Preferência para quem precisa de preferência

Raramente enfrento fila de banco, pois costumo resolver meus assuntos bancários pela Internet. Infelizmente, o comparecimento na boca do caixa continua obrigatório em alguns casos como na hora de pagar o licenciamento do carro. Aqui no Paraná esse pagamento só pode ser feito no Banco do Brasil com dinheiro vivo. Essa semana, portanto, lá estava eu na agência BB aguardando com senha normal enquanto vários clientes passavam na minha frente usando senhas P de atendimento preferencial. Era hora de almoço, poucos caixas trabalhavam e eu com pressa de voltar ao trabalho.

Toda essa conspiração do destino me levou a confabular com meus botões: Por que esses clientes de cabelos brancos tiveram direito a atendimento preferencial? Nenhum deles me pareceu debilitado a ponto de não poder esperar o mesmo tempo que os demais clientes. A agência tinha bancos confortáveis para todos aguardarem a vez sentados. Não vale dizer, portanto, que a espera é penosa para idosos, gestantes e deficientes. Pelo menos não me parece mais penosa do que é para qualquer um. Se for para considerar as limitações de cada cidadão não seria justo dizer que os idosos aposentados dispõem de mais tempo do que os trabalhadores da ativa que só contam com o horário de almoço para resolver seus compromissos bancários? Sim, os idosos já prestaram serviços à sociedade, mas eu que ainda não me aposentei também tenho mais de 30 anos de “serviços prestados à Pátria brasileira” e, com sorte, trabalharei por muitos anos ainda.

Deixem-me explicar meu ponto de vista antes de dizerem que quero maltratar velhinhos. Minha tese é a da preferência para quem precisa de preferência. A cada dia aparecem mais regras para proteger os “desprotegidos”. Em muitos casos, essas regras beiram o ridículo e só servem para render votos a políticos populistas. Muitos “desprotegidos” não precisam de proteção nem desejam ser tratados como cidadão de segunda classe que necessitam atenção diferenciada. Você, caro leitor, teria uma explicação razoável para o fato de os aposentados receberem a restituição do imposto de renda antes dos demais contribuintes? Por que um estudante de família rica tem direito a meio ingresso no cinema e o trabalhador pobre tem que pagar inteira?

Quem sabe um dia, seja possível chegar na agência bancária e pedir a senha preferencial independente de sua idade, gravidez ou limitações. Por que a preferência não pode ser baseada na lei do bom senso? Que tenha preferência quem precisa dela. Pela legislação atual se eu comparecer no banco com uma perna engessada não terei direito a atendimento preferencial, pois perna quebrada não é gravidez nem incapacidade permanente.

Se Deus permitir, daqui a alguns anos terei o direito à senha preferencial. Fico me perguntando se vou usá-la ou se continuarei pegando a senha normal. Espero que essa hora chegando eu mantenha meu pensamento atual, ou seja, só usarei meu direito quando ele fizer sentido, quando for uma necessidade e não privilégio.

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