Classes morfológicas

Classificar morfemas e palavras é uma tarefa complexa que talvez nunca chegue a um resultado satisfatório. Para começar, é preciso entender que as classificações não são boas em si, mas quando adequadas a um determinado fim. Uma boa classificação para uma finalidade não invalida outra, igualmente boa, que atende outra necessidade.

Estudando os morfemas e palavras da língua portuguesa, encontramos vários pontos de vista que poderiam gerar classificações interessantes, por isso não vamos tentar estabelecer aqui a classificação morfológica definitiva. Faremos uma escolha por determinada abordagem, que diverge em alguns pontos da Gramática Tradicional, mas que a nosso ver lança luz sobre alguns aspectos ainda não esmiuçados a contento pelos estudos morfológicos.

Morfologia

Morfemas ou palavras? Classificar morfemas ou palavras? A decisão não é simples, pois optando exclusivamente por uma ou outra unidade formal deixamos descobertos vários aspectos morfológicos importantes. Em função disso, vamos adotar uma solução intermediária. Primeiramente, vamos nos ocupar da classificação dos morfemas presos e, em seguida, passaremos à classificação de palavras, mesmo sabendo que a delimitação dos morfemas presos e palavras apresenta alguns problemas, resolvidos em nossa língua por convenção. Dessa forma, cremos que é possível dar conta das ocorrências morfológicas da língua portuguesa.

Resumidamente, apresentamos nossa proposta de classificação morfológica a seguir:

Adotando outros critérios, poderíamos obter agrupamentos variados como, por exemplo:

  • Modificadores. Neste grupo poderíamos incluir adjetivos, advérbios, artigos, demonstrativos, possessivos e quantificadores.
  • Primários. Nesta classe poderíamos incluir os substantivos e os verbos, porque funcionam como modificados primários.
  • Relacionais. Esta classe conteria conectivos, preposições, remissivos e subordinativos.
  • Substitutos. Classe que reuniria interrogativos, locativos, pronomes, remissivos e temporais.
  • Nomes. Nesta classe entrariam substantivos, pronomes e outras classes que apresentam comportamento similar ao de substantivos.
  • Lexicais. Esta classe abrangeria os lexemas que portam significados nocionais, ou seja, aqueles que remetem à objetividade.
  • Gramaticais. Classe complementar a dos lexicais, que abrangeria lexemas relacionais e outros que exercem funções ditas gramaticais na frase.

A maior dificuldade em se adotar as classes acima advém do comportamento híbrido de muitas palavras do português. Os demonstrativos e os quantificadores, por exemplo, embora ocorram na maioria dos casos como modificadores, também ocorrem como substitutos. Os locativos e temporais têm características similares às dos advérbios.

As classificações aqui propostas não esgotam o assunto. A língua portuguesa apresenta desde classes amplas com milhares de lexemas e características morfológicas bem definidas como os verbos, até classes reduzidas com características voláteis e de  difícil enquadramento.  Não é ousado dizer que se levarmos o esforço de classificação até as últimas consequências encontraremos várias classes formadas por um só lexema. Que dizer, por exemplo, do lexema cujo, que apresenta características de remissivo e de possessivo simultaneamente? Que dizer de sim e de não, palavras tradicionalmente arroladas na classe dos advérbios mas que apresentam comportamento singularíssimo.

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