Retórica da monografia

Monografia é um discurso dissertativo curto de tema único e restrito. Muitos discursos como redação escolar, notícia, reportagem, pronunciamento de ocasião, relatório, palestra, entre outros, se enquadram nessa definição bastante genérica. Tal diversidade torna quase impossível estabelecer uma Retórica de monografias. Qualquer tentativa neste sentido terá que se basear no geralmente aceito e geralmente válido, procurando estabelecer critérios de excelência suficientemente gerais para atender a discursos tão díspares entre si. Passemos à exposição de alguns critérios consagrados.


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Retórica da influência

Por influência entenda-se convencer, aliciar, mover, incitar à ação.  Os meios que importam à Retórica para atingir estes fins são a explanação, a argumentação lógica e paralógica e a persuasão pelo discurso.

Explanação: É o discurso que informa o receptor sobre determinado assunto. Seus recursos são definição, classificação, exemplificação, análise, síntese, enumeração, postulação.

Argumentação lógica: É o discurso que prova teses. Seus instrumentos são a indução e a dedução. A lógica estabelece os critérios de validade para argumentos, mas, nem sempre validade à luz da lógica é sinônimo de capacidade de convencer. A Retórica ocupa-se da especificidade da argumentação para a influência.

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Retórica do jornalismo

Arbitremos a existência de alguns princípios legítimos que norteiam o jornalismo sóbrio. Se são princípios utópicos ou mesmo de fachada, é questão para discussão filosófica. O fato é que esses princípios norteiam toda a Retórica do discurso jornalístico. Vejamos alguns deles:

Objetividade: discurso objetivo é aquele que dá ao leitor a ciência dos fatos tais quais são, deixando a critério do leitor a valoração sobre eles.

Atratividade: dada a forma como o discurso jornalístico é lido, uma leitura seletiva, descontraída, raramente com objetivos precisos estabelecidos, a atratividade é considerada uma qualidade capital para o jornalismo.

Concisão: a concisão é uma exigência do leitor que não tem tempo a perder.

Simplicidade: a simplicidade deriva da pretensão do jornalismo de ampliar ao máximo o seu espectro de público potencial. Para isso, tem de ser acessível à faixa menos qualificada desse espectro.

Comunicabilidade: a boa comunicabilidade propicia ao leitor a rápida assimilação do texto.

Adequação ao perfil do leitor: o discurso jornalístico procura se colocar no nível do seu leitor típico, isso inclui ajustar o background, a competência lingüística, a sociabilidade.

Respeito ao idioma-padrão: essa regra é uma função da busca de sociabilidade.

Indução fonológica zero: é uma regra de estilo bastante difundida.

Rigor no estilo gráfico: o visual gráfico é alvo de grande atenção do jornalismo.

Regras práticas do discurso jornalístico

Coletando em diversos manuais informações sobre como deve ser o discurso jornalístico, chegamos a algumas conclusões comuns, algumas delas enumeradas a seguir.

Para textos em geral

  • Restrinja-se aos substantivos e verbos.
  • Evite adjetivos e advérbios.
  • Palavras curtas, frases curtas, parágrafos curtos, textos curtos.
  • Evite neologismos, arcaísmos, regionalismos, palavras chulas, gírias, jargões, raridades e modismos.
  • Evite frases subordinadas e coordenadas. Prefira o ponto a conjunções.
  • Não use superlativos e absolutos.
  • Use ordem sintática direta.
  • Uma frase para cada idéia.
  • Não repita, idéias, palavras, sintaxes.
  • Busque o equilíbrio entre o discurso formal e o coloquial.
  • Não use clichês.
  • Use frases afirmativas, em vez de negativas.
  • Use voz ativa. Evite a passiva.
  • Seja impessoal.
  • Suprima anomalias lingüísticas.
  • Controle a conotação dos termos usados, preferindo sempre os de conotação mais neutra.
  • Organize o texto do mais para o menos prioritário.
  • Os parágrafos devem ser independentes, facilitando a supressão do que se julga desnecessário.

Regras para títulos

  • Devem ser curtos  e atraentes.
  • Nos noticiosos, devem conter apenas o foco da notícia.
  • Use verbos no presente do indicativo.
  • Não repita em títulos de mesma matéria, mesma página, mesmo assunto.
  • A tipografia do título deve ser em corpo maior que a do texto.
  • Não hifenize títulos.
  • Não separe grupos fraseológicos, nomes próprios, o termo de seus adjuntos e partes de locuções.
  • Evite artigos.
  • Os segmentos de linha devem ter tamanhos harmonizados entre si.

Imparcialidade

Discurso imparcial é aquele que aborda um tema sem agregar sensações, impressões e opiniões do emissor ou de qualquer outra pessoa.

A possibilidade de o discurso ser realmente imparcial é uma questão filosófica. O que nos motiva aqui são os meios retóricos para aumentar a imparcialidade de um discurso. Isso envolve a manipulação de fatores relativos à:

Conotação: para ganhar em imparcialidade, é preciso evitar as formas conotadas que agregam valoração ao significado.

Atenuação/agravamento: para obter imparcialidade, é preciso evitar todos os artifícios que atenuam ou agravam a valoração da mensagem.

Ênfase: deve ser evitada, pois altera o status da mensagem.

Transferência icônica: altera a valoração do significado, por isso deve ser evitada.

Imparcialidade absoluta

A impossibilidade de uma imparcialidade absoluta se evidencia pelo fato de que qualquer notícia tem sempre existência, edição, extensão e ordem.

Se a notícia existe é porque se fez a escolha de publicá-la, o que em si é atribuição de valor jornalístico ao fato de que ela veicula.

Tendo uma edição, a notícia apresentará uma série de soluções como corpo tipográfico, família de tipos, etc. Todas essas escolhas tem valor e influenciam o leitor.

Tendo uma extensão, o leitor associará à extensão um valor.

A notícia entra em uma ordem de edição e em uma ordem temática, ambas com potencial para  influir na valoração do leitor.

Retórica da oratória

Oratória é a arte do discurso público em tempo real. No discurso oratório é marcante a característica performática. Não basta que ele tenha sido bem planejado, bem redigido, tem de ser bem emitido.

O orador tem de zelar pela sua aparência, pois o ouvinte pode fazer uma transferência icônica a partir da aparência do orador para o conteúdo do discurso. A imagem do orador deve despertar na platéia a impressão por ele premeditada. Para isso, o orador precisa conhecer as expectativas de sua platéia e se beneficiar disso. Esta regra, de moralidade duvidosa, faz a oratória, em certos casos, parecer uma arte de dissimulação.

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Retórica da Literatura

A Retórica  literária é a mais difícil de delimitar. Em literatura, mimetiza-se o formal e o informal, o espontâneo e o elaborado, o oratório, o jornalístico, a discussão, o colóquio e o debate. Assim, a Retórica da literatura nestes casos será a Retórica do jornalístico, do colóquio, do debate, etc.

O caráter literário de um discurso não está dado a priori de uma estética que o suporte. A literariedade não é uma atribuição unânime, líquida e certa, é definida obra a obra, autor a autor, escola a escola, época a época. Não está congelada no Olimpo das idéias platônicas à espera de um estudioso diligente que a resgate. O que é literário para uns pode ser o antípoda do literário para outros. Enfim, literariedade é questão de opinião. Nunca haverá acordo para definir universalmente o que é o literário. Felizmente é assim.

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