O mito do jornalismo imparcial

Não existe jornalismo imparcial, neutro, insosso, inodoro, que não puxa nem para um lado nem para ou outro. A ideia do jornalismo imparcial é um delírio, talvez uma jogada de marketing para melhorar a credibilidade e a audiência de algum grupo de mídia. A imparcialidade jornalística é corroída nos detalhes e nas sutilezas. Veja uma lista de artifícios que a mídia lança mão para manipular o usuário sem que ele perceba.


Assista também ao vídeo sobre imparcialidade jornalística.


  • Isso é notícia, aquilo não. Ao selecionar um fato para ser notícia e refugar outro, a mídia está decidindo o que considera importante, o que precisa ser enfatizado e o que deve ser esquecido.
  • Primeira página ou nota de rodapé. O destaque dado a uma notícia fala sobre a importância que o editor dá a ela e não sobre a importância da notícia para a sociedade.
  • Dimensão da cobertura. Um fato pode ser tratado com poucas palavras e linguagem burocrática ou, então, com uma longa e detalhada cobertura rica em detalhes, análises, repercussões e entrevistas.
  • Reportagem humanizada. Uma das formas mais eficientes para manipular o usuário é a humanização da notícia. Em vez de números e estatísticas, a reportagem humanizada apresenta depoimentos e testemunhos dramáticos e emocionantes.
  • Desconhecido tratado como típico. O repórter busca nas redes sociais alguma postagem aloprada, doentia e fora da curva e apresenta como se fosse o pensamento médio de um grupo social.
  • Pesquisas de opinião dirigidas. O órgão de mídia faz uma pesquisa com perguntas que induzem a resposta e que independente de seu resultado comprovam a tese que a mídia quer provar.
  • Destaque para opiniões do baixo clero. Para defender seu pondo de vista a mídia dá espaço para personagens sem importância da Política ou sub-celebridades terem 15 segundos de fama.
  • Boato como notícia. Ministro tal vai cair. Fontes do governo afirmam que … Governo cogita editar medida provisória. Aqui a bola de cristal come solta e a mídia não precisa provar nada nem revelar fontes.
  • Especialistas de prateleira. Para cada ponto de vista que a mídia quer provar existe um especialista disponível. Como vivemos em uma especialistocracia basta o cidadão ser rotulado de especialista pela mídia para sua palavra se tornar verdade inquestionável.
  • Mídia pautando a sociedade. No mundo ideal a sociedade pauta a mídia e esta corre atrás para informar a sociedade sobre os interesses da sociedade. No mundo real a mídia diz com o que a sociedade precisa se importar. Isso fica bem visível nas campanhas civilizatórias promovidas pelas mídias do bem.

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A imparcialidade jornalística é corroída nos detalhes e nas sutilezas.

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