Oxímoro

Oxímoro é o enunciado contraditório à primeira vista, ou seja, faz-se a conjunção de duas proposições das quais uma é a negação ou implica na negação da outra.

O que diferencia o oxímoro da contradição propriamente dita é a intencionalidade do oxímoro, a proximidade dos termos contraditórios, a visibilidade flagrante e a admissibilidade de uma decifração.

Na contradição propriamente dita há o lapso ou a intenção de escamoteamento, no oxímoro a idéia é deixá-lo bem visível, obrigando quem quer assimilá-lo a refletir sobre o porquê de sua presença.

O oxímoro é uma contradição em leitura imediata. É lançado para que se decifre e decifrá-lo envolve dissolver a contradição. Para dissipar a contradição, o receptor é levado a fazer suposições como:

  • A natureza do referente tratado no oxímoro é diferente daquela que se supõe em leitura imediata. Em Claro Enigma, de Drummond, é plausível supor que aquilo que se julga um enigma na verdade não é ou que o próprio conceito de enigma é um embuste.
  • O que se diz verdadeiro sob um aspecto, um ponto de vista, não o é sob outro. Quando se diz: ‘tudo certo como dois e dois são cinco’ é aceitável supor que sob certo prisma as coisas estão certas porque parecem certas, porque se finge que estão certas, mas sob outra visão tudo está errado.
  • Deve-se tomar o enunciado em duas acepções: uma afirmativa, outra negativa.
  • Evidenciar a contraditoriedade. Quando se diz: ‘reparar o irreparável ultraje’, destaca-se a impossibilidade do ultraje ser reparado.

Ao se dizer ‘conseguiu o impossível’, evidencia-se que aquilo que se julgava impossível apenas parecia impossível.

O oxímoro é um recurso de semântica aberta. Quem o utiliza abre possibilidades de decifração. Cabe a quem o assimila fechar as lacunas.

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