Retórica e Estilística

A Retórica ocupa-se daquilo que torna o discurso específico e de como esta especificidade contribui para a sua eficácia. Já a Estilística, como área de conhecimento, ocupa-se das especificidades típicas. Neste sentido, nem a Retórica nem a Estilística definem estilos.

Na história da Retórica, porém, constantemente os retóricos se ocupavam de estabelecer estilos. Quando se escrevia nos tratados de Retórica que o discurso devia ter um exórdio, uma partição, uma argumentação, um epílogo, etc., definia-se um estilo. Quando se dizia que o discurso devia ser claro, elevado, harmonioso, etc., estava-se a definir estilo.

Os retóricos confundiram fatos de estilo com fatos que dizem respeito à Retórica. Esse tipo de confusão levou a equívocos como o de considerar os recursos retóricos como “figuras de ornamentação”. O equívoco se explica a partir da dicotomia que se praticava na Retórica Antiga entre o estilo ático e o bizantino. O estilo ático era entendido como aquele que primava pela concisão, racionalidade, contenção, enfim, o discurso enxuto. O estilo bizantino, porém, era entendido como o que primava pela opulência, pela exuberância, no qual o lógico é substituído pelo analógico, enfim, um discurso barroco.

Os retóricos antigos entendiam que dois discursos sobre o mesmo tema, um em estilo ático e outro em estilo bizantino diferenciavam-se basicamente pelo uso exacerbado de recursos retóricos no de estilo bizantino. Daí julgavam que os recursos retóricos eram sempre próprios para as finalidades ornamentais do estilo bizantino e só para elas. Desatentos, esses retóricos não percebiam que o estilo ático também é rico em recursos retóricos.

A confusão que os retóricos faziam entre fatos de estilo e fatos retóricos levou alguns desses estudiosos a dizer que os recursos retóricos eram próprios da linguagem da paixão. Para fazerem tal afirmação, basearam-se na constatação de que o discurso produzido em condições emocionais tensas costuma ser rico em tropos, e é essa a diferença básica para com o discurso racional. Novamente uma característica de estilo é generalizada indevidamente na Retórica.

Normativismo e Retórica

A Retórica não existe para impor normas sobre como deve ser o discurso. Isso compete às estilísticas. A Retórica diz, por exemplo, o que é concisão, como obtê-la e que efeitos dela tirar. Mas é a estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. A Retórica é também um instrumento das estilísticas. Por serem normativas, as estilísticas gozam de má fama entre alguns, o que se estende à Retórica, já que nem todos diferenciam uma da outra. É preciso avaliar a normatividade de forma conseqüente, pois ela não é em essência ruim ou boa. É certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos. Citemos como exemplo as regras de versificação dos parnasianos. O poema tinha de ser rimado, metrificado, ritmado segundo formas fixas. Para facilitar esta tarefa virtuosista, criaram as licenças poéticas, como encadeamentos, sístoles, diástoles, inversões sintáticas bruscas, palavras supérfluas para completar metro, etc. Quer dizer, para não macular um aspecto da forma, criavam-se licenças de efeito até cômico que deterioravam a forma em outro aspecto. Mas nem toda normatividade é maligna. O jornal, que é escrito a muitas mãos, não teria unidade sem o seu Manual de Estilo.

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