10.000 anos de engenharia planetária

Nos últimos anos surgiram termos como geoengenharia, engenharia planetária, engenharia de mega escala, engenharia climática. São expressões que aos poucos entram para nosso vocabulário e designam áreas da engenharia que têm por objetivo salvar o planeta de catástrofes ambientais como aquecimento global, derretimento das calotas polares ou acidificação dos mares. A engenharia planetária está ganhando força em vários círculos apesar de seus aspectos prá lá de polêmicos. Não vamos nos iludir, porém, que se trate de novidade, afinal o ser humano vem fazendo engenharia planetária há mais de dez mil anos. Vou explicar:

Digamos que engenharia planetária seja um conjunto de ações humanas envolvendo tecnologias que modificam ecossistemas em grande escala, atingindo vastas regiões e, em alguns casos, o planeta inteiro. Por esta definição, o ser humano é um engenheiro planetário há milênios. Vejam bem, não estamos distinguindo entre intervenções benignas ou malignas. Só para exemplificar vejamos algumas “obras” marcantes na história do planeta fruto da ação humana.

  • Extinção de mega fauna do Holoceno. Nos últimos 10.000 anos, no período geológico conhecido como Holoceno, inúmeras espécies foram extintas. A seqüência dramática de extinções começou no fim da era glacial com o desaparecimento de animais como o mamute lanoso e o tigre de dentes de sabre e vem ganhando velocidade nos últimos séculos. A presença humana nos habitats dos animais extintos é apontada como causa principal dos desaparecimentos.
  • Salinização do crescente fértil. A região localizada entre os rios Tigre e Eufrates, um dos berços da civilização, passou por um processo de salinização na Antiguidade, graças ao uso impróprio do solo para agricultura. A salinização alterou as condições do solo reduzindo em muito a fertilidade da região.
  • Redução da cobertura vegetal nativa. Em quase todas as áreas do planeta a cobertura vegetal nativa foi removida para dar lugar à atividade agropecuária.
  • Desaparecimento do Mar de Aral. O grande lago da Ásia Central conhecido como Mar de Aral teve sua área reduzida em 90% a partir dos anos 1960 por conta de projetos de irrigação conduzidos pela antiga União Soviética.
  • Aquecimento global. O aumento da concentração de gases como dióxido de carbono na atmosfera está causando o gradativo aquecimento do planeta. Os efeitos desse aquecimento são devastadores e a causa do problema está em atividades humanas como queima de florestas e de combustíveis fósseis.

A esta altura alguns vão dizer que os exemplos citados não são exatamente obras de engenharia, mas devem concordar que são modificações drásticas no ecossistema causadas pelo homem mesmo que involuntariamente. Entusiastas ingênuos da engenharia planetária vão argumentar: ah, mas isso é passado. A nova engenharia é do bem e as intervenções nos ecossistemas daqui em diante serão favoráveis ao planeta. Muito cuidado nessa hora. Há engenheiros planetários por aí guiados por velhas idéias desenvolvimentistas. Estes pensam que a crise ambiental planetária pode ser resolvida com grandes obras que envolvem grande consumo de matérias primas e energia e que podem ser implementadas sem calcular os impactos do projeto de forma ampla.

Não adianta se iludir, não dá para pensar em uma engenharia planetária do bem sem rever conceitos. Engenheiro planetário que se preza tem que descer do pedestal, o planeta é grande, mas pequeno para a megalomania do pensamento desenvolvimentista. A verdadeira engenharia planetária ainda está por vir, só não sabemos se virá a tempo.

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