Por que 1024 livros?

Cheguei à conclusão que durante a vida deve-se ler 1024 livros. Não 1024 livros quaisquer, mas os 1024 livros fundamentais. É claro que pela vida afora você lerá também jornais, revistas, cartas, bulas de remédio, HQs, classificados e muita informação talvez não tão densa como as obras fundadoras criadas pelo engenho humano. Tudo bem, é preciso alternar suas leituras fundamentais com outras, de menor alento, mais imediatas, e nem por isso, menos importantes para a vida. Mas não esqueça dos 1024 livros fundamentais que vão torná-lo sábio.

Ler 1024 livros não é uma meta simples de cumprir, mas bastante razoável se você considerar que tem a vida para isso. Mantendo a média de um livro por quinzena, a meta pode ser cumprida em um pouco mais de quatro décadas.

Se você também concluir que deve ler 1024 livros, provavelmente, vai se perguntar: quais 1024 livros? Os melhores, os mais importantes, aqueles que causaram mais impacto, que tiveram influência histórica, é claro. Parece fácil selecioná-los, mas não é bem assim. Principalmente porque se você ainda não os leu, não poderá contar com seu próprio julgamento para avaliá-los. Com certeza, não há tempo para ler todos os livros do mundo e, a partir daí, selecionar os 1024 fundadores. Calcula-se que já foram escritos mais de 32 milhões de livros até hoje. Além do mais, seria temerário confiar exclusivamente no próprio julgamento para tal seleção. Enfim, para montar sua lista de 1024 livros será necessário recorrer a indicações de terceiros. É nesse ponto que eu queria chegar: afinal, como se forma a visão coletiva sobre quem são os melhores autores e quais as melhores obras? A conclusão a que chego é de que existe um ecossistema cultural: uma rede de agentes que interagem entre si para criar, divulgar e manter o patrimônio cultural da sociedade. Nesse ecossistema cada agente tem sua função e um não pode prescindir do outro. Dele participam autores, leitores, críticos, editores, acadêmicos, divulgadores, entre outros. São esses agentes que estabelecem, cultuam e divulgam as melhores obras. Uma pessoa sozinha, jamais conseguirá fazer a lista dos 1024 livros fundamentais.

Quando me propus a criar a minha lista de 1024 livros, comecei a meditar sobre qual seria a forma mais segura de não esquecer obras fundamentais, eu que gostaria de alcançar uma formação sólida e panorâmica da cultura humana, obviamente dentro dos limites da minha capacidade. Optei por ouvir os agentes do ecossistema da cultura. Então, inicialmente ouvi a mim mesmo. Sim, por que sou agente desse ecossistema. Sou leitor e já tenho lido um tanto suficiente para ter alguma opinião. Em seguida, ouvi outros leitores conhecidos meus e, por fim, recorri aos acadêmicos, editores, críticos e divulgadores. Evitei fazer uma lista que reflete apenas meus gostos e convicções pessoais, pois há obras polêmicas, mas que merecem ser lidas justamente por estarem do lado oposto da sua linha de pensamento e conduta.

Para ouvir os acadêmicos, consultei algumas obras de história da literatura, da filosofia e de algumas ciências. Considerei a opinião dos editores pelas escolhas que fazem na elaboração de coleções que se propõem a coletar as melhores produções em cada área. Considerei a opinião dos críticos que volta e meia elaboram listas das obras mais notáveis. Observei o que os divulgadores enfatizam em enciclopédias, sites culturais e biografias. Os mecanismos de busca da Internet nos ajudam nessa tarefa, pois organizam os endereços dedicados aos bons autores. A partir dessas fontes, criei a minha lista.

Creio que o resultado foi uma lista mais para austera, mas que abre espaço a algumas obras populares e a outras, bem polêmicas, pois a visão panorâmica que eu tenho em mente exige um certo ecletismo.

Fontes

Algumas fontes de referência usadas para a montagem da lista.

Livros

  • ABRÃO, BERNADETTE SIQUEIRA (Organizadora). A História da Filosofia.
    Nova Cultural. São Paulo. 2004.
  • BLOOM, HAROLD. Gênio. Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura.
    Editora Objetiva. Rio de Janeiro. 2002.
  • BLOOM, HAROLD. O Cânone Ocidental. Os Livros, a História e o Tempo.
    Editora Objetiva. Rio de Janeiro. 1994.
  • BOSI, ALFREDO. História Concisa da Literatura Brasileira.
    Cultrix. São Paulo. 2001.
  • D’ONOFRIO, SALVATORE. Literatura Ocidental: Autores e Obras Fundamentais.
    Ática. São Paulo. 2000.
  • GONZAGA, SERGIUS. Manual de Literatura Brasileira.
    9ª edição. Mercado Aberto. Porto Alegre. 1993
  • MOISÉS, MASSAUD. A Literatura Portuguesa.
    Cultrix. São Paulo. 2001.
  • MONTEZ, ÂNGELA BASTOS (Organizadora). Autores Brasileiros Biobibliografias.
    Fundação Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro. 1998.
  • SENA, JORGE DE (Organizador). Poesia de 26 Séculos. De Arquíloco a Niestzsche.
    Editora Fora do Texto. Coimbra, Portugal. 1993.
  • Teatro Vivo – Introdução e História.
    Abril Cultural. São Paulo. 1976.

Coleções de livros

  • Biblioteca Folha.
    Folha de S. Paulo. São Paulo. 2003.
  • Gênios da Literatura.
    Abril Cultural. São Paulo. 1980.
  • Mestres da Literatura Contemporânea.
    Editora Record. Rio de Janeiro.
  • Grandes Dramaturgos
    Editora Peixoto Neto. São Paulo. 2004.
  • Os Economistas
    Abril Cultural. São Paulo. 1985.
  • Os Pensadores.
    Abril Cultural. São Paulo. 1978.

Internet

Veja também: Torcendo pelos bandidos nas séries da Netflix

Assista ao vídeo com a análise de três séries da Netflix que falam sobre transgressão.

1 pensou em “Por que 1024 livros?

Sua opinião me interessa