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O valor real do salário mínimo nos últimos vinte anos

Salário mínimo em vigor para 2019: R$ 998,00

Desde que foi criado em 1940 o salário mínimo subiu e desceu em valor real como uma montanha russa. Engana-se quem pensa que vivemos o período com o salário mínimo mais valorizado da história. Durante o governo JK, na década de 1950, o salário mínimo paulista chegou a superar R$ 2.000,00 em valores de hoje ficando próximo do valor que o DIEESE considera o mínimo de verdade. Tá certo que naquele tempo, o salário mínimo não era unificado nacionalmente e muitos patrões desrespeitavam a lei, pagando abaixo do mínimo aos trabalhadores. Durante o regime militar o valor real do salário mínimo também superava na média o valor atual, mas já sofria a corrosão inflacionária. Após a redemocratização do país, o valor do mínimo despencou comprometido pela inflação galopante dos governos Sarney e Collor/Itamar. O momento de valor real mais baixo aconteceu no final do governo Itamar Franco e coincidiu com a implantação do Plano Real.

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O que é a classe média?

Durante o período eleitoral a classe média foi muito citada. O governo falou bastante sobre uma nova classe média e a oposição considera que a classe média tradicional é seu maior reduto eleitoral na atualidade. Mas o que é a classe média, afinal?  Nessa hora penso naquela família dos comerciais de margarina em que temos um casal com dois filhos vivendo em uma casa confortável com todo o aparato tecnológico de bens. Há um carro médio seminovo na garagem; os filhos estudam em escola particular e todos têm a saúde protegida por um bom plano de saúde. Com alguma frequência a família de comercial de margarina vai ao restaurante e uma vez por ano viajam em férias. Ensino superior e até pós-graduação são comuns para os adultos desse grupo. Embora vaga, acredito que essa é a imagem da classe média para a maioria das pessoas. O governo federal, o mercado e os intelectuais, porém, têm definições distintas para esse segmento social.

Família margarina

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Você calcula o preço por kg dos produtos?

balança

Quando vamos ao supermercado, muitas vezes ficamos assustados com o preço de alguns produtos vendidos por kg. É clássico o assombro com o preço do bacalhau de primeira nas vésperas da semana santa, mas poucas são as pessoas que fazem o cálculo do preço por kg de produtos comercializados em apresentações leves como um bombom, por exemplo. Não é possível comparar produtos diferentes com apresentações diferentes e, por isso, em alguns países, além do preço do produto embalado, o cliente deve ser informado do preço por kg, o que é uma forma interessante de avaliar se o que você está pagando considerando uma mesma base de comparação entre os produtos. Veja na tabela a seguir o comparativo entre produtos alimentícios comuns nas gôndolas do supermercado.

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A gente ainda somos inútil?

Para comemorar seus 10 anos de governo do Brasil o partido da atual presidenta lançou uma cartilha onde exalta suas conquistas e faz comparações com a administração anterior. Obviamente, a cartilha prova que a administração atual é muuuuuuito melhor do que a antecessora. Concordo que o Brasil está melhor hoje do que há dez anos, mas não sei se credito esse avanço à administração recente ou a uma evolução natural da nossa sociedade da qual todos participam. Temos que levar em conta que o trabalho e as lutas de uma geração servem de base para a prosperidade de quem vem na sequência. Da mesma forma, não podemos ser ingênuos a ponto de pensar que o desenvolvimento de um pais é linear, sempre para melhor. Há períodos de estagnação e de decadência que se alternam com períodos de prosperidade. É por isso que prefiro fazer comparações considerando intervalos de tempo maiores.

Que país é esse?

Vivemos um momento de pleno emprego no país e isso é perceptível no meu cotidiano. Na empresa onde trabalho os funcionários novos geralmente são universitários que conquistam um emprego de nível superior bem antes da conclusão do curso. Há uma carência de mão de obra qualificada no país, situação bem diferente da que enfrentei há quase três décadas quando concluí meu curso universitário. Comecei minha vida profissional em um período que ficou conhecido como década perdida. No começo da década de 1980 governava o país um presidente general que pediu para ser esquecido, a inflação galopava e o FMI ditava as regras da política econômica no país. Na sequência, tivemos um presidente mexicano do Maranhão que lançou planos econômicos um atrás do outro, sempre causando grandes prejuízos para os desprevenidos como eu. A autoestima do brasileiro naqueles tempos estava mais por baixo do que barriga de jacaré. Para quem quiser recordar o astral da época recomendo duas músicas que sintetizam o sentimento do período: Inútil do Ultraje a Rigor e Que país é esse? da Legião Urbana.

A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente…

Inútil – Ultraje a Rigor

No final da década de 80, o presidente bigodudo, que até hoje protagoniza a política nacional, deixou para o sucessor um legado de inflação, dívidas e escândalos, mas vamos reconhecer que ele sepultou boa parte do legado autoritário do regime militar anterior. Seu sucessor, o presidente caçador de marajás também abusou dos planos econômicos de choque que me deram bons prejuízos. Esse presidente galã se mostrou um corrupto voraz que escandalizou até a classe política. Em sua curta passagem pelo Planalto não conseguiu debelar a inflação, mas abriu nosso mercado para o mundo, o que acabou oxigenando a economia. Seu sucessor de breve atuação era um ranzinza saudosista que gostava de fuscas, mas deu uma bola dentro ao criar uma nova moeda: o real. Sua política econômica debelou a inflação galopante.

O sucessor do presidente de topete foi um intelectual com gosto pelo poder que usou um receituário econômico liberal e conseguiu a proeza em termos de Brasil de cumprir dois mandatos presidenciais por eleição direta. No governo do tucano muitas pressões da década perdida desapareceram: inflação baixou, a dívida caiu e a economia andou nos eixos apesar de algumas crises e felizmente o período dos pacotes econômicos de choque já havia passado.

No terceiro milênio assumiu o presidente operário que governou em bonança econômica. Não se sabe se esse período de estabilidade aconteceu por conta da competência do operário, se pelo fato de ter recebido a casa em ordem ou se ele surfou na onda da economia internacional que ia de vento em popa. Prefiro acreditar que foi pela soma dos fatores. O presidente operário adotou medidas que melhoraram a renda das camadas menos favorecidas da sociedade e isso criou um novo mercado para o país, que a essa altura já se sentia bem com a alcunha de país emergente.

A quem cabe o mérito pela boa fase que o Brasil atravessa? Em primeiro lugar à população que acorda cedo todo dia e vai trabalhar independente da inflação, do FMI dos escândalos ou da crise internacional. Outra coisa é certa: a prosperidade não se constrói de um ano para outro; ela é o fruto do trabalho de gerações e ninguém pode dizer que a construiu sozinha do zero.

Quando vivemos um bom momento, sempre é bom olhar para trás e depois para o futuro. O bom momento de hoje teve origem nos sacrifícios do passado. Sem se deixar levar pela euforia vamos nos manter atentos porque amanhã os ventos podem ser outros. Ainda somos inútil? Somos emergentes, muita humildade nessa hora.

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?

Que país é esse? – Legião urbana