Retórica e teoria da informação

A Teoria da Informação foi desenvolvida num ambiente de engenharia e serve para solucionar problemas técnicos de telecomunicação relativos à transmissão de informação. Sua maior preocupação é transmitir informação o mais economicamente possível. Em princípio, isto interessa à Retórica. Então a pergunta: como a Teoria da Informação pode contribuir para o desenvolvimento da Retórica? Talvez possamos responder analisando o que aconteceu em outras áreas do conhecimento.

Desde que foi criada, houve inúmeras tentativas de transplantar as conclusões da Teoria da Informação para outras áreas do conhecimento, para as quais não havia sido concebida. A maioria dos transplantes, porém, resultou em rejeição pelo paciente, pois foi o resultado de uma assimilação mal digerida dos conceitos que a Teoria da Informação usa. Surgiram afirmações absurdas e cômicas, que ganharam status de ciência, simplesmente porque eram citadas como resultados da Teoria da Informação. Alguns exemplos:

  • Quanto mais raro um termo, mais informativo.
  • As línguas naturais são redundantes.
  • Se uma língua natural tem redundância de 55%, pode-se excluir, ao acaso, 55% de suas unidades significativas sem perda do conteúdo.
  • Uma mensagem previsível não traz informação nenhuma.
  • Informação é a organização do caos. É o caminho inverso da tendência natural para a desorganização, que é o princípio da entropia.
  • Informação é a redução da previsibilidade, é a redução das probabilidades de escolha.
  • Quanto maior a taxa de novidade de uma mensagem, maior seu valor informativo.

Absurdos como os enumerados acima são oriundos do desconhecimento do sentido específico que os conceitos informação, redundância e ruído têm na Teoria da Informação, que divergem consideravelmente do significado comum desses termos. Analisemos a seguir esses sentidos específicos.

Informação para a Teoria da Informação

Informação, nessa teoria, é vista como a quantidade de significante após a tradução para um código otimizado. A Teoria da Informação quer quantificar o significante consumido em cada mensagem. A Teoria da Informação considera que as mensagens não são transmitidas na sua forma original. Antes disso, são traduzidas para uma linguagem artificial otimizada, na qual cada signo do código original é associado a um número binário. Nessa tradução, aos signos originais mais comuns se atribui um número binário de menos dígitos. Aos signos mais raros atribui-se os números binários com mais dígitos. Isso é natural para se economizar tempo de transmissão, pois os signos mais comuns são mais freqüentes no discurso. Se forem representados por números binários de menos dígitos, gastarão menos tempo de transmissão. Já os raros, que são representados por números binários mais extensos, por ocorrerem pouco não prejudicam a economia da transmissão.

Em síntese, informação para a Teoria de Informação, grosso modo, é o número de dígitos binários que uma mensagem precisa para ser transmitida já traduzida para uma linguagem binária otimizada.

Na Teoria da Informação, quando se diz que signos raros são mais informativos, quer-se dizer que na linguagem artificial de transmissão eles são representados por números binários mais extensos e consomem mais informação, mais bits, para serem transmitidos. Isto não tem absolutamente nada que ver com a eficiência dos signos raros na comunicação humana. Não quer dizer que eles sejam mais informativos quando se entende informação como significado.

Redundância para a Teoria da Informação

A Teoria da Informação compara os códigos reais com um código ideal, que teria as características perfeitas para a economia de transmissão. No código real, cada signo tem uma probabilidade diferente dos demais de aparecer no discurso. No código ideal suposto pela Teoria da Informação, os signos são equiprováveis, quer dizer, numa estatística do discurso, todos ocorrem o mesmo número de vezes. O conceito de redundância é uma comparação entre o código real e o código ideal no que diz respeito à economia de meios de transmissão. O código ideal é de economia máxima. O código real terá uma eficiência avaliada por um percentual em relação ao código ideal. A diferença de eficiência entre o código real e o ideal é o que chamamos de redundância do código.

Quando se afirma que um código tem redundância de 55%, segundo a Teoria da Informação, significa que seu desempenho no tocante à economia de transmissão é de apenas 45% do máximo teórico, que só se alcança com um código ideal.

Partindo dos conceitos que utilizamos neste site, pode-se dizer que um código com redundância de 55% é abundante, possui mais elementos que os necessários à realização econômica dos discursos. Não se pode afirmar, porém, que é possível eliminar 55% de seus signos sem comprometer o sentido, pois, abundância não é redundância.

Ruído para a Teoria da Informação

Na Teoria da Informação, ruído é a diferença entre a quantidade de informação emitida e a recebida. Isto corresponde a uma quantificação do que entendemos por ruído supressivo neste site.

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