A rede social

O antissocial que se deu bem

The social network
Direção de David Fincher
2010 : EUA : 121 min
Com Jesse Eisenber (Mark),
Justin Timberlake (Sean) e
Roomey Mara (Eduardo).

Quando fiquei sabendo que A rede social contava a história da fundação do Facebook recuei um passo. Vale a pena assistir um filme sobre a ascensão fulminante de uma empresa de tecnologia? O que há de interessante na biografia de um nerd de Harvard que justifique uma película de duas horas? Bem, o nerd tornou-se bilionário antes de completar trinta anos de idade. Gênio, dirão alguns; estava no lugar certo na hora certa dirão outros. Excêntrico, criativo, insensível, obstinado, arrogante, visionário; os adjetivos aplicáveis ao personagem principal vão de um extremo a outro na escala que começa no elogio e termina no xingamento. A rede social é um drama psicológico que trata de formação, ética, caráter ou da falta disso tudo, se preferirem e, por isso, é um filme que vale a pena.


Veja também: Planilha de filmes para cinéfilos

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Adaptação

Roteiro adaptado, mas original

Adaptation
Direção de Spike Jonze
EUA : 2002 : 114 min
Com Nicolas Cage (Kaufman),
Meryl Streep (Susan) e
Chris Cooper (John Laroche)

Adaptação é um meta filme, quer dizer, é um filme que fala sobre a arte de criar filmes. Eu não sabia desse detalhe antes de assisti-lo e confesso que, se soubesse, talvez desistisse de vê-o. Ainda bem que não desisti. Confesso que tenho certo preconceito contra obras de arte que falam sobre o processo de produção do artista, mas vamos admitir a hipótese que autores também são seres humanos e que os dramas enfrentados por eles têm algum resquício de universalidade. Adaptação é a história de um roteirista incumbido da missão de adaptar um livro para o cinema. Além disso, o filme trata de adaptação em outros sentidos: a adaptação darwinista pela sobrevivência e a do roteiro que se adapta às reviravoltas que acontecem na cabeça do roteirista.

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21 gramas

Sensibilidade em estado puro


21 grams
Direção de Alejandro Gonzalez-Iñárritu
2003 : EUA : 125 min
Com Sean Penn (Paul),
Benicio Del Toro (Jack) e
Naomi Watts (Christina)
Site oficial: www.21-grams.com

São muitos os filmes que têm a morte como tema. Em alguns, ela é conseqüência da guerra, em outros, da ganância do ser humano. Às vezes, a morte acontece nos filmes pelo enfrentamento do homem contra a natureza. Pois bem, em 21 gramas a morte resulta de um acidente automobilístico, desses que a imprensa nos mostra diariamente. Confesso que tinha em mim a idéia de que um acidente de carro é uma fatalidade da vida cotidiana e que não há muito o que fazer ou refletir nesses casos. Mas 21 gramas me obrigou a rever esse preconceito. A morte é aquilo que é, independente das circunstâncias em que ocorre e os vivos convivem com ela não como querem, mas como podem.

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A malvada

Uma estrela cai, outra estrela sobe

All about Eve
Direção de Joseph Mankiewicz
1950 : EUA : 138 min : preto e branco
Com Bette Davis (Margo)
Anne Baxter (Norma Desmonds) e
George Sanders (Addison)

O título em português não caiu muito bem, até porque é possível identificar mais de uma malvada no filme. Malvadas? Talvez sim, talvez não. Ambiciosas, dissimuladas, talentosas, geniosas, carentes, obstinadas, sensíveis, venenosas, Eve (Anne Baxter) e Margo (Bette Davis) são parecidas em muitos aspectos. Uma está chegando ao estrelato como atriz teatral e a outra se preparando para deixá-lo. O mestre Mankewicz nos mostra a ascensão e queda das divas e, por que não dizer, de todos que experimentam o fugaz sabor da celebridade.

O filme começa com uma cerimônia em que Eve recebe o prêmio de melhor performance teatral do ano. Em seguida, retornamos no tempo para ver como tudo começou. Eve é fã incondicional de Margo, a quem idolatra como atriz. Sua admiração persistente pela diva do teatro, seus modos encantadores, sua história comovente e sua suavidade permitem que Eve acesse o círculo íntimo de Margo. Rapidamente Eve conquista a simpatia de todos até que a intuição feminina de Margo começa a emitir alertas de invasão de território. O que veremos na seqüência será uma batalha renhida de sutis manipulações em que o objetivo final da fêmea mais nova é ocupar o lugar da fêmea dominante que já dá sinais de fadiga.

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A mulher faz o homem

O escoteiro encontra as raposas

Mr. Smith goes to Washington
Direção de Frank Capra
1939 : EUA :  129 min : branco e preto
Com James Stewart (Mr. Smith),
Jean Arthur (Clarissa),
Claude Rains (Senador Paine) e
Edward Arnold (Jim Taylor)

Somente escoteiros mirins acreditariam na existência de políticos como o senador Smith. Ele é honesto, idealista e tem uma incrível disposição para lutar pelo que acha correto. Está certo que ele é um caipira ingênuo que caiu no ninho das velhas raposas de Washington, mas os filmes de Frank Capra são assim: falam sobre pessoas simples com valores simples.

Mr. Smith (James Stewart) foi designado para o senado americano após a morte do titular da cadeira. O governador que o indicou queria apenas um fantoche para terminar o mandato que não atrapalhasse os planos dos donos do poder local. Mr. Smith foi para Washington e ficou deslumbrado com todos aqueles símbolos patrióticos que ele só conhecia através dos livros escolares. Os problemas começaram para ele quando resolveu apresentar um projeto no senado. Sua intenção era construir um acampamento para escoteiros no seu estado natal. Até aí, nada de errado, mas infelizmente, seu projeto seria erguido em uma área que o poderoso magnata Jim Taylor (Edward Arnold) queria inundar com a construção de uma represa. O senador Smith, que até então só divertia os jornalistas políticos com sua ingenuidade, passou a ser uma pedra no sapato do homem mais poderoso de seu estado. Só vendo o filme para saber como Mr. Smith enfrenta a confusão.

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