Crítica | Sin City

Sórdida, ultra-violenta cidade perdida

Sin City
Direção de Robert Rodriguez
2005 : EUA : 126 min
Com Bruce Willis (Hartigan),
Mikey Rourke (Marv),
Clive Owen (Dwight),
Benicio del Toro (Rafferty) e
Jessica Alba (Nancy)
Diretores também creditados: Frank Miller e Quentin Tarantino.

Em Sin City os homens têm voz rouca e cansada, são durões e desiludidos; as mulheres são sedutoras, perigosas e trazem encrenca. Nessa cidade noturna e mítica sempre chove e não há salvação. Todos estão condenados até a medula. Prepare-se para Sin City. Você verá corrupção, decadência, pedofilia, sadismo, prostituição, abuso de poder, canibalismo, justiça com as próprias mãos e muito sangue, ou seja, nada além de realidade.

Filme noir

Sin City é um painel formado por várias histórias que se ligam umas às outras. Há três núcleos narrativos no filme, cada um deles narrado por um personagem diferente:  o velho tira Hartigan (Bruce Willis), o brutamontes Marv (Mikey Rourke) e o policial Dwight (Clive Owen).

O velho Hartigan está prestes a se aposentar, mas ninguém quer sair de cena sem deixar um legado, não é mesmo? Ele não está nem aí para o que lhe possa acontecer, como se o seu prazo de validade já estivesse esgotado. Para ele, o que conta é resolver seu último caso, nem que para isso tenha que se imolar. Hartigan é um dos poucos policiais honestos de Sin City e ele sabe que nessa cidade suja a justiça se faz a bala. É o que ele tem em mente para salvar a jovem Nancy.

Marv é um osso duro de roer rejeitado pelas mulheres, menos pela dourada Goldie que o procura em busca de proteção. Infelizmente, uma armadilha está preparada para os dois e Goldie morre ao lado de Marv. Para vingar a morte de Goldie, Marv faz o que sabe fazer melhor: matar com extrema crueldade os canalhas que o levarão até o assassino de Goldie.

Dwight tem um fraco por mulheres complicadas. Ele tenta livrar sua namorada do assédio de Rafferty (Benicio del Toro), um cara abusado que passa dos limites sempre que enche a cara. Sua bronca com Raffety acaba dando na maior encrenca na cidade velha onde quem manda são as prostitutas lideradas por Gail (Rosario Dawson).

Linguagem das HQs

Sin City sabe aproveitar a mitologia das HQs. Marv leva porradas capazes de fazer qualquer um em pedaços e continua na briga. Hartigan é crivado de balas e sobrevive. Tudo bem. Faz parte da cultura das HQs esse exagero que só encontra paralelo nas histórias de pescador. Em todo bom filme logo de cara são estabelecidas as regras sobre o que é possível e o que não é no universo ficcional. E em Sin City os carros quase voam e o sangue jorra com estilo. É a verossimilhança hiperbólica do universo das histórias em quadrinho.

Baseado fielmente nas HQs de Frank Miller, o filme é um noir tardio: narradores desiludidos, chuva constante, ambientes sórdidos, muitas sombras. Sin City é expressionista em tudo, na fotografia, na história, no fundo. Sin City é o inferno na terra, meu caro. Lá transbordam o vício, a corrupção e a violência. Apesar disso, nossos heróis caídos são intrépidos e perseguem com vigor seus objetivos, custe o que custar. É preciso ser forte nessa hostil renascida Sodoma.

Marcante

  • Os atores foram filmados em fundo verde e os cenários foram gerados integralmente por computação gráfica. O resultado de muito bom gosto foi um clima noir com predomínio do branco e preto contrastando com detalhes de cor e fidelidade ao visual das HQs.

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