It happened one night Direção de Frank Capra 1934 : EUA : 100 min : branco e preto Com Clark Gable (Peter Warren) e Claudette Colbert (Ellie Andrews)
Há dois tipos de opostos: os que se repelem e os que se atraem. Nessa comédia romântica eterna, no início pensamos que se trata de um caso de ódio à primeira vista, mas o filme vai passando e os astros que comandam o destino giram em suas órbitas.
Good bye, Lenin! Direção de Wolfgang Becker 2003 : Alemanha : 118 min Com Daniel Brühl (Alexander) e Katrin Sass (Christine) Site oficial: www.good-bye-lenin.de
Sempre esperamos que a arte exorcize os demônios da História. A queda do muro de Berlim foi um trauma para muita gente. Não que as pessoas quisessem a continuação do muro, mas porque houve duas quedas em uma só: a do muro e a do socialismo real.
Tudo bem, estamos falando de pessoas ao redor do mundo que acreditavam, algumas ainda acreditam, na utopia socialista. Mas quem viveu no socialismo real vê as coisas sob outra perspectiva e nada como um filme feito por alemães para nos dar a visão de quem estava lá sobre o fim do muro e da RDA (República Democrática Alemã, a Alemanha oriental e socialista).
Comunista devota
Christine (Katrin Sass) é uma mãe devotada aos filhos e ao partido comunista. Depois que seu marido abandonou a família em circunstâncias mal explicadas, ela passou a ser uma ativista da causa socialista. Seu filho Alexander (Daniel Brühl) é mais pragmático e não se entusiasma com o comunismo. Chega a participar de uma passeata de protesto em 1989 pela queda do regime alemão oriental. A mãe de Alexander o vê no exato momento em que ele é preso pela polícia que dispersa a passeata e isso a leva a um enfarte.
Ela permanece em coma por oito meses e, enquanto isso, a situação política da Alemanha oriental vira de pernas para o ar. Quando Christine sai do coma, os médicos avisam o filho que a situação dela é muito delicada e que ela não pode passar por emoções fortes. Alexander então decide esconder da mãe comunista fervorosa toda a reviravolta política que ocorre no país. A partir daí, está montado o palco para situações hilárias e absurdas.
Guess who’s coming to dinner Direção de Stanley Kramer 1967 : EUA : 103 min Com Spencer Tracy (Matt Drayton) , Sidney Poitier (John Prentice) Katharine Hepburn (Christina Drayton) e Katharine Houghton (Joanna Drayton)
É impressionante como esse filme suave consegue falar sobre racismo de forma tão contundente. Não sei onde formei a opinião de que filmes com esse tema exigem um clima tenso, mas em Adivinhe quem vem para jantar tudo transcorre de forma, digamos, civilizada e talvez aí esteja a sua força.
Alien
Direção de Ridley Scott
1979 : EUA : 116 min
Com Tom Skerrett (Dallas)
Sigourney Weaver (Ripley),
Ian Holm (Ash) e
John Hurt(Kane)
Site oficial: www.alien-movies.com
Há milhares de anos, os contadores de histórias reuniam os membros da tribo à noite em volta da fogueira e falavam sobre aventuras mágicas onde o homem se defrontava com feras terríveis, civilizações exóticas, situações de perigo extremo e medo absoluto diante do mundo desconhecido. O que Ridley Scott fez com maestria em Alien, foi transpor esse ancestral fascínio pelo perigo desconhecido para um ambiente futurista.
Anatomy of a murder Direção de Otto Preminger 1959 : EUA : 160 min : preto e branco Com James Stewart (Paul Biegler), Lee Remick (Laura), Ben Gazarra (Manion), Arthur O’Connell (McCarthy), George C. Scott (Dancer) e Eve Arden (Maida) Música de Duke Ellington
Uma sugestão para quem vai assistir o filme: imagine que você é um dos doze jurados e que no final terá que dizer: inocente ou culpado. Fique atento, pois nesse filme o espectador não recebe informações privilegiadas. O crime não aparece diante das câmeras em nenhum momento.
Temos que reconstituir os fatos a partir de dados que vão surgindo durante o julgamento. Ficamos sabendo que há um corpo cravejado de balas e que quem fez os disparos foi o tenente Manion, mas não é um caso fácil. Agravantes e atenuantes estão embaralhados de tal forma que o espectador fica dividido.
A Justiça é uma coisa complicada
Afinal, o tenente deve ser inocentado ou tem que pagar pelo ato que cometeu? Que saudades daqueles filmes de tribunal em que sabíamos com nitidez cristalina se o réu é culpado até a medula ou inocente como um anjinho de Rafael. Anatomia de um crime coloca-nos diante do direito real, com todas as suas manipulações, cortinas de fumaça, incertezas e seres humanos que não são absolutamente bons ou maus.
O ex-promotor Paul Biegler (James Stewart) abandonou sua carreira de sucesso e agora ocupa-se de coisas mais interessantes como pescar, dedilhar um jazz ao piano, tomar um uísque ou conversar com seu amigo McCarthy (Arthur O’Connell) sob a filosofia do direito. Quando falta-lhe o numerário, ele assume alguma causa para colocar as contas em dia.
Por aí dá para ver que Biegler não tem uma visão romântica da justiça. O caso que lhe cai nas mãos é a defesa do tenente Manion, acusado de matar um homem publicamente com cinco tiros. Como estabelecer uma linha de defesa em um caso tão flagrante? Bem, o filme nos mostra a batalha do advogado para livrar seu cliente das grades, porém há muitos obstáculos a remover.
O réu é uma pessoa arrogante, cínica e fria e a defesa quer provar que ele perdeu a razão diante da situação limite em que se deu o delito. O motivo do crime seria uma desforra porque o morto teria estuprado a esposa do réu. O problema é que Laura (Lee Remick), a esposa, tem um comportamento bem, digamos, descontraído com os homens em geral, o que nos leva a suspeitar que não se trate de um caso de estupro. No final, teremos um veredicto. Faça sua aposta você também, antes de ouvir a conclusão dos jurados.
Entre o branco e o negro tem os tons de cinza
Anatomia de um crime coloca algumas cascas de banana no caminho do espectador que tenta a todo custo se posicionar no caso. A cada nova revelação nossa opinião pode balançar. O réu não atrai simpatias, mas isso interessa ao caso? O que está em julgamento é a pessoa ou o ato? O estupro justifica a insanidade do réu? E se o estupro não ocorreu e trata-se de uma questão de ciúme descontrolado, o que muda na avaliação dos jurados?
Biegler é um advogado calejado e usa sua retórica afiada para manipular a opinião da plateia. Do outro lado, os promotores não deixam por menos e temos uma batalha de raposas matreiras. A manipulação emocional dos advogados confunde a justiça? Não é um filme para comemorar no final quando os jurados dão o veredicto magnânimo porque diante de tanta ambiguidade, qualquer veredicto é possível. O valor do filme está em mostrar o processo a fundo, em nos deixar confusos.
Marcante
O juiz pede aos jurados que desconsiderem a argumentação da defesa. O réu pergunta reservadamente ao seu advogado como é possível alguém desconsiderar o que ouviu.
O promotor Dancer espreme a testemunha Mary Pilant. A tensão vai aumentando, aumentando, até que o promotor comete o erro fatal de fazer uma pergunta para qual não conhece a resposta.
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