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Propriedade

Propriedade é a característica do discurso ou do termo cujo significado é totalmente adequado para o contexto em que se aplica. No significado, considere-se também a conotação.

A impropriedade altera a mensagem, causa dano. Há impropriedades sutis e outras em que o dano é considerável.

Há impropriedades típicas em todos os idiomas. Os manuais de gramática normativa estão sempre advertindo contra elas. No português, como exemplo, é tradicional a impropriedade que consiste em usar ‘inflação’ no lugar de ‘infração’ ou ‘flagrante’ no lugar de ‘fragrante’. Nesses casos, a confusão resulta da semelhança fonológica entre os termos trocados.

A impropriedade é constatada pela inadequação da mensagem ao contexto ou pela incoerência da mensagem resultante. Para sanar o dano causado pela impropriedade, é preciso haver alguma previsibilidade de correção. No caso das impropriedades tradicionais, a previsibilidade deriva da própria tipicidade da ocorrência.

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Estilo

Estilo é a regularidade observável no discurso, é a repetição insistente de uma característica, a adoção continuada da mesma solução para contextos semelhantes. O estilo torna o discurso mais que específico, torna-o típico. Não se deve confundir estilo com o recurso de repetição. O estilo é tratado num nível superior ao dos recursos de Retórica.

Existem estilos pessoais, de grupo, de escolas, de época. Para compor um estilo, o emissor lança mão do uso regular de recursos de Retórica, de regras de seletividade, de uso ou supressão.

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Concisão

Há dois tipos básicos de concisão: de código e de discurso. Concisão é uma qualidade relativa e subjetiva dos códigos e discursos. Diz-se que um código ou discurso é mais conciso que outro quando transmite a mesma mensagem com menor extensão. Há o costume de dizer ‘código conciso’ ou ‘discurso conciso’ quando tal código ou discurso é mais conciso que a média de sua classe.

Concisão de discurso

A concisão de discurso é avaliada quanto à forma e ao conteúdo. Para avaliar o nível do conteúdo é preciso estabelecer algumas premissas sobre:

  • A ordem de grandeza da quantidade de significante esperada para o discurso. Uma frase pode ser considerada longa para título de uma notícia e concisa demais para ser o lide da notícia.
  • O grau de síntese desejado. Ganha-se concisão aumentando-se o grau de síntese, mas para cada discurso, dependendo de suas funções, existe um grau de síntese ótimo. Um livro de história pode contar um crime numa frase. O jornal do dia do crime o noticiará em uma coluna. Os autos do inquérito sobre o crime o descreverão em várias páginas. Pode haver concisão nos três casos.
  • O background externo do receptor. A concisão ótima será aquela em que não se discursa sobre o que é óbvio, trivial para o receptor.
  • O campo de interesse do discurso. O que não está dentro do campo de interesse prejudica a concisão e será considerado supérfluo, dispersivo, alheio.

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Ênfase

Enfatizar é criar condições para que uma parte do discurso receba maior atenção do receptor que as outras partes e em função disso este atribua um status diferenciado, uma valoração privilegiada, ao referente expresso por essa parte. Uma das formas de se obter ênfase é por diferenciação perceptível e atrativa.

Recursos de ênfase

  • Editoriais: uso de letras maiúsculas, negrito, itálico, sublinhado, cor e corpo diferenciados, família de tipos diferenciada, etc.
  • Repetição
  • Uso de ocorrências fáticas próprias: ‘Preste atenção’, ‘Veja lá’.
  • Uso de balizas: ‘É bom frisar’, ‘Não custa lembrar’.
  • Ênfase pela posição: a posição inicial e a final são mais enfáticas.
  • Ênfase por gradação: o último termo de uma gradação ascendente ou o primeiro de uma gradação descendente são enfatizados.
  • Entoação e ou gestual diferenciados.

Atenuação e agravamento

Ao receber uma mensagem, o receptor atribui valores a ela como: importância, gravidade, aceitação/reprovação, além de uma resposta emocional. Tal valoração e a resposta emocional, bastante subjetivas e contextualizadas, podem ser atenuadas ou agravadas pelas características do discurso que veicula a mensagem. Isso decorre de transferências icônicas, convenções editoriais, de entoação e gestual, manipulação psicológica e ênfase. Há meios de atenuar ou agravar nos diversos níveis do discurso. Vejamos:

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