Coisas que entregam a idade

Cuidado com algumas coisas que realmente entregam como:

Dizer: Sou do tempo em que …
Usar camiseta por dentro da calça.
Adicionar um amigo no MSN.
Chamar o PT de partido de esquerda.
“Discar” um número de telefone.
Ter foto com paletó e gravata na carteira de identidade.
“Puxar” a descarga do banheiro.
Contar que assistiu a estreia de Robocop (o original).
Lembrar dos afluentes da margem direita do rio Amazonas.
Fazer prestação com cheque pré datado.
Saber para que servia DIR, DEL e FORMAT.
Lembrar de jogos do Paraná Clube na primeira divisão.
Ter algum documento batido à máquina.
Chamar um homem para virar o galão de água mineral.
Ter ficado forte tomando Biotônico Fontoura.
Achar que bicicleta e ônibus são transporte de pobre.
Fazer compra do mês antes que os preços subam (ops, essa talvez não).
Sentir saudades da seleção do Dunga (o Dunga capitão).
Ter diploma do curso de datilografia.
Saber quem matou Salomão Ayala.
Usar a calça na linha da cintura sem mostrar a cueca.
Ter ação na justiça contra os planos Collor, Bresser, etc.


Veja também: Todos os países do mundo em Excel

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FUSCA

Nós vamos invadir seu templo do consumo

Pois é, foram-se os bons tempos da invasão de praias. Quem é jovem há mais tempo como eu se lembra da canção:

… Mistura sua laia
Ou foge da raia
Sai da tocaia
Pula na baia
Agora nós vamos invadir sua praia …

Nós vamos invadir sua praia – Ultraje a Rigor

Agora a onda é o rolezinho, tipo de evento organizado pelas redes sociais em que jovens marcam uma ida em massa a shoppings centers. Se fosse uma coisa chique o rolezinho seria chamado de flash mob, mas o que está incomodando algumas pessoas é o fato de os rolezinhos serem praticados por jovens de periferia que gostam de uma algazarra e de vestir roupas de grife.

Fique claro que até o momento rolezinho não é um evento de índole socialista que elegeu os shoppings como local de protesto contra o consumismo capitalista. Tá certo, que já têm oportunistas ideológicos na área querendo pegar carona na repercussão dos rolezinhos na mídia, mas a consciência política dos “ativistas” do rolezinho ainda é escassa infelizmente. Por outro lado, está aumentando exponencialmente a indignação dos defensores da higiene social climatizada dos shoppings centers. Que horror ser incomodado no momento sagrado de lazer consumista por funkeiros da periferia, né gente?

Policiais reprimem rolezinho

A polícia já foi convocada para reprimir os rolezinhos. Dizem que shopping é propriedade particular que não pode ser invadida por qualquer um. Mas se é particular, porque a polícia tem que dar cobertura? Como contribuinte fico incomodado de ver a polícia gastando recursos na repressão de rolezinhos. Qual seria o delito praticado durante os eventos para a polícia comparecer de cassetete em punho?

Algumas pessoas veem os rolezinhos como um confronto entre elite e periferia, mas o fato é que eles acontecem em shoppings que no dia a dia são frequentados pelos próprios garotos e pessoas de condição social similar.  Será que nenhum lojista de shopping percebeu que os garotos do rolezinho são consumidores que adoram shopping a ponto de marcar encontros nesses caixotes refrigerados do consumo? Lojista que hostiliza rolezinho está expulsando seus clientes atuais ou futuros para longe da lojinha.

Os marqueteiros sabem tudo sobre mim. Que bom!

Os profetas do apocalipse alertam: sua navegação pela Internet é rastreada e há risco de as empresas ficarem sabendo tudo sobre você. Esse tudo inclui sexo, idade, grau de instrução, local onde mora, preferências pessoais e hábitos de consumo. Que maravilha! Como não trabalho para a Al Qaeda não vejo problema nessa invasão de privacidade e até acho que ela me beneficia. Vou explicar:

Há tempos atrás eu estava pesquisando preços e modelos de câmeras fotográficas na Internet. Como se fosse mágica comecei a receber propagandas nas redes sociais que frequento sobre câmeras fotográficas e eram bem do tipo que me interessava. Mais recentemente, fiz umas pesquisas sobre destinos de viagem pensando nas férias do ano que vem. Novamente, fui bombardeado com promoções de passagens e ofertas de hotéis nos locais que me interessa conhecer.

Propaganda

É uma idiotice achar que as pessoas não querem receber propagandas no e-mail ou nas redes sociais. O que eu dispenso é a publicidade que não me interessa, mas se me avisarem de uma oferta matadora de um produto que estou para comprar eu vou adorar porque economizo tempo e dinheiro. A propaganda dirigida é boa para quem anuncia e para quem recebe, pois um está interessado no outro. Mas como as empresas poderão nos enviar ofertas do nosso interesse sem nos metralhar com propaganda no alvo errado? Eles precisam conhecer um pouco sobre nós, obviamente, e não estamos falando de informações íntimas e sensíveis, mas de dados prosaicos que disponibilizamos de graça nesses tempos de privacidade escancarada. A Dona Maricota talvez diga nessa hora: Credo, mas se os marqueteiros ficarem sabendo tudo sobre mim, poderão usar essas informações para me manipular. Bem, escapar da manipulação é uma arte que requer altas habilidades e não é com o mero bloqueio do data mining que os otários estarão a salvo. Senhores marqueteiros e publicitários: podem me incomodar moderadamente com promoções e ofertas imperdíveis. Minha vida é um livro aberto e se houver alguma página dele com conteúdo reservado ou impróprio tenham certeza de que não está exposta na Internet.

Opostos que se repelem

Segundo o ditado popular os opostos se atraem. Esse mito se baseia na falsa ideia de que as pessoas buscam no outro aquilo que lhes falta. Vamos admitir que a sabedoria popular se aplica a alguns casos de oposição complementar, aquela em que os comportamentos ficam em lados opostos da escala, mas se completam harmoniosamente. Para ser franco, não consigo imaginar muitos casos de oposição complementar; talvez seja o caso da relação entre o autoritário e o submisso ou entre o tagarela com o bom ouvinte. O que predomina, todavia, no mundo das relações são as oposições conflituosas como a do sonhador x prático, do místico x materialista, do ingênuo x malicioso ou do metódico x improvisador.

cargas-elétricas

Analisando em maior profundidade, porém, veremos que mesmo comportamentos opostos conflituosos podem conviver de forma produtiva desde que os envolvidos não estejam muito afastados na escala de oposição. Deixem-me explicar partindo da relação entre uma pessoa organizada com outra bagunçada. Imaginem uma escala da organização que vai de 0 a 5. Os extremos da escala podem ser considerados patológicos. Pessoas extremamente bagunçadas (nível zero) podem ter problemas de convívio social, assim como aquelas que perseguem a organização de forma obsessiva (nível 5). Duas pessoas que estejam nos extremos opostos dessa escala vão entrar em choque, pois a distância entre elas na escala é muito grande. A matemática da compatibilidade consiste em tirar a diferença entre os números que definem cada pessoa. Um organizado nível 5 não conseguirá conviver com um bagunçado nível zero, pois existe um grau de separação de 5 pontos entre ambos. Distâncias pequenas de um ou dois pontos na escala de oposição podem ser produtivas. É o caso do convívio entre um sonhador moderado e um prático moderado em que um pode influenciar o outro sem que ninguém se sinta ultrajado.

Infelizmente, não há forma segura de medir a distância entre comportamentos opostos das pessoas para avaliar se elas são compatíveis entre si ou se as diferenças entre ambas podem ser interessantes para o desenvolvimento pessoal de ambas. Não há matemática suficiente para a quantidade de comportamentos opostos que as pessoas podem apresentar. Ingenuidade, porém, é desprezar a matemática e achar que os opostos sempre se atraem.

Posso te falar uma coisa? Pagar em dinheiro é bem melhor

Débito ou crédito? Já perdi a conta de quantas vezes respondi a esta pergunta. Muitos lojistas perguntam apenas: Débito? e isso indica a preferência de quem está do outro lado da maquininha. Por muito tempo minha resposta sempre foi: crédito. Atualmente, porém, estou repensando esse hábito e comecei a usar a palavra débito. Nas compras de valor baixo tenho pagado em dinheiro, mas afinal de contas, qual é a melhor forma de fazer pagamentos?

Já passei por apuros financeiros e, em certa fase da minha vida a opção de pagar com cartão de crédito foi mais do que uma escolha, foi necessidade, já que eu gastava hoje o que receberia amanhã. Atualmente, superadas as dificuldades, durmo mais tranquilo sabendo que ganhei hoje o que gastarei amanhã. Poder escolher o melhor meio de pagamento é privilégio de sortudos responsáveis. Não me considero um deles, mas digamos que estou em um momento que me permite pensar em alternativas e espero continuar podendo pagar em dinheiro, cartão ou outro meio de acordo com a conveniência. Desejo para você caro leitor a mesma oportunidade de escolha.

posso-te-falar-uma-coisa

Pagar custa dinheiro. Essa regra vale para todos os pagamento inclusive para aqueles feitos em dinheiro vivo. Tá certo que cédulas e moedas têm um custo meio exotérico para o cidadão que mantém a Casa da Moeda por meio dos impostos. Alguns meios por outro lado têm custo visível e direto como a emissão de um DOC ou a cobrança por folhas de cheque adicionais. O custo que mais custamos a perceber é aquele que fica do outro lado da transação, por conta de quem vende. Quando pagamos a conta com cartão de crédito, por exemplo, os custos são altos para quem faz a venda, valor que pode alcançar 5% do total da compra. Não vale dizer que esse custo é problema do comerciante, pois obviamente ele o repassa aos clientes no preço do produto. Entre as formas de fazer pagamentos qual seria a mais econômica? Antes de fazer as contas vamos lembrar que a escolha de um meio de pagamento é uma combinação de conveniência, segurança e custo. Não é apenas pelo custo da transação que escolhemos uma forma de pagar a conta. Vamos analisar caso a caso em ordem crescente de custo.

Dinheiro vivo. Economistas com vocação para psicólogo recomendam o pagamento das compras de baixo valor com dinheiro vivo. Segundo eles, a visualização das notas saindo de carteira causa um desconforto que pode frear o impulso consumista do dono, o que não ocorre quando passamos o cartão pela máquina. O uso do dinheiro não é muito cômodo, pois nos obriga a idas frequentes ao banco para saque. Estou considerando que mesmo pessoas de baixa renda, hoje em dia, usam serviços bancários e que por razões de segurança não andam com o bolso cheio. Eu não saberia dizer se para a sociedade é melhor manter a circulação de cédulas e moedas ou substituí-las por um sistema bancário informatizado. Não sei também se um dia o dinheiro vivo vai acabar, porque para isso ocorrer precisaríamos de meios eletrônicos em todo lugar. Só o que posso dizer é que o uso do dinheiro em espécie está em declínio e que não se deve acumular moedas e cédulas. Faça as moedas circularem para melhor uso desse recurso que custa dinheiro para produzir.

Cheque. O cheque é seguro para quem emite, mas não para quem recebe. Todo banco deve conceder aos correntistas certo número de folhas de cheque por mês sem custo extra além do que é cobrado pela manutenção da conta corrente. Os bancos não gostam de cheques, pois o processamento deles tem custo alto. O uso do cheque está em declínio e quem sabe isso deixe as tarifas bancárias mais baixas. Por enquanto, é difícil abandonar o talão de cheques, em especial, pensando naqueles pagamentos de valor médio que não dá para fazer por meio eletrônico.

Transferências eletrônicas. Transferências eletrônicas são cômodas quando feitas pela Internet. As transferências entre contas do mesmo banco são de baixo custo. Transferências entre bancos via DOC ou TED podem ter custo razoável. O débito automático de contas é bem cômodo e o custo da operação é absorvido por quem recebe. Só é preciso acompanhar as cobranças para evitar surpresas desagradáveis.

Boleto. Pagar com boleto costuma ser sinônimo de desconto. Em geral, trata-se de um pagamento adiantado que requer confiança no vendedor. O boleto tem um custo baixo que costuma ser absorvido por quem vende.

Cartão de débito. Esse é o queridinho dos comerciantes pela comodidade e segurança. O dinheiro sai imediatamente da conta do cliente, mas pode demorar até chegar na conta do comerciante. A operação desse sistema é complexa e dominada por alguns gigantes. O débito com cartão é uma operação que não envolve financiamento da dívida e, na teoria, é mais barata que o crédito.

Cartão de crédito. Comprar com cartão de crédito é para pessoas disciplinadas. O cliente pode ficar com a impressão de que não há custos nesse financiamento de curto prazo que a operadora gentilmente lhe concede. Entretanto, convém lembrar que os préstimos da operadora são pagos pelo comerciante a preços salgados. E eu com isso? Diria o cliente. Se eu ganhar um prazo para pagar o cartão posso deixar o dinheiro rendendo no banco. De modo geral, se as pessoas evitassem o cartão de crédito haveria uma queda no preço dos produtos.

PayPal e PagSeguro. Essas operadoras de pagamentos que tem presença forte na Internet são cômodas e seguras, mas como são uma camada a mais na operação do pagamento tem taxas altas para o comerciante.

Pagamento parcelado. Seja no carnê ou no cartão de crédito, parcelar compras é furada. Os juros são abusivos e o bom pagador tem que cobrir o rombo dos caloteiros. A ironia é que muitas lojas oferecem aos clientes prazo em vez de desconto. A sedução do prazo só inflaciona os preços para todos inclusive para quem não precisa de prazo.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece algumas regras para pagamentos. Uma delas é que dinheiro tem que ser aceito em qualquer situação. O comerciante pode recusar pagamento em cheques, mas se aceitar não pode impor condições como exigir que a conta tenha mais de um ano ou que seja da praça. O comerciante pode selecionar quais cartões aceita, mas deve deixar claro para o cliente quais são esses cartões.

Uma regra polêmica do Código é exigir que cartão de crédito seja tratado como pagamento à vista, ou seja, não é permitido estabelecer preços diferentes para pagamento em dinheiro, cheque ou cartão de crédito. Como os meios de pagamento tem custos diferentes seria mais sensato permitir diferentes preços para premiar quem utiliza o meio de pagamento de menor custo. O resultado dessa uniformização é que acabamos incentivando formas de pagamento caras. O consumidor pode tentar reverter essa situação pedindo desconto sempre que utilizar uma forma de pagamento mais econômica. Por isso, sempre que ouvir a pergunta: Débito? devolva com outra: Tem desconto?