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Casa das canoas

Quando Oscar Niemeyer projetou a própria casa assumiu alguns pressupostos. Nesse projeto Niemeyer adotou princípios do modernismo e os complementou com outros da arquitetura orgânica. Um deles era respeitar o entorno e, por isso, a casa se adapta ao terreno e não o contrário. Impossível não perceber a grande pedra que aflora diante piscina da casa, que estava lá muito antes da casa ser construída e que foi envolvida pelo projeto tornando-se parte dele. A flexibilidade de projeto exigida por Niemeyer foi conseguida em parte graças ao uso da cobertura plana. A laje plana de concreto segue um desenho orgânico que lembra elementos da natureza como as formas de um lago ou curvas de nível de um terreno acidentado.

Casa das canoas - Rio de Janeiro

O estilo modernista de Niemeyer está presente em todos os detalhes da obra: concreto armado, lajes suspensas sobre pilares esguios, grandes áreas envidraçadas, despojamento, ausência de elementos decorativos, curvas orgânicas, valorização dos espaços amplos, mobília minimalista e esculturas para valorizar o projeto.

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Casa Farnsworth

Uma casa de campo feita de aço e vidro. A ideia podia parecer estranha, afinal ainda hoje esse tipo de construção está associado a técnicas mais rústicas e materiais tradicionais. O ar tecnológico da combinação aço vidro, tipicamente modernista, começava a ser visto em arranha-céus, mas não em áreas rurais na década de 1950. O resultado da ideia inusitada, porém, foi um sucesso.  Originalmente construída para o veraneio da médica americana Farnsworth, a casa hoje é um museu aberto à visitação de todos que apreciam a melhor arquitetura.

Casa Farnsworth
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Casa de vidro

Ainda hoje a Casa de vidro causa impacto e gera polêmica. É uma casa, certo? Embora tenha um ar de projeto conceitual seu criador, o arquiteto Philip Johnson, a usou como casa de veraneio por muitos anos. O primeiro impacto que a casa me provoca tem a ver com a questão da privacidade. Como é toda rodeada de vidro os moradores ficam expostos aos olhares que vem de fora. Bem, esse talvez seja o principal paradigma rompido pela casa de vidro: se por um lado os moradores podem ser vistos, também têm uma ótima perspectiva para verem o que os rodeia. É como se a casa fosse a continuação do entorno. Considerando que se trata de uma casa de campo rodeada pelo verde e que não há vizinhos curiosos em volta, a possibilidade de apreciar o entorno sobrepõe o instinto da privacidade.

Casa de vidro de Philip Johnson



Outro impacto da casa de vidro é a ausência de divisões internas. Nada de paredes separando quarto, sala, cozinha, etc. A única área cercada por paredes é o banheiro. É a simplicidade levada ao extremo no projeto e no mobiliário. Trata-se de uma casa simples para um casal disposto a levar uma vida frugal.
Também impressiona na casa de vidro o uso de materiais incomuns nesse tipo de construção até então. Aço e vidro se tornaram uma marca da arquitetura modernista em edificações comerciais, mas não nas residenciais. Os materiais usados deram ao projeto uma simplicidade e elegância notáveis. Linhas retas que tem como único contraponto o cilindro central do banheiro. A ausência de águas no telhado rompe com uma longa tradição. Águas para que, não é mesmo? Outras áreas complementam o conjunto da Casa de vidro como a Casa dos hóspedes, a piscina e o ateliê.
O conceito da casa de vidro não se adapta a qualquer situação, obviamente. Em locais quentes com muita insolação ela acabaria funcionando como uma estufa, mas hoje não é difícil encontrar casas com amplas áreas envidraçadas. Os lofts são exemplo de habitação sem paredes. Casas sem águas inclinadas no telhado também se tornaram comuns. Tudo indica que os princípios colocados na casa de vidro fermentaram e foram assimilados.

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Casa da cascata

A Casa da cascata é um das mais belas obras da arquitetura orgânica, escola defendida por Frank Lloyd Wright e que tem como proposta a integração entre a obra e o entorno. Olhando a casa aninhada no meio da floresta pensamos nela como um mirante construído para contemplar a beleza da natureza local. Frank Loyd Right não inventou a arquitetura orgânica, ela existe desde sempre em muitas construções, famosas ou não, espalhadas pelo mundo. O que Lloyd conseguiu foi criar um ícone dessa filosofia arquitetônica ao mesmo tempo em que fundava o modernismo arquitetônico.

Casa da cascata - Falling Water House



O que caracteriza essa casa como orgânica? Ela aproveita o declive do terreno e se assenta sobre as pedras que estão lá desde sempre. Diante da lareira é possível ver, aflorando do piso uma das pedras originais do terreno. Lloyd preferiu não remove-la e assim ela passou a ser um elemento da casa. A casa está situada no meio da floresta. A remoção de vegetação foi mínima e o curso da cascata não foi alterado. Foi a construção que se debruçou sobre a água corrente. A integração com o entorno é vista nos detalhes. Uma das vigas do projeto teve seu traçado mudado para contornar um pinheiro que cresce rente à parede da casa. As pedras das paredes vem da região lembrando assim as casas de pedra tradicionais.
Ao mesmo tempo que incorpora elementos tradicionais da construção, Lloyd abusa dos balcões suspensos com vãos ousados que só são possíveis graças ao concreto armado. É o encontro da tradição com a tecnologia do século XX.
Os balcões de concreto armado suspensos sobre a cascata convidam os moradores a sair para apreciar a paisagem, pegar sol, ouvir o som da água rolando e sentir o cheiro da mata que envolve toda a casa. A casa foi concebida para o veraneio de uma família abastada. É uma casa de campo com função dedicada ao lazer. As áreas sociais de convívio são amplas, envidraçadas e com acesso direto aos balcões. Se os moradores quiserem podem chegar ao córrego pela escada em balanço que termina sobre a lâmina d’água. Mesmo com toda a vegetação em volta a insolação é garantida.
O modernismo da Casa da cascata se observa no uso do concreto armado que desafia os limites da técnica com os vãos ousados que se debruçam sobre a cascata. As áreas envidraçadas com esquadrias de ferro são amplas. Nas linhas da casa predominam os paralelepípedos horizontais e delgados que contrastam com as paredes verticais em pedra.
Lloyd foi um precursor da arquitetura sustentável. Seus conceitos de arquitetura orgânica bem expressos na Casa da cascata vão de encontro às propostas atuais de uma arquitetura que preserva o meio ambiente, se integra harmoniosamente a ele e que busca uma qualidade de vida baseada no respeito à natureza.

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