia, hora e local do próximo jogo do seu time de futebol. Não seria bom escrever no buscador de Internet uma pergunta simples como:
— Quero informações sobre o próximo jogo do Atlético Paranaense.
E receber uma resposta direta:
— O próximo jogo será contra o Coritiba, dia 25/04 às 16h na Arena da Baixada.
O dia em que isso acontecer, os buscadores deixarão de ser meros sistemas de busca para se tornarem oráculos da sabedoria do universo. Rezo para que esse dia nunca chegue. Prefiro o modelo atual em que o sistema de busca responde com endereços de Internet, pois buscadores nada mais são do que uma evolução da lista telefônica.