Geoengenharia ou devastação em escala planetária?

Vou dar uma definição de geoenenharia que não é rigorosa nem politicamente correta, mas sintetiza a minha preocupação com essa nova ciência que pode tomar um rumo promissor no futuro, mas que por enquanto está contaminada por uma visão desenvolvimentista e ultrapassada do combate às mudanças climáticas do planeta.

A geoengenharia estuda as ações humanas inconsequentes e de escala planetária capazes de deter as alterações climáticas causadas por outras ações humanas inconsequentes.

Se entendermos a geoengeharia como um conjunto de ações que provocam alterações globais em nosso habitat podemos dizer que somos geoengenheiros há muito tempo. Não é de hoje que o homem faz intervenções drásticas no planeta. Já devastamos a cobertura vegetal de continentes inteiros; extinguimos muitas espécies; contaminamos a maioria dos ecossistemas com poluição; provocamos a desertificação de grandes áreas; secamos rios e mares; construímos grandes barragens, aterros e ilhas artificiais; introduzimos espécies exóticas agressivas em outros biomas e estamos alimentando o aquecimento global. Estou falando de uma geoengenharia de devastação que permitiu à nossa espécie conquistar o planeta, mas que deixou uma fatura a ser paga.

O homem é um geoengenheiro nato que foi ampliando o alcance de suas ações e que agora planeja intervenções em escala global. O objetivo imediato dessa suposta geoengenharia do bem que está nascendo é propor soluções para o aquecimento global. Infelizmente, parte das pessoas que estão se ocupando da geoengenharia seguem a mesma linha predatória do passado em relação ao ambiente. A geoengenharia ainda é um conjunto de propostas e vou falar sobre duas delas para deixar mais claro quais são os riscos a que me refiro.

Escurecimento global com sulfatos. O planeta ficou mais escuro ao longo do século XX, por conta do lançamento de poluentes particulados na atmosfera. Na última década do século passado, ainda bem, a tendência ao escurecimento se inverteu, provavelmente, graças a cortes nas emissões de poluentes. O escurecimento da atmosfera tem potencial de compensar o aquecimento global, pois reduz a incidência de raios solares. Alguns geoengenheiros propõem um escurecimento artificial da atmosfera por meio da queima de enxofre na extratosfera, o que geraria uma camada refletora de sulfatos. Alguns efeitos colaterais viriam junto como chuvas ácidas, alteração no regime de chuvas do planeta e mudanças na cor do céu e do pôr do sol. Além disso, a semeadura de sulfatos teria que ser feita continuamente, pois a retenção deles na atmosfera é curta. Obviamente, quanto mais CO2 for lançado no ar, mais enxofre será consumido para compensar o aquecimento, o que vai mover mais uma indústria devoradora de recursos.

Fertilização dos mares com ferro. O ferro é um elemento importante no ciclo vital da vida marinha. A ideia é fertilizar os oceanos artificialmente com ferro para aumentar a população de algas. As algas seqüestram carbono da atmosfera em seu processo de fotossíntese e, dessa forma, amenizariam o efeito estufa. Os efeitos colaterais dessas algas bem alimentadas pelo geoengenheiros seriam grandes desequilíbrios nos ecossistemas marinhos, surgimentos de marés vermelhas e acidificação das águas, entre outros.

Os dois exemplos que citei têm em comum alguns vícios da velha geoengenharia informal que o homem tem praticado há séculos: atacam os sintomas e ignoram as causas; criam uma espiral crescente de gastos de recursos e apresentam efeitos colaterais inaceitáveis. Não duvido que alguns projetos de geogenheria serão postos em prática no futuro, mas uma geoengenharia do bem não pode ser baseada na megalomania das obras faraônicas e exige respeito à complexidade dos sistemas que governam essa pequena bola azul em que vivemos.

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