Adivinhe quem vem para jantar

Racismo na mesa do jantar

Guess who’s coming to dinner
Direção de Stanley Kramer
1967 : EUA :  103 min
Com  Spencer Tracy (Matt Drayton) ,
Sidney Poitier (John Prentice)
Katharine Hepburn (Christina Drayton)
e Katharine Houghton (Joanna Drayton)

É impressionante como esse filme suave consegue falar sobre racismo de forma tão contundente. Não sei onde formei a opinião de que filmes com esse tema exigem um clima tenso, mas em Adivinhe quem vem para jantar tudo transcorre de forma, digamos, civilizada e talvez aí esteja a sua força.

John (Sidney Poitier) e Joanna (Katharine Hougthon) se conheceram durante uma viagem, em pouco tempo se apaixonaram irreversivelmente e agora querem se casar o mais breve possível. O filme começa com o casal de pombinhos chegando de surpresa à casa da moça. Ela quer apresentar o novo namorado aos pais e falar com eles sobre a idéia do casamento. Joanna é uma moça refinada e jovial e John um médico viúvo com um currículo invejável. Os pais da moça são pessoas instruídas, bem sucedidas e liberais. Só há um probleminha que ninguém quer mencionar com todas as letras: ela é branca e ele, negro.


Veja também: Planilha de filmes para cinéfilos

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Fahrenheit 451

Apologia da palavra através de imagens


Fahrenheit 451
Direção de François Truffaut
1966 : Inglaterra : 112 min
Com Oskar Werner  (Montag) e
Julie Christie (Clarisse e Linfa)

Embora seja um filme que enaltece a palavra escrita, os créditos de Fahrenheit 451 são dados em áudio. Essa forma atípica de começar um filme anuncia o enredo, que trata de uma sociedade futurista em que a palavra escrita é condenada e os livros são proibidos porque trazem infelicidade às pessoas. O filme é baseado em romance homônimo de Ray Bradburry, escritor americano de ficção com grande sensibilidade para questões humanas.

Montag é um bombeiro devotado ao trabalho e prestes a ser promovido. Os bombeiros na sociedade do filme não apagam incêndios, até porque as casas são à prova de fogo. A função deles é procurar e queimar livros, que entram em combustão aos 451 ºF (ou 233 ºC). Os livros são considerados uma ameaça à sociedade e Montag os queima confiante que isso é uma ação natural praticada desde tempos imemoriais. Mas um dia ele conversa com sua jovem vizinha, que coloca algumas sementes de subversão em sua cabeça de bom moço. Ela pergunta a Montag se ele já leu algum dos livros que queima. Depois disso, Montag começa a questionar o seu mundo perfeito, sua esposa perfeita, seu trabalho perfeito e todo esse questionamento o levará literalmente ao fim da linha.

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Sete homens e um destino

Mercenários em busca de redenção

The magnificent seven
Direção de John Sturges
1960 : EUA : 126 min
Com Yul Brinner (Cris Adams),
Eli Wallach (Calvera),
Steve McQueen (Vin),
Charles Bronson (O’Reilly) e
James Coburn (Britt).
Música de Elmer Bernstein

No oeste lendário, o homem defendia seu espaço com sua coragem e uma arma. A lei e a ordem ainda não existiam nesse mundo arcaico onde não se pensava em justiça, mas apenas em sobrevivência. Todavia, mesmo com toda a brutalidade do oeste, alguns homens buscavam uma razão maior para suas vidas. Nesse filme, sete homens lutam por redenção.

Em uma região poeirenta do México, um pequeno povoado é freqüentemente saqueado pelo bando errante do temido Calvera, que toma o cuidado de deixar os colonos à míngua, mas sem matá-los, porque quer que eles continuem plantando e colhendo para o bando. Após um novo saque, os colonos resolvem dar um basta na situação e, para isso, contratam o serviço de sete mercenários, homens de pouco escrúpulo e ótima pontaria. O pagamento prometido aos sete mercenários é mínimo, mas cada um dos sete aceita a empreita por motivos próprios. Cris é um altruísta capaz de praticar boas ações, Vin enxerga no serviço uma fuga do marasmo e alguma ação, Wallace se ilude de que há muito dinheiro envolvido na jogada, O’Reilly está sem um tostão e disposto a encarar qualquer trabalho, Britt não se importa com dinheiro e só quer encontrar novos desafios para sua perícia, Lee está em crise consigo mesmo e quer testar sua própria coragem e Harry é muito jovem e quer se auto afirmar como homem durão.

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Z

Política como caso de polícia

Z
Direção de Costa-Gavras
1967 : Argélia : 127 min
Com Yves Montand (Doutor),
Irene Papas (Helene) e
Jean-Louis Trintignant (Magistrado)

Z é um thriller político descaradamente maniqueísta. Os bons do filme são cavalheiros altruístas, dedicados, austeros, intelectuais e bonitões. Eles lutam por uma causa justa e erguem bandeiras pela democracia, pelo pacifismo e pela independência das nações. Os maus, por outro lado, são toscos, truculentos, cômicos e abraçam causas de direita unicamente por conta de interesses mesquinhos. Os maus preferem a ditadura, o anticomunismo, a xenofobia; no entanto, vão ao teatro ver o balé bolshoi e um deles é pederasta. Seriam as contradições expostas da direita tacanha que pratica o que critica? Z mostra um mundo polarizado: nobres cruzados da política elegante contra rudes defensores do status quo retrógrado. Será que o mundo é simples e raso assim? Então, porque considerar Z um filme de grande importância? Primeiro, porque é baseado em fatos reais, depois, porque a visão implícita nas lentes de Z é um produto da Guerra Fria que, por extensão, retrata também outras realidades políticas desse mundão de Deus.

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Os doze condenados

Treze párias em busca de redenção

The dirty dozen
Direção de Robert Aldrich
1967 : EUA :  145 min
Com Lee Marvin (Major Reisman),
Ernest Bornigne (General Worden),
Charles Bronson (Wladislaw),
John Cassavets (Franko),
Telly Savalas (Margott),
Donald Sutherland (Pinkley),
Jim Brown (Jefferson),
Clint Walker (Posey) e
Robert Ryan (Coronel Breed)

Canalhas, delinqüentes, indisciplinados, perigosos. Pode imaginar os piores adjetivos para qualificar esses doze condenados, só que eles são os heróis do filme. Chefiados por um major durão, boca dura e indisciplinado, eles têm a missão de invadir um castelo na França onde oficiais nazistas de alta patente se divertem durante o período em que estão licenciados do front. A idéia é chegar lá, abater o maior número possível de nazistas e dar no pé.  A outra opção é ficar na cadeia e cumprir as pesadas penas a que cada um foi condenado. Os especialistas em questões militares devem passar horas discutindo a legitimidade de operações de extermínio como a que coube aos doze condenados, mas a guerra é uma coisa suja, não é mesmo? E como o nome do filme sugere, trata-se de uma dúzia de imundos. Questionamentos éticos não são o forte desses caras. Vou mais além: é um filme sujo para espectadores sujos. Tudo bem, eu adoro o filme e não estou sozinho nessa, afinal todos nós temos um lado negro e carregamos manchas na biografia. Mesmo assim, queremos redenção.

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